Visita à África do Sul da nova Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas

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  Na sua primeira visita à África do Sul, a secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, jantou com a Comunidade lusa radicada neste país, na noite da penúltima sexta-feira, 20 de Novembro, no restaurante da ACP de Pretória, convívio em que participaram setenta e cinco pessoas, entre as quais e pela embaixada, o embaixador Manuel de Carvalho, o seu adjunto Manuel do Val, o conselheiro económico Guilherme Lopes, o coordenador do Ensino de Português, Carlos Gomes da Silva, e a chanceler Carlota Amorim, o cônsul-geral de Portugal em Joanesburgo, Francisco Xavier de Meireles, as dras. Catarina Paiva e Maria da Luz Cabral.

  Ainda os comendadores Estêvão e Manuela Rosa e Gilberto Martins, a conselheira da Comunidade por Pretória, Helena Rodrigues, o novo director do Século de Joanesburgo, Eduardo Ouana e esposa, os presidentes da Academia do Bacalhau de Pretória, Tony Barbosa, o da Casa Social da Madeira, Augusto Gil Baptista Rosa,  o da Casa do Benfica, José Brunido, o da Associação Portuguesa de Witbank, Marco da Cunha, a presidente da Liga da Mulher Portuguesa, Nela Calado, o presidente da Federação das Colectividades, Alexandre Santos, e o treinador e comentador de futebol sénior, neste país, Zeca Marques.

  Findo o jantar em moldes de self-service, usou em primeiro lugar da palavra o presidente da Colectividade em que se convivia, Tony Oliveira, para os agradecimentos a presenças ali naquela noite e a quem consigo colaborou, realçando na sua intervenção a passagem pela ACPP, casa considerada mãe das colectividades lusas de Pretória, nesta visita à África do Sul, da nova secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, para mais nestes tempos tão difíceis que atravessamos, como praticamente têm feito todas as entidades oficiais nas suas  visitas a este país, o que não deixa de ser um incentivo para quem o dirige e orgulho para todos nós, aproveitando para mandar por esta visitante, um abraço aos antecessores neste cargo, José Luís Carneiro, Manuela Aguiar e José Cesário, que sempre se mostraram grandes amigos, tanto desta casa, como deste país de acolhimento.

  Ao agradecer os contributos que tivera para este jantar, assim como para as lembranças ali oferecidas, Tony Oliveira ao recordar os cinquenta e seis anos que esta ACPP iria comemorar em princípios de Setembro, não obstante os tempos difíceis que atravessamos sem dever nada a ninguém, graças ao grande esforço de  quem a vem dirigindo, pedindo ao governo português por intermédio da Secretaria de Estado das Comunidades, uma possível ajuda, porque só a sua manutenção mensal anda à volta de cento e vinte mil randes, daí qualquer apoio, pequeno que seja, será sempre bem vindo. 

  Dada a palavra ao embaixador, Manuel de Carvalho começou por saudar todos os presentes, onde se incluíam os funcionários da embaixada, considerando amigos da casa onde se convivia tanto os de Pretória, como de Joanesburgo e Witbank, nesse convívio dedicado à visita da secretária de Estado das Comunidades Portuguesas à África do Sul, que com o dia iniciado em Joanesburgo, terminava na capital, atendendo ser aqui que estava o governo deste país, assim como a embaixada de Portugal, por conseguinte o coração político do país, prosseguindo:

  “Aqui nos juntamos, terminando a sua visita a esta parte da África do Sul, amanhã (sábado) seguirá para a cidade do Cabo, pensando levar daqui uma boa impressão da Comunidade que aqui vive, que é pujante, dinâmica, empreendedora, empresarial, capacitada e solidária, com garra e gana de poder dar volta à vida e resolver os  problemas que vai enfrentando”.

  O diplomata continuou a sua intervenção dizendo: “Começamos nesta sua visita a Pretória pelo Lar S. Francisco de Assis, para idosos da Comunidade, que tem sido apoiado pela Academia do Bacalhau desta cidade, com os proventos angariados em certos almoços realizados nesta ACPP, em que eu costumo participar, e por isso bem hajam pelo apoio dado a favor dos nossos velhinhos, e como a solidariedade não se limita a Pretória, termos disso também em Joanesburgo, tal como certamente se verifica em Cape Town, e noutras localidades.

  Naturalmente que há problemas na África do Sul, como já deve ter ouvido falar, tais como em insegurança, criminalidade, violência, e corrupção, como infelizmente vai acontecendo por todo o lado, espero que leve daqui boas recordações da nossa Comunidade, assim como também da equipa que aqui tem ao seu serviço, que tudo fazem para tornar as coisas melhores, com todos os meios que temos ao nosso serviço, como sempre o temos feito.

  Espero não ser a última vez que a iremos ter aqui, nesta visita conseguida em escassos cinco dias, esperamos recebê-la aqui com mais tempo e mais possibilidades de aprofundar o seu conhecimento da África do Sul, a todos ali presentes agradecendo a homenagem prestada à membro do governo, que no meio desta pandemia atravessou oceanos para aqui estar, tal como Bartolomeu Dias ao dobrar o Cabo das Tormentas, intitulada depois de Boa Esperança”.

“Encontrei aqui uma Comunidade viva e empreendedora” – Berta Nunes

  “Encontrei aqui uma Comunidade viva e empreendedora, uma comunidade que colabora, que tem responsabilidade social e empresarial, uma imagem na verdade diferente ao que por vezes se apregoa na comunicação social”, referiu em Pretória a secre-tária de Estado das Comunidades Portu-guesas.

  Nas palavras que Berta Nunes referiu ao cumprimentar os presentes e agradecer o jantar que em sua honra teve lugar na noite da passada sexta-feira, 20 de Novembro, no restaurante da ACP de Pretória deixou bem clara a imagem diferente que encontrou da Comunidade portuguesa radicada neste país, não obstante as contrariedades que por vezes foi obrigada a enfrentar, especialmente os que com a chamada descolonização tiveram de deixar contra a sua vontade Angola e Moçambique, e com a sua característica única não baixou os braços, daí passando a contribuir para o desenvolvimento deste país que a acolheu, sem nunca esquecer o seu, e com aquilo que caracteriza o seu modo como único, fortalecer estas boas relações e estes laços de amizade, precisar sentir que nós estamos presentes, daí e não obstante esta pandemia, a primeira oportunidade, em colaboração com o nosso embaixador, foi sem demora aproveitada para visitar a África do Sul.

  “É uma viagem com o objectivo muito claro, ver como está esta nossa Comunidade com esta situação, ver como estão as nossas instituições, como estão os nossos idosos e as pessoas mais carenciadas, uma vez que continuamos a trabalhar com a Santa Casa da Misericórdia, daí e com esse objecivo ter comigo a dra. Maria da Luz que representa essa instituição, para dizer que vai continuar esta parceria com que começamos este trabalho com as instituições que já estão a ser apoiadas, e a ajuda não é só dar dinheiro, essa não é a única solução para se resolverem certos problemas, mas também trocar experiências, criar laços pro-vavelmente por vezes mais importantes do que fazer alguma doação, até porque aqui visitamos obras que estão a ser feitas com o apoio da Santa Casa da Misericórdia, não que seja a solução de todas, mas para vos dizer que estamos aqui para na medida do possível vos apoiar, em obras que contribuem para a sustentabilidade das pessoas que usufruem dessas instituições de solidariedade.

  Não viemos aqui encontrar uma comunidade desmotivada, que nem com esse vírus tenha sido abatida, nem ficado parada, em certos casos para ajudar a superar certas dificuldades mais prementes, encontradas certas posições assumidas como já aqui ouvi, da Academia do Bacalhau, que tudo tem feito para tentar solucionar as mais prementes, e isso não deixa de ser um bom exemplo como outros de pessoas, mesmo em situação difícil, não baixaram os braços, não desanimaram, não esperaram que alguém fizesse o trabalho por elas.

  É aberto todos os anos, de Outubro a Dezembro, um concurso para apoio às associações, a que todas poderão candidatar-se, iniciativa em actividades com o movimento associativo, seja na área cultural, da língua e da inclusão social, como no caso do Lusito e do Lar Santa Isabel, assim como outras em condições semelhantes poderão concorrer”.

  Adiantou que este apoio não é apenas dar dinheiro para pagar uma renda, mas apoiar eventos que tragam mais receita às instituições, “ou seja, nós damos uma parte, mas as pessoas têm que fazer a outra, e assim potenciar tudo aquilo que vocês façam na ajuda às instituições e movimento associativo”.

  Enalteceu neste aspecto o bom exemplo desta Comunidade, ao conseguir organizar-se e ser solidários com as pessoas em ne-cessidade, assim como a idosos, e crianças com deficiência.

  Acrescentando nesse aspecto, perante o “Covid-19”, um apoio extraordinário aqui na África do Sul a mais de trinta casos, se bem que considerado uma gota de água no oceano, “não temos a pretensão de sermos os salvadores da Comunidade, vocês têm toda a capacidade e já o demonstraram”.

 Adiantou: “Já vi que o empreendedor é forte, e esse empreendedorismo e essa res-ponsabilidade social por parte dos empresários, no apoio aos que mais necessitam, dando com isso um bom exemplo como se faz a democracia sem haver alternativas, sem as pessoas não poderem escolher, se não houver debate, se não houver opiniões diferentes, é disso que se faz a riqueza da democracia, e aqui está a riqueza dessa democracia representada, a capacidade de uma comunidade, como atrás referi que sofreu, que passou por dificuldades, daí até poder estar descrente das políticas e dos políticos, mas vocês dão nisso um exemplo muito digno”.

  Focou neste aspecto a situação crítica que se tem passado ultimamente na Venezuela, e o nosso governo, mesmo considerando esse regime complicado, tem tido com ele relações cordiais, no fundo para proteger a nossa Aomunidade ali radicada.

* “África do Sul no meu coração”

  “Pelo que aqui vi e ouvi, digno dos maiores elogios, acreditem a África do Sul vai no meu coração e podem ficar cientes, não estarão abandonados nem esquecidos, porque não é a distância que nos separa, muito menos e como essencial o poder trabalhar em conjunto”.

  Por último foram oferecidos ramos de flores à secretária de Estado das Comunidades, Berta Nunes, assim como à dra. Catarina Paiva, Maria da Luz Cabral, à presidente da Liga da Mulher Portuguesa, Nela Calado, e à conselheira da Comunidade por Pretória, Helena Rodrigues, assim como por Tony Barbosa, lembranças da Academia do Bacalhau de Pretória, a quem consigo colaborou no recente convívio gastronómico, realizado na Casa Social da Madeira.

Texto de Vicente Dias