Vai acabar na Cidade do Cabo a Volta ao Mundo de um fotógrafo português

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Vai acabar na Cidade do Cabo a Volta ao Mundo de um fotógrafo português

O dinheiro que há quatro anos o fotojornalista português Pedro Elias amealhou a fotografar casamentos suporta agora uma inédita aventura de captar os manequins de montras “mais estranhos à volta do mundo”.

 A viagem iniciou-se em novembro, no Cairo, Egito, no norte do continente africa-no, mas deverá terminar, em princípio, na Cidade do Cabo, na África do Sul, melhor, “dura até acabar o dinheiro”, corrige Pedro Elias em declarações à Lusa em Maputo.
 Numa altura em que em Portugal se luta por manter o emprego, Pedro Elias optou por um rumo contrário: em 2009, assinou uma carta de despedimento no Jornal de Negócios, onde trabalhava como fotojornalista, “para ir às ruas do mundo à procura de coisas engraçadas e ridículas sobre os manequins”.

 A rescisão do contrato com o jornal onde fotografava “todos os dias”, o primeiro-ministro, ministros e deputados, foi “o passo mais importante da viagem” que pretende fazer pelo mundo, garante.
 “Estou a fotografar manequins de montras, porque há manequins mais estranhos à volta do mundo”, de resto, “o objetivo final é viajar e, se conseguir dar à volta ao mundo, vou dar”, diz o fotojornalista.
 Na sua viagem, aos 35 anos, Pedro Elias diz que, nestes locais, está “à procura de coisa engraçadas e ridículas”, porque há “sítios onde se notam diferenças culturais” mesmo nos manequins.

 “Lembrome que em Bei-rute vêem-se manequins vestidos de militares”, mas, “no Cairo, quando despem os manequins femininos, eles tapam a montra, coisas que aqui em Moçambique não acontecem, pois, quando se vê um boneco despido tanto faz. Há coisas culturais que se podem tirar daí “, exemplifica.
 O fotojornalista lembra-se da “marcante” passagem pelo Cairo e do “engraçado” trajeto pelo Sudão, onde fez uma viagem de 24 horas de barco ao relento, mas foi em Moçambique, um país que está em paz há quase 20 anos, que a aventura se complicou.
 “Em Moçambique apanhei cheias. Foi complicado passar num rio (na zona de 3 de fevereiro, onde a estrada que liga o sul e norte do país ficou destruída). Passei-o, mas tive que me despir e levar a mala à cabeça. Foi a parte mais caricata da viagem, mesmo antes de chegar ao Maputo”, lembra.

 A falta de patrocínio para a proeza compele Pedro Elias a fazer uma contabilidade apertada dos mil euros que gasta por mês, até porque a ideia não é “esbanjar dinheiro” e “fazer uma viagem de rico”.
 “Eu não sinto que estou a gastar mais nem menos do que devia. Estou a tentar mostrar as cidades. Eu nunca notei que estivesse a fazer uma viagem de rico. Sempre viajei em transportes públicos, como viaja toda a gente, e dormi sempre nos sítios onde toda a gente dorme”, diz.
 Mas, assinala, “é muito fácil gastar mil euros, se pensarmos que são 20 euros por dia, só em viagens gasta-se isso”.

 Desde “lá de cima”, do Su-dão, Pedro Elias também fotografa museus de his-tória natural, porque acha um tema interessante.
 “Comecei a fotografar no Sudão. Gosto do tema da globalização, mas estou a tentar fotografar sem que se perceba que estamos em Moçambique ou na China. Tentar mostrar que o mundo é bastante pequeno”, daí a ideia de intitular o projecto de “a volta ao mundo em 80 Elias”, afirma.