Venda total da EDP difícil de concretizar sem prejuízo para o Estado português

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Venda total da EDP difícil de concretizar sem prejuízo para o Estado português

A última fase de privatização da EDP relativa os 4,14% de-tidos pela Parpública poderá ser a mais difícil de concretizar sem que o Estado assuma uma menos-valia tendo em conta os preços-alvo das casas de investimento.

 O actual valor das acções a preço de mercado, 361,5 milhões de euros, e o valor do reembolso (1.015 milhões de euros) da emissão obrigacionista que a Parpública devolveu a 18 de Dezembro passado aos investidores é de cerca de 650 milhões de euros. Ou seja, dificilmente o Estado conseguirá um comprador privado que ofereça os cerca de mil milhões de euros já pagos pelos 4,14% da EDP quando há um ano, a China Three Gorges (CTG) pagou 2,7 mil milhões de euros por 21,35% da elétrica portuguesa.

 Todos os analistas das casas de ‘research’ que acompanham a EDP colocam um preço-alvo das acções (potencial valorização dos títulos a médio prazo) no máximo de 3 euros, como é o caso da JP Morgan, um valor que é menos de metade do que a Par-pública pagou aos investidores obrigacionistas em De-zembro, que foi de 6,7 euros por acção.

 Por exemplo, o Credit Suisse chega aos 2,70 euros, Merrill Lynch aos 2,50 euros, UBS aos 2,55 euros, Morgan Stanley aos 2,60 euros e Millennium BCP aos 2,80 euros.

 Os títulos que ainda estão nas mãos do Estado foram usados como garantia num empréstimo obrigacionista da Parpública em 2007, no valor de 1.015 milhões de euros, sendo que a maturidade deste empréstimo seria até Dezembro de 2014, mas ficou escrito que os titulares das obrigações poderiam receber o reembolso deste empréstimo, a 6,7 euros por acção, em Dezembro de 2012, tal como aconteceu, quando actualmente as acções da EDP estão a negociar a 2,39 euros.

 Após o pagamento do empréstimo obrigacionista por parte da Parpública, o Estado está agora livre de vender a quem entender, sendo que os chineses da CTG se mostraram interessados em juntar estes 4,14% à sua participação de 21,35% na EDP.

 Mas a CTG indicou que “não projecta” apresentar nova proposta para comprar a participação que o Estado português ainda detém na empresa, depois da sua primeira oferta, há mês e meio, ter sido aparentemente rejeitada.

 “Tanto quanto a CTG sabe, a oferta não foi aceite pela Par-pública”, disse uma fonte do Departamento de Cooperação CTG-EDP, em Pequim.

 “A CTG não projecta apresentar outra oferta”, acrescentou a fonte, sem adiantar mais pormenores.

 Se os chineses tivessem feito uma oferta pelos 4,14% igual à que realizaram há um ano pelos 21,35%, no valor de 3,45 euros por acção, o montante desta operação seria de 522,7 milhões de euros por 151.517.000 títulos.

 Em Dezembro passado, o presidente da empresa chinesa, Cao Guangjing, que esteve em Lisboa para comemorar um ano de parceria com a EDP, apresentou a sua proposta ao Governo.

 “Sim, estamos interessados em comprar mais 4,14% (do capital da EDP). Estamos a estudar o assunto e muito em breve apresentaremos a nossa proposta”, referiu.