XX Festival de Folclore na África do Sul festejado na Casa dos Poveiros

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XX Festival de Folclore na África do Sul festejado na Casa dos Poveiros

Numa reunião de fraterno convívio e de pura Portugalidade, teve lugar o vigésimo Festival de Folclore na África do Sul. Cinco ranchos folclóricos actuaram para uma Casa dos Poveiros esgotada, onde os presentes quiseram celebrar as danças e cantares tradicionais típicos das várias regiões da República de Portugal. 

 Teve lugar no dia 12 de Setembro de 2015 pelas 19h00, na Casa dos Poveiros em Boksburgo, o vigésimo festival de Folclore na África do Sul. O salão multi-funções daquela colectividade a Este do Rand, esteve decorado com centros de mesa com flores de papel (cravos), recortes em esferovite de bailarinos folclóricos e tudo, nas cores de Portugal.

 Estiveram mais de 500 pessoas para comemorar e celebrar em comunhão, uma das mais ricas, variadas e disseminadas expressões da Cultura Portuguesa, os dançares e cantares folclóricos portugueses.

 Desde o Minho até ao Algarve, passando pela Região Autónoma da Madeira, estiveram representadas várias modas, nome dos temas cantados e dançados pelo ranchos. Bem como os trajes que adornam os membros de cada grupo. Os grupos que assinalaram a data foram o Terras no Norte, NAC/Troyeville, Lu-so Madeirense, Casa Social da Madeira de Pretória e Casa dos Poveiros, este último, o anfitrião.

 O Século de Joanesburgo falou com Idalina Henriques ao início da noite, que nos confessou que “lembro-me, quando cheguei à África do Sul, que este festival era realizado em dois dias de tantos que eram os grupos!”

 No entanto, é de louvar e de salientar que os ranchos presentes embora não tão numerosos como em anos idos, possuem números médios de membros nos 30 elementos e que o mais antigo, o da Casa dos Poveiros fundado nos anos ’70, tivesse o maior número de crianças já a dançar. Um sinal abonatório para a continuação e manutenção deste aspecto, um dos muitos da Cultura e Tradições Portuguesas, aqui na África do Sul.

 Os convidados chegaram compassadamente, tomaram os seus lugares e no salão dos Poveiros, o barulho de cumprimentos e saudações tomava o ambiente, o que contribuiu para a alegria do Festival. Foi visível o largo número de famílias inteiras que vieram ocupar mesas por completo para acompanhar membros que iam actuar na noite ou que simplesmente quiseram assistir ao evento e marcar presença.

 Junto das mesas, pelo chão do salão haviam instrumentos musicais e peças de indumentária dos trajes folclóricos, o que conferiam ao salão uma ainda mais rica paleta de cores e serviu para atestar a riqueza e variedade que compõe os ranchos portugueses.

 Foi pedido ao microfone, que todos ocupassem os seus lugares, para que a sopa, pudesse ser servida.  Assim foi, perto das 19h30, o primeiro prato, sopa de vegetais com massa, servida.

 Enquanto os convidados degustavam o primeiro prato, para entretenimento e conferir musica ambiente ao certame, Damião de Freitas interpretou alguns temas musicais, ao qual se seguiu em palco Roberto Adão, que cantou temas do seu primeiro álbum auto-intitulado.

 Cerca das 20h20, foi anunciado que o buffet tinha sido aberto, este constituído por pratos típicos portugueses. As várias mesas foram sendo chamadas para irem buscar feijoada, frango assado na brasa, arroz branco, batatas assadas e salada verde.

 De notar que muitos dos presentes elogiaram a refeição e deram os parabéns às senhoras responsáveis pela cozinha dos Poveiros. Estas, tal como nos outros clubes e associações, mantém um aspecto da cultura portuguesa importante vivo, a gastronomia típica. Estas senhoras que tanto trabalham, mas sempre nos bastidores e quase sempre sem menção. A feijoada, mereceu por parte dos presentes, um especial elogio.

 Após as actuações de Rober-to Adão e Damião de Freitas, este último leiloou, para ajuda do folclore, alguns álbuns mu-sicais tendo arrecadado algumas centenas de randes, que reverteram para a Federação de Folclore para ajuda nas despesas e manutenção dos grupos.

 Michael Teixeira, ensaísta do grupo da Casa Social da Madeira de Pretória, também emprestou a sua voz a alguns temas populares portugueses que interpretou. Um sucesso em Portugal e que encheu o salão de cor musical, foi o tema de José Malhoa, “Baile de Verão”.

 Terminada a refeição, Alexandre Santos, o presidente da Federação das Associações Portuguesas da África do Sul, subiu ao palco para dar inicio às demonstrações várias de folclore que ali iriam ter lugar na noite. Começou por chamar ao palco José Ferreira, actual presidente da Federação do Folclore na África do Sul.

 Ferreira no seu discurso afirmou que “quero agradecer a todos os presentes, por estarem aqui hoje, a celebrar esta manifestação de Portugal e da nossa Cultura, o folclore.” “Queria saudar todos os ranchos, agradecer a todos vós, pelos vossos apoios e serviços. Agradecer a esta organização”, pediu depois José Ferreira um aplauso para Arminda Vaz, uma das responsáveis pela logística do certame e que foi incansável na noite.

 O actual presidente da Federação do Folclore continuou ao declarar que “esta é uma declaração dinâmica da nossa Comunidade e revela que há vontade e vivacidade no que respeita às danças tradicionais Portuguesas. Posso assegurar-vos que continuarei a lutar e a trabalhar em prol do folclore. Quero por fim, encorajar-vos e agradecer-vos por estarem todos presentes e por novos e mais velhos, continuarem com esta chama de Portugal. Viva Portugal e viva o folclore”, terminou José Ferreira.

 A este discurso, seguiu-se a intervenção da cônsul-geral de Portugal em Joanesburgo, Luísa Fragoso. No uso da palavra, a diplomata começou por saudar todos os presentes e agradecer, antes de tudo, o convite que lhe foi endereçado. “Muito obrigado por esta ocasião, quero partilhar a minha satisfação de estar convosco esta noite. Temos esta casa tão cheia e é sempre um gosto enorme ver, em torno da nossa Cultura, tantos Portugueses e esse é o objectivo maior.”

 “Hoje, este festival é a continuação deste esforço, do José Ferreira e da Federação de Folclore, nos clubes, que se juntam para manter vivas as tradições. O folclore, como se pode ver, é uma expressão muito querida e acarinhada por todos. Desejo-vos muitos parabéns e faço votos que continuem assim! Porque na-da se faz sem ensaios, sem a angariação de fundos e isto, este Festival hoje, é o culminar disso tudo, de estar a levar o folclore para a frente!”

 Após as intervenções públicas oficiais, Alexandre Santos, que foi o mestre-de-cerimónias da actuação dos ranchos, abriu os procedimentos com o desfile dos cinco grupos presentes.

 Perto das 22h o primeiro rancho a actuar foi o de NAC/Troyeville. A meio da actuação, foi mencionado que membros jovens, que integraram a actuação deste grupo, vieram propositadamente de Vanderbijlpark para actuar na noite e contribuir para o festival. Anúncio este que mereceu um forte e ruidoso aplauso do salão cheio.

 Seguida a actuação, foi anunciado um pequeno intervalo, com a abertura da mesa das sobremesas, a maioria típicas portuguesas, como molotov, pudim de ovos e bolo de bolacha, entre várias outras.

 Os convidados já com as so-bremesas e cafés em cima da mesa, entrou em actuação o rancho Luso Madeirense. Um dos pontos altos deste rancho e do da Casa Social da Madeira de Pretória, é o tradicional e famoso “Bailinho da Madeira”, em que a dada altura da rapsódia musical, os dançarinos vão ao público buscar pessoas para integrar parte da dança.

 A mesa de honra e outros membros do público, conferiram tanto a este “bailinho” como ao tocado pelo rancho vindo de Pretória, um momento especial que foi apreciado por todos os presentes.

 Devido ao adiantado da hora, já perto das 23h30, actuou o rancho Terras do Norte e as restantes actuações sucederam-se em passo rápido. Antes da última moda deste grupo, foi entregue em nome de todos os ranchos a Arminda Vaz, um bouquet de flores em reconhecimento e gratidão pelo seu trabalho e dedicação em levar a cabo a organização logística do certame. Foi também um momento meritório de fortes aplausos!

 Perto das 24h, actuou o rancho da Casa Social da Madeira de Pretória. Por fim, o rancho folclórico anfitrião, o da  Casa dos Poveiros, entrou em cena. Pela primeira vez em muito tempo, tiveram em palco membros a cantar e a tocar instrumentos musicais, sendo apanágio deste grupo, dançar ao som das suas modas, mas a partir de CD’s. Um toque diferente, o qual o público e em particular membros sócios e afectos à Casa dos Poveiros, gostaram bastante. O actual presidente deste clube, Bino Garrido, mereceu uma forte e ruidosa ovação, por ter dado a sua voz, assim como aos

outros membros.

 Uma menção especial foi fei-ta a membros de outros ranchos, Terras do Norte e NAC/Troyeville, que tocaram instrumentos musicais na actuação dos Poveiros.

 Foi dado um “puxão de orelhas” àquelas que não ficaram até ao fim, com a senhora que “comanda” as actuações dos Poveiros e apresenta as modas, afirmar que “foi pena não terem ficado todos até ao fim, pois quando nós vamos a um lugar, ficamos do princípio até acabar a festa. Mas àqueles que aqui estão, mesmo no adiantado da hora, um grande bem haja e AláRiba Poveiro”. Saudação típica da Póvoa do Varzim, que significa não só puxar as redes na faina, mas saudar positivamente alguém ou alguma iniciativa.

 Seguida a última moda, o habitual corredor de honra não foi feito aos Poveiros, mas foi ao invés disso, pedido a todos os membros de todos os ranchos presentes, que se deslocassem ao palco, para tirar uma fotografia de família. Este gesto, coordenado pelo fotógrafo profissional Carlos da Silva, ilustrou a vontade e carinho que une todos os portugueses em torno de uma das suas paixões, o folclore.

 As actuações terminaram à 1h30 da madrugada e alguns convidados, ainda permaneceram no salão para dançar ao som do DJ que animou o serão.

 O próximo ano, 2016, verá realizar-se a vigésima primei-ra edição de um festival que mostra todos os anos entu-siasticamente, um dos muitos aspectos da rica e variada Cultura portuguesa.