Vantagens fiscais e vistos de residência ajudam Portugal a tornar-se numa “Flórida da Europa”

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Vantagens fiscais e vistos de residência ajudam Portugal a tornar-se numa “Flórida da Europa”

Há uma nova vaga de reformados a imigrar para Portugal oriundos de França, Reino Unido, Irlanda, Alemanha, Ho-landa, Escandinávia, Rússia e China, um fenómeno explicado no sector imobiliário com a introdução de isenções fiscais nas reformas e os “Golden Visa”.

 A nova lei que permite a isenção fiscal, durante dez anos, para as pensões de re-forma de cidadãos estrangeiros que residam em Portugal há mais de 183 dias é um factor essencial para a nova vaga de imigrantes reformados que chegam ao país, designadamente ao Algarve, explicou à Lusa o presidente da Garvetur Imobiliária, sediada naquela região, Reinaldo Teixeira.

 Outro factor que estará a transformar Portugal numa espécie de ‘Flórida da Europa’ é o “Golden Visa”, notou Reinaldo Teixeira, sublinhando que desde o arranque da operação, no início de 2013, já foram emitidos perto de 150 vistos para cidadãos não residentes na Europa.

 O visto permite a um cidadão que resida fora da Europa e que invista mais de 500 mil euros em imobiliário em Portugal obter residência de cidadão europeu e, portanto, passar a poder circular livremente em todo o espaço Schengen (convenção entre países europeus sobre uma política de abertura das fronteiras e livre circulação de pessoas entre os 30 países signatários), observou o empresário.

 A vantagem da isenção fiscal durante dez anos nas reformas dos pensionistas europeus, a criação do “Golden Visa” para cidadãos fora da Europa, a criação de novas rotas pelas companhias aéreas e as condições naturais que Portugal oferece, como o clima temperado, segurança, acessibilidades e localização geográfica, explicam a nova vaga de imigrantes para Portugal.

 A comprová-lo está o facto de as agências imobiliárias estarem a vender mais casas, contou o director executivo da Associação de Proprietários Estrangeiros em Portugal (AFPOP), Michael Reeve, numa resposta escrita.

 O preço das casas “também são importantes”, mencionou Michael Reeve, recordando que os preços caíram nos últimos dois anos com o início da crise e que, por isso, o mercado imobiliário voltou a ser atractivo para os estrangeiros.

 No final de 2011, o Instituto Nacional de Estatística tinha registado 735 mil casas vazias em Portugal, um facto que se explica com o endividamento de muitos portugueses, que perderam as casas por não conseguirem pagar os empréstimos.

 Os bancos, que ficaram com as casas penhoradas, oferecem atualmente crédito vantajoso aos compradores estrangeiros, o que ajuda em todo o fenómeno da nova vaga de imigrantes.

 Segundo Michael Reeve, a grande maioria dos reformados que estão a imigrar para Portugal vêm de França, Reino Unido, Irlanda, Alemanha e Holanda, mas há também cada vez mais aposentados da Escandinávia, como suecos, dinamarqueses e noruegueses.

 “Aparentemente há também cada vez mais russos a virem para Portugal”, acrescentou o director executivo da AFPOP, instituição com sede em Portimão, no Algarve.

 O clima é um “enorme fator” para Portugal ser escolhido como segunda casa para os reformados europeus, porque o norte da Europa é muito mais frio e estas pessoas, ao virem para Portugal, não precisam de estar tão longe das suas famílias que ficaram no país de origem e podem, em simultâneo, usufruir de um tempo temperado, explicou.

 A segurança é outro factor “positivo” a favor de Portugal e, para os falantes de língua inglesa, o Algarve é a região preferida, porque a população fala o idioma, tornando mais agradável a adaptação, referiu Michael Reeve.

 O sossego e o bem-estar que Portugal ainda oferece, quando comparado com outros países europeus, é outra mais-valia para Portugal se estar a tornar numa ‘Florida da Europa’.