Venezuela adere ao Mercosul: eleva Bloco a potência energética de nível mundial

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Venezuela adere ao Mercosul: eleva Bloco a potência energética de nível mundial

O Presidente venezuelano, Hugo Chávez, considerou na terça-feira em Brasília que o Mercosul foi a maior “oportunidade histórica” apresentada à América Latina nos últimos 200 anos.

 “Essa é a maior oportunidade histórica que em 200 anos foi apresentada no nosso continente”, afirmou Chávez durante o seu discurso em Brasília, após a Cimeira Extraordinária do Mercosul, que validou a entrada da Venezuela no bloco.
 Chávez agradeceu o apoio dos chefes de estado de Brasil, Argentina e Uruguai, referindo-se à possibilidade de fazer parte do Mercosul como uma “gigantesca oportunidade”.
 “Estamos na nossa exacta perspectiva histórica, o nosso norte é o nosso sul. Estamos onde deveríamos ter estado sempre, estamos a permitirmo-nos ser nós mesmos”, afirmou.
 O líder venezuelano previu ainda que a entrada de seu país no bloco marcará um período de “aceleração” da história do continente.
 “Tenho certeza que a partir de agora entramos num novo período de aceleração da história que estamos construindo, aceleração da geografia, das mudanças históricas e profundas”, completou.
 Chávez enalteceu ainda os ex-presidentes dos países membros do Mercosul, em especial Néstor Kirchner, da Argentina; e Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil.
 “O evento, a entrada da Venezuela como membro pleno do Mercosul, tem alguma semelhança com o dia em que esse povo [do Brasil] elegeu como seu Presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, afirmou.
 Com o novo membro, o Mercosul passa a representar 83 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina, com uma economia de 3,3 biliões de dólares (2,68 biliões de euros), e a 70 por cento da população do subcontinente, somando 270 milhões de pessoas.
 Como Presidente ‘pro tempore’ do Mercosul, a líder brasileira, Dilma Rousseff, prometeu acelerar os trabalhos técnicos que formalizarão a adopção dos mecanismos de liberalização do comércio.
 A primeira reunião do grupo de trabalho está marcada para a última semana de Agosto, com a previsão da sua conclusão até dezembro, ainda sobre a presidência brasileira.
 Foi a primeira vez que o bloco, criado em 1991, formalizou a entrada de um novo membro.
 Representantes de Chile, Colômbia, Peru e Bolívia participam nas reuniões como observadores.

* Entrada da Venezuela eleva bloco a potência energética global – Dilma Rousseff

 A Presidente brasileira, Dilma Rousseff, saudou na qualidade de líder ‘pro tempore’ do Mercosul, a entrada oficial da Venezuela no bloco sul-americano e destacou o poderio energético conquistado pelo grupo.
 “O Mercosul, um dos principais produtores de alimentos e minérios do mundo, consolida-se como potência energética e potência alimentar global”, afirmou Dilma Rousseff, numa declaração à imprensa no fim da Cimeira Extraordinária que formalizou a adesão da Venezuela no bloco sul-americano.
 A Venezuela possui uma das maiores reservas certificadas de petróleo e gás do mundo, sendo um dos membros da Organização dos Países Ex-portadores de Petróleo (OPEP). Com a chegada do novo membro, que aguardava há seis anos pela sua adesão pleno ao grupo, o Mercosul passa a representar 70 por cento da população da América do Sul, com cerca de 270 milhões de habitantes; e a somar um Produto Interno Bruto (PIB) de 3,3 biliões de dólares (2,68 biliões de euros) – o equivalente a 83,2 por cento de toda a economia sul-americana.
 “Estamos conscientes de que o Mercosul inicia uma nota etapa. De agora em diante, nos estendemos da Patagónia às Caraíbas […] Do ponto de vista económico e comercial, a entrada da Venezuela amplia as capacidades do bloco, dando-lhe maiores possibilidades geopolítica e geoeconómica”, acrescentou Dilma Rousseff.
 Essa é a primeira vez que o Mercosul aprova a entrada de um novo membro, desde a sua criação, em 1991.
 A autorização, no entanto, aconteceu de forma controversa, numa declaração presidencial na última Cimeira do bloco, no mês passado, em Mendoza, na Argentina, sem representantes do Paraguai, país actualmente suspenso do bloco.
 No seu discurso, a líder brasileira lançou ainda um convite a todos os cidadãos e empresários da região a fazerem parte da integração sub-regional, aproveitando as oportunidades criadas por esta nova fase.
 “Queremos convidar os sectores industrial e empresarial dos países da região a participar activamente desse momento, buscando maior aproximação e maior abertura de novas fronteiras”, reforçou, a apontar o trabalho técnico que cabe ao governo.
 De acordo com o Tratado de Adesão da Venezuela, assinado em 2006, o país deverá ter a partir de agora um prazo de quatro anos para adoção da Tarifa Externa Comum (TEC), enquanto os outros mecanismos de abertura começarão a ser ajustados a partir do próximo mês.
 A primeira ronda dos trabalhos técnicos será realizada na última semana de agosto, havendo a expectativa de ser concluída até ao final do ano, ainda sob a Presidência brasileira.
 Dilma Rousseff declarou ainda a intenção de expandir o volume de crédito disponível para investimentos no bloco, citando diretamente o Focen (Fundo para a Convergência Estrutural e Fortalecimento Institucional do Mercosul).
 O Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, fez questão de recordar no seu discurso o empenho dos presidentes anteriores, a destacar o trabalho de Lula da Silva, no Brasil; de Néstor Kirchner, na Argentina; e de Tavaré Vásquez, no Uruguai, no processo de adesão da Venezuela que levou seis anos para ser aprovado.
 Antes da cimeira, Dilma Rousseff reuniu-se em separado com Hugo Chávez, que anunciou a compra de seis aeronaves da Embraer; e com o líder do Uruguai, José Pepe Mujica, com quem lançou um comunicado conjunto que prevê a criação de um plano de acção para a integração dos dois países.