Vão ser premiadas as Embaixadas portuguesas que se destaquem no fomento das exportações

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Vão ser premiadas as Embaixadas portuguesas que se destaquem no fomento das exportações

Ministério dos Negócios Estrangeiros vai atribuir, pela primeira vez, prémios de diplomacia económica às embaixadas ou delegados da AICEP que se destaquem nas exportações, afirmou, terça-feira, na Cidade do México, o ministro Paulo Portas.

 “Gosto da gestão por objetivos: quem mais consegue mais premiado deve ser. Gosto do mérito, do esforço, e vamos atribuir pela primeira vez prémios de diplomacia económica às embaixadas e delegados da AICEP que conseguirem mais nas exportações, mais na captação de investimentos, mais na internacionalização”, referiu Paulo Portas, no âmbito da conferência “Caminho da Internacionalização”, uma parceria do jornal Expresso e da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e na presença de empresários portugueses e investidores mexicanos.

 A visita oficial de três dias ao México do chefe da diplomacia portuguesa coincidiu com a deslocação de cerca de 60 empresários portugueses, uma das maiores delegações ao exterior organizadas pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).

 “Para nós, uma embaixada é também um ‘business centre’, com um ‘business plan’”, precisou, numa intervenção em castelhano, acompanhado na mesa pelo ministro da Economia mexicano, Ildefonso Villarreal, pelo vice-presidente do Conselho Empresarial Mexicano de Comércio Externo, Investimento e Tecnologia (COMCE), Sergio Pérez, e pelo diretor central área internacional da CGD, Luis Rego.

 “Os futuros diplomatas portugueses vão estagiar em empresas para que saibam o que é a linguagem de uma empresa. Faço coincidir visitas políticas com missões empresariais. Muitas vezes é necessária uma palavra ao decisor político, para chamar a atenção aos interesses de uma empresa portuguesa”, acrescentou.

 O relacionamento de políticas “que passam pela chancelaria e terminam na economia” foi um tema recorrente do ministro, que na conferência não deixou de emitir um paralelismo.

 “Recordam-se da velha definição de Clausewitz, ‘a diplomacia é a continuação da guerra por outros meios’? Tenho uma adaptação pessoal: ‘A diplomacia é a continuação da economia por outros meios’”.

 O sucesso das empresas portuguesas do México, da estratégia da diplomacia eco-nómica, pode ser exemplificado pela Ecochoice, um grupo que actua na área da prestação de serviços.

 “O México é um país com muito potencial, em que acreditamos, e estamos a fazer muito investimento aqui, e acreditamos que é uma grande mais-valia para as empresas portuguesas, que deviam explorar o mercado mexicano”, referiu à Lusa Isabel Santos, uma executiva desta empresa com vocação internacional e com presença no Brasil, México, Brasil e República Dominicana, ao explicar que a se encontram segmentados em três áreas de negócio: “ambiente urbano sustentável, construção sustentável e energia”.

 “Tudo o que diz respeito a energia, eficiência energética, renováveis, temos todo o nosso ‘know-how’ e toda a ‘expertise’ de Portugal dos últimos dez anos, de facto, percebemos e as empresas mexicanas entendem a nossa valorização e o nosso ‘know-how’”.

 A responsável da Ecochoice salientou ainda a importância da visita de Paulo Portas à capital mexicana e o trabalho em parceria com a AICEP.

 “O delegado da AICEP na Cidade do México é um excelente delegado, todas as empresas em Portugal podem fazer um telefonema e imediatamente serão ajudadas, e há que salientar a importância de fortificar estas relações institucionais entre México e Portugal, que são inexistentes”, sublinhou.

 Isabel Santos destacou a importância destas deslocações oficiais, confirmou o sucesso de diversas empresas portuguesas no México e insistiu na importância das relações institucionais entre a diplomacia mexicana e portuguesa.

 Numa referência às características do país e às perspetivas de futuro, demonstrou determinação. “Já uma vez me fizeram essa pergunta e o que respondi foi: ‘Um segundo sem estar no México é um segundo de tempo perdido’”.

 Apesar de o grupo não divulgar o volume de negócios, as perspetivas são optimistas para a Ecochoice. “Neste momento, e na nossa empresa, o mercado português vai representar nem dez por cento do mercado internacional”, revelou.