Vamos repetir os 97%!

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Cavaco Silva

Cavaco SilvaCavaco Silva apresenta hoje, segunda-feira, o manifesto da sua candidatura presidencial. Fá-lo no Porto, como há cinco anos, nas instalações da antiga Alfândega.

  Há um mês, quando anunciou oficialmente a sua recandidatura a Belém, Cavaco Silva questionou qual seria hoje a situação do País sem a sua “acção intensa e ponderada” dos últimos cinco anos, apesar de considerar que a sua magistratura de influência poderia ter sido aproveitada de forma muito melhor pelos diferentes poderes do Estado.
  “Portugal encontra-se numa situação difícil. Mas há uma interrogação que cada um, com honestidade, deve fazer: em que situação se encontraria o País sem a acção in-tensa e ponderada, muitas vezes discreta, que desenvolvi ao longo do meu mandato?”, interrogou, durante a declaração que fez no Centro Cultural de Belém.

  Lembrando os alertas e apelos que lançou e os cami-nhos que foi apontando, assim com a forma como defendeu os interesses nacionais junto de entidades estrangeiras, Cavaco Silva considerou que a sua magistratura de influência teve efeitos positivos.
  Cavaco Silva também sublinhou que, apesar de não ca-ber ao Presidente da República governar ou legislar, este não deve “deixar de exercer uma magistratura activa”.
  “Comigo, os Portugueses sabem com o que podem contar”, referiu, prometendo continuar a falar a verdade, porque só ela “é geradora de confiança”.

  “Os Portugueses sabem bem distinguir aqueles que falam verdade e aqueles que semeiam ilusões e utopias”, acrescentou, classificando a sua recandidatura como “uma candidatura de futuro e de esperança”.
  Foi essa mesma esperança que levou já o presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, a garantir o seu apoio indiscutível à recandidatura de Cavaco Silva à Presidência da República. Sobre ele pronunciou a seguinte frase: “Tenho a impressão de que foi a única pessoa com juízo no meio disto tudo”.

  No seu primeiro mandato, Cavaco Silva, sempre e apenas ao serviço de Portugal, foi isento e imparcial, actuou de forma ponderada para que a figura do Presidente da República não fosse usada como arma de arremesso nas lutas entre os partidos. Respeitou democraticamente os resultados das eleições e não permitiu que a função presidencial tivesse sido instrumentalizada por quem quer que fosse.
  “Serei sempre um referencial de equilíbrio e estabilidade. Os portugueses sabem que sou avesso a intrigas político-partidárias. Sabem que a honestidade, a rectidão, a seriedade, o respeito pela palavra dada são princípios de toda a minha vida, de que nunca me afastarei”, declarou.
  É com base nestas qualidades que Cavaco Silva conta já para sua recandidatura com apoios de quase todos os quadrantes políticos, que dele reclamam uma próxima magistratura mais activa, embora se conheçam as limitações do modelo de intervenção impostas pelo sistema constitucional português.

  Nos últimos dias foi anunciado que o presidente da União Geral de Trabalhadores (UGT), João de Deus Pi-res, e o presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, Hélder Ferreira, figuram na lista de onze sindicalistas que integram a comissão de honra do candidato presidencial Cavaco Silva. Da lista fazem ainda parte Afonso Diz, do Sindicato dos Quadros Bancários, Carlos Chagas, vice-presidente da UGT e Dina Carvalho, secretária nacional da mesma central sindical, Jacinto Pereira, presidente do Sindicato dos Profissionais de Seguros de Portugal, bem como os vice-presidentes da UGT, Joaquim Pinto Coelho e José Correia Azevedo.

  Arménio Santos, secretário-geral dos Trabalhadores So-ciais Democratas, figura também na lista de personalidades ligadas ao mundo do trabalho.
  A candidatura de Cavaco Silva tem divulgado regularmente nomes de personalidades que figuram na comissão de honra da recandidatura a Belém. Na semana passada foram conhecidos os nomes do advogado Daniel Proença de Carvalho, dos antigos ministros Veiga Simão, Roberto Carneiro e Basílio Horta e do ex-líder do CDS, Adriano Moreira.

  Antes, tinham já sido anunciados outros nomes que integram a comissão de honra da recandidatura, entre os quais se encontra o banqueiro António Horta Osório, pró-ximo presidente do Lloyds Bank, o arquitecto Carrilho da Graça, o economista Daniel Bessa, que foi ministro da Economia no Governo de Guterres, os economistas João Duque, Joaquim Aguiar e Luciano do Amaral e o advogado José Miguel Júdice.
  O antigo presidente do PSD, Luís Marques Mendes, a par dos deputados do PSD, Paulo Mota Pinto e José Matos Correia, o conselheiro de Estado, Vítor Bento, e o dirigente do Movimento Esperança Portugal, Rui Marques, integram a comissão política da candidatura.
  Alexandre Relvas, que foi director da primeira campa-nha presidencial de Cavaco Silva, volta a integrar a co-missão política, onde entra também a advogada Sofia Galvão, que foi vice-presidente da Comissão Política Na-cional da direcção de Manuela Ferreira Leite.
  A comissão política é ainda composta pelo ex-deputado do PSD, Jorge Moreira da Silva, actualmente consultor das Nações Unidas, e o antigo dirigente do PSD, António Pinto Leite.

  O CDS, que também apoia a recandidatura do actual Presidente, é representado na comissão política por Assunção Cristas, deputada e vice-presidente dos democratas-cristãos, e pelo deputado Nuno Magalhães. Também o antigo deputado popular António Gomes de Pinho, presidente da Fundação de Serralves, faz parte deste órgão.
  A comissão política conta ainda com a presença de Teresa Gouveia, antiga ministra dos governos de Cavaco Silva e de Durão Barroso, e Valente de Oliveira, que fez parte do governo do actual presidente da Comissão Europeia.

 A assessora de Cavaco Silva para a Educação e Juventude, Susana Toscano, também pertence à comissão política. Da área da cultura, a comissão política conta com a presença do jornalista e escritor Francisco José Viegas e do escritor Amadeu Lopes Sabino.
  Este órgão da candidatura de Cavaco Silva também conta com a presença do secretário-geral da Federação Nacional de Educação, João Dias da Silva.
  A lista integra ainda o antigo bastonário da Ordem dos Engenheiros, Fernando Santo, o professor e especialista em política internacional, Miguel Monjardino, e os professores universitários João Taborda da Gama, do Instituto de Direito Económico, Financeiro e Fiscal, Miguel Morgado, docente na Universidade Católica, Miguel Poiares Maduro, catedrático em direito comunitário, e ainda o estudante Luís Castro.

  A comissão política de Cavaco Silva é ainda composta pelo mandatário, João Lobo Antunes, e por Luís Palha, director de campanha.
  A nível partidário, o presidente do PSD, Passos Coelho, defende que o partido deve apoiar massiva e entusiasticamente a candidatura do actual Presidente da República, e o presidente do CDS, Paulo Portas, que se deslocou a semana passada à sede da candidatura para apresentar, institucionalmente, o apoio do CDS, salienta que Cavaco Silva é, de longe, o candidato presidencial mais bem preparado. O líder centrista destacou os seus conhecimentos e saber em Economia e Finanças Públicas, a sua experiência internacional, a credibilidade interna e externa, a moderação revelada no exercício das funções e o sentido de Estado.

  Além de sublinhar que se está perante o melhor candidato, o presidente dos populares salientou ainda que estas eleições decorrem quando o País atravessa circunstâncias dificílimas.
  Entretanto, o ex-líder do CDS-PP, ex-ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros no primeiro governo de José Sócrates e antigo presidente da Assembleia Geral da ONU, Freitas do Amaral, em declarações aos jornalistas na inauguração da sede da candidatura, justificou o seu apoio à reeleição de Cavaco Silva a Belém fazendo uma análise dos perfis dos dois principais adversários para as eleições de 23 de Janeiro. Ele apontou Cavaco Silva como “o homem certo, no momento certo, para o lugar certo”.

  Recordando toda a experiência que Cavaco Silva acumulou durante os 10 anos em que esteve à frente do governo e os cinco anos que já passou na Presidência da República, Freitas do Amaral sublinhou também o conhecimento que o actual Chefe de Estado tem dos pro-blemas económicos e financeiros. “Corresponde ao perfil que me parece adequado ao cargo e ao momento”, disse.
Do outro lado, continuou, estará o candidato apoiado por PS e BE, Manuel Alegre, que “como é próprio dos poetas, vive um pouco perto da Lua e conhece pouco de economia e finanças”.

  Questionado sobre a razão para não ter dado o seu apoio público a Cavaco Silva nas presidenciais de 2006, Freitas do Amaral lembrou que na altura integrava um governo socialista, que apoiava oficialmente outro candidato. “Mas, no meu íntimo, naquela eleição apoiei Cavaco Silva”, reconheceu.
  Cavaco Silva conheceu a semana passada outro apoio importante, este da área empresarial. O de Belmiro de Azevedo, que entende que estas eleições assumem uma importância que não tinham há muito, pois o País está à deriva, a classe política desmembrada e há muitas pressões sobre uma economia asfixiada. Em suma: está em jogo a sustentabilidade do País – simplificadamente é disto que se trata.

   Assumindo as antigas divergências – são conhecidos os grandes desencontros que houve, no passado, entre o político Cavaco Silva e o gestor Belmiro de Azevedo -, o patrão da Sonae, citado pela imprensa portuguesa, entende que só Cavaco "dispõe das competências certas – adquiridas quer como governante, quer enquanto Presidente -, para, com vontade e determinação, garantir um segundo mandato sereno e construtivo".
  "O que está em equação é escolher "um Presidente à altura das nossas dramáticas circunstâncias e não um que aumente ainda mais o ruído e as quezílias. Se, noutros sufrágios, existia a possibilidade de podermos usar o voto por simpatia ou experimentalismo, neste momento o sentido do voto é decisivo", acentua Belmiro de Azevedo.

  As comunidades portuguesas, que querem continuar a ter Portugal como a sua melhor rectaguarda, têm também uma palavra a dizer na releeição de Cavaco Silva. Há cinco anos, quando foi eleito Presidente da República pela primeira vez, Cavaco Silva obteve na África do Sul 97% dos votos, que foi a maior percentagem em todo o Mundo. Vamos repetir esta marca nas eleições do próximo mês de Janeiro!
R. VARELA AFONSO