Universidade de Coimbra ambiciona entrar na lista do Património Mundial da Unesco

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Universidade de Coimbra ambiciona entrar na lista do Património Mundial da Unesco

A Universidade de Coimbra ambiciona durante a próxima semana conseguir o título de património mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) e juntar-se aos centros históricos de Angra do Heroísmo, Évora, Porto e Guimarães.

 Além destes quatro centros históricos, Portugal orgulha-se ainda por ter como património mundial o Mosteiro da Batalha, o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, bem como o Convento de Cristo, em Tomar.

 Portugal conta também com a Paisagem Natural de Sintra, os sítios pré-históricos de Arte Rupestre do Vale do Rio Côa e de Siega Verde, a Floresta Laurissilva da Madeira, o Alto Douro Vinhateiro, a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico e a maior fortificação abaluartada do mundo, em Elvas, como património mundial da UNESCO.

 O 37.º comité da UNESCO no dia 27 de junho, no Cambodja, para decidir esta e outras candidaturas a património mundial.

 A história da presença portuguesa na restrita lista do património mundial da UNESCO começou em dezembro de 1983, em Florença, Itália, quando o comité entregou aqueles títulos ao Centro Histórico de Angra do Heroísmo, nos Açores, ao Mosteiro da Batalha, ao Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém, em Lisboa, bem como o Convento de Cristo, em Tomar.

 Três anos depois, em 1986, a UNESCO atribuiu o título ao Centro Histórico de Évora, sendo este, de acordo com os critérios da organização, um “testemunho de uma troca considerável de influências durante um dado período ou numa determinada área cultural” e, tal como Angra do Heroísmo, um “excelente exemplo de um tipo de construção ou um conjunto arquitectónico ou tecnológico ou paisagístico, ilustrando um ou mais períodos significativos da história da humanidade”.

 O Mosteiro de Alcobaça, com “uma das mais importantes abadias cistercienses europeias, atendendo ao seu estado de conservação e à sua arquitectura, símbolo de Cister” recebe o estatuto da Unesco em 1989 e, em 1995, a Paisagem Cultural de Sintra entra também na lista, pelo seu “valor universal extraordinário, representando uma abordagem pioneira ao paisagismo Romântico que teve uma destacada influência nos desenvolvimentos de outras partes da Europa”.

 No ano seguinte (1996), o centro histórico do Porto enriquece a lista, seguindo-se, em 1998, a classificação dos Sítios Pré-históricos de Arte Rupestre do Vale do Rio Côa e de Siega Verde.

 A Floresta Laurissilva da Madeira recebe o título em 1999, seguindo-se em 2001 o centro histórico de Guimarães, pela sua “preservação excepcio-nal”.

 Nesta mesma sessão de 2001, também o Alto Douro Vinhateiro merece a honra atribuída pela UNESCO.

 Em 2004, a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, nos Açores, é também considerada Património Mundial a partir deste ano e, em 2012, é a vez de a maior fortificação abaluartada do mun-do, em Elvas, ser também classificada.

 Também em 2012, Portugal inscreveu o Fado na lista do Património Imaterial da UNESCO, numa iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa.

 

* Universidade de Coimbra foi única em Portugal durante séculos

          

 A Universidade de Coimbra (UC) foi durante séculos a única universidade portuguesa e afirmou, na cidade do Mondego, uma identidade cultural que motivou a sua candidatura a Património Mundial da Humanidade.

 Para o historiador Luís Reis Torgal, esta circunstância constitui, aliás, “uma das características históricas mais interessantes e originais da his-tória das universidades em Portugal”.

 Esta sua afirmação integra uma síntese histórica das universidades em Portugal – a que a agência Lusa teve acesso – que fará parte do livro “Que Universidade? Interrogações sobre os caminhos da Universidade em Portugal e no Brasil”, do qual Reis Torgal é coautor com Ângelo Brigato, a publicar este ano pela Universidade Federal de Juiz de Fora, no Brasil.

 O professor aposentado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra salienta “o facto de o ‘Studium Generale’, primeiro criado em Lisboa e que veio a transferir-se para Coimbra, se ter mantido como universidade (quase) única” durante séculos.

 Fundada por D. Dinis, em 1290, a Universidade começa por funcionar em Lisboa, mas será transferida para Coimbra, alternando entre as duas cidades até 1537, quando se instala definitivamente nesta última cidade, no reinado de D. João III.

 “Se excluirmos a situação discutível, e em todo o caso episódica, da ‘Universidade de Guimarães’, no século XVI, pode afirmar-se com segurança que só de 1559 a 1759 houve em Portugal outros ‘estudos universitários’, com a Universidade de Évora”, refere Reis Torgal.

 A reforma pombalina, com a concessão de novos estatutos pelo Marquês de Pombal, em 1772, é outro momento marcante da história da Universidade.

 Só em 1911 “surgiram, finalmente, outras universidades” portuguesas, em Lisboa e no Porto, enfatiza.

 “Ao assinar o ‘Scientiae thesaurus mirabilis’, D. Dinis criava a universidade mais antiga do país e uma das mais antigas do mundo”, afirma a UC no seu portal, explicando que o documento emitido pelo rei-poeta dá origem ao Estudo Geral, logo reconhecido pelo Papa Nicolau IV.

 Reis Torgal participou na elaboração da candidatura à classificação pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) do conjunto Universidade de Coimbra – Alta e Sofia.

 Coimbra “é um caso único” no mundo, já que nela se verifica “um envolvimento completo da própria academia” na cidade, o que, na sua opinião, não acontece com outras das universidades mais antigas da Europa, como a de Bolonha, na Itália.

 Com mais de sete séculos, a Universidade “conta com um património material e imaterial único, peça fundamental na história da cultura científica europeia e mundial”, um conjunto que a instituição quer ver classificado como Património Mundial, segundo o portal da UC na internet.

 “A Universidade espraiou-se por Coimbra, modificando-lhe a paisagem, tornando-a na cidade universitária, alargada com a criação do Polo II, dedicado às engenharias e tecnologias, e de um terceiro polo, devotado às ciências da vida”, adianta.

 Salazar “procurou criar condições para transformar, até certo ponto, a Universidade num aparelho do regime”, afirma Reis Torgal no mesmo texto inédito.

 Os edifícios erguidos pelo Estado Novo, após destruição parcial da Alta, foram incluídos na candidatura.

 “Têm algum significado na arquitectura de poder salazarista”, defende o historiador, que realça ainda a importância das tradições académicas, como as repúblicas de estudantes e a canção de Coimbra, no conjunto da candidatura em apreciação pela UNESCO.