Union Buildings considerado pela sua arquitectura, símbolo de orgulho, respeito e autoridade

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Union Buildings considerado pela sua arquitectura, símbolo de orgulho, respeito e autoridade

Edificado nos altos de Meintjeskop, a construção deste histórico monumento nacional, iniciada em 1910 e completada em 1913, com o estalar em seguida da I Guerra Mundial, foram cancelados os planos então esboçados para a sua inauguração.

 Desde aí, o Union Buildings, com os seus impecáveis jardins e zonas verdejantes de longa extensão, que atrai e desperta a atenção do turista que visita Pretória, passou a fazer parte integral da comunidade sul-africana, nele estando estampado o brio de dota a Nação.

 Como um clássico acrópole nas alturas de Meintjeskop, o Union Buildings é para Pretória a menina dos seus olhos, dali se admirando toda a beleza desta capital, a transmitir aos seus habitantes a maior confiança no futuro.

 Presentemente pode este edifício não ser o maior da ci-dade de Pretória, como o era na altura em que foi construído, mas em importância, já que o liga à própria administração do país, não deve haver outro com as suas características, e só assim se compreende que ao fim de mais de 100 anos ali continuem instalados entre outros o gabinete do Presidente da República e o Ministério dos Negócios Estrangeiros sul-africano.

 O local onde se encontra o Union Buildings, também tem a sua história. Em tempos existiu naquela área um “farm” pertencente ao então presidente Marthinus Wessels Pretorius, tendo numa das partes dessa propriedade nascido em 1855 a cidade de Pretória, cujo nome deriva do apelido daquele antigo presidente; a outra parte foi cedida por Pretorius a Andries Francois du Toit, em troca do pequeno cavalo que dava pelo nome de “Basuto Pony”.

 Mais tarde essa parcela viria a ser adquirida por Stephanus Meintjies, cujo filho Edward, membro do Transvaal Volksraad, a sugerir como local ideal para a construção do imóvel administrador destinado à união das quatro colónias em que se dividia na ocasião, 31 de Maio de 1910, a África do Sul.

 Outros pontos foram sugeridos na altura, para a edifica-ção do importante complexo, como “Muckleneuk Ridge”, o local onde se encontra o City Hall, mas Herbert Baker, o arquitecto que o desenhou, optou por Meintjeskop.

 Ao ser pedido ao governo, então chefiado pelo general Louis Botha, bem assim ao seu  chefe de gabinete, general Jan Christiaan Smuts, para se debruçarem sobre esta construção, por na altura ambos se encontrarem empenhados em formar um país de maior unidade nacional, foi delegado em  Herbert Baker para desenvolver essa ideia, a que mais tarde se juntou o arquitecto britânico Christopher Wrn, o qual reconheceu de imediato que o Union Buil-dings devia ser acima de tudo um ornamento público ligado à chama comercial, de modo a fazer sentir um certo orgulho dos naturais, pela sua nação.

 Os indivíduos que escolheram o local, optando pela natureza do lugar, foram considerados de ricos em imaginação, por se tratar de um dos melhores do mundo no género, prevendo-se já nessa ocasião que depois de concluído o projecto, pessoas de todo o mundo viessem a visitar este histórico monumento, e apreciar a coragem dos homens a quem se deve a iniciativa.

 A meio caminho das montanhas Meintjeskop e paralelo à Church Street, hoje Stanza Bopape Street, havia uma grande faixa de terreno a oferecer excelentes condições para os fins em vista do arquitecto Baker, que já antes tinha projectado alguns imóveis para pessoas mais abastecidas, ou com melhores recursos financeiros, que se incluíam ministros governamentais, juízes de comarca, ou dependências do Executivo, mais tarde conhecidas por “Presidency”, e que agora se destinam a receber importantes convidados. O terreno foi preparado de acordo com o desenho idealizado por Baker, e levou sete anos a finalizar pelo departamento das Obras Públicas.

 Da Church Street, a quem como atrás se refere foi mudado o nome para Stanza Bopape Street, pode admirar-se uma encosta verdejante que sobe pela Meintjeskop, e ladeada por arvoredo, a liga ao fabuloso jardim que, devidamente tratado, se apresenta de modo a ser classificado de rara beleza.

 Uma estrada mais a West se-gue pela mesma direcção, com diversas curvas feitas como que propositadamente, para através delas se poder admirar o Union Buildings de todos os ângulos.

 Em tempos antigos as pessoas podiam utilizar um pequeno comboio para subir aquela estrada, método que mais tarde foi suspenso, com a ligação daquele troço à Edmund Street, para assim facilitar a circulação de viaturas automóveis.

 

* Construção e material utilizado

 

 No terraço e paredes pela encosta, foi utilizada a pedra arrancada nas escavações a que se procedeu na montanha. Com a fundação em granito, as paredes exteriores do complexo, foram feitas de pedra de areia vinda de Wolwehoek/Orange Free State, Witbank e certas zonas de Pretória.

 Baker, o arquitecto, era de opinião que todo o granito para a construção deveria ser importado, ideia que não veio a prevalecer, acabando por ser usada pedra local, uma vez que se tratava do mais importante edifício da África do Sul e, portanto, teria de ser construído exclusivamente com material do país.

 Ao ser optado pela pedra de areia, em vez da “balmoral”, só que mais dispendiosa, Baker apontou de imediato como conveniente, o alto custo de manutenção no futuro, em que com o decorrer dos anos, partes acabariam por cair, como de facto se tem  verificado, e com o andar dos tempos tem acontecido.

 Dada a magnitude do projecto, foi o contrato adjudicado a duas das maiores companhias de construção locais, naquele tempo, “MCA Meiscke” e “ Prntice & Mackie”. Es-te enorme complexo atraía o público, que passava o tempo a visitar o local e a admirar a técnica empregada na construção monumental que seria o orgulho da África do Sul.

 Para a sua construção foram usadas nesse tempo as mais modernas máquinas eléctricas, 88 gruas, 15 das quais movidas a electricidade, para remoção de enormes blocos de pedra, ali trabalhando 465 profissionais da arte e 800 serventes.

 

* 14 milhões de tijolos, meio milhão de metros cúbicos de pedra,

74 mil metros cúbicos de concreto,  40 mil sacos de cimento,

e 20 mil metros cúbicos de granito

 

 Nos três anos de construção foram usados 14 milhões de tijolos, meio milhão de metros cúbicos de pedra, 74 mil metros cúbicos de concreto, 40 mil sacos de cimento, e 20 mil metros cúbicos de granito, sendo sempre dada a prioridade ao material existente na África do Sul.

Mobiliário

 A mobília original para o Union Buildings foi feita localmente, baseando-se a sua execução na tradição do sólido “Cape Dutch”.

 Com o aumento do número de ministros, e a criação de novos departamentos, houve necessidade de procurar espaços noutros prédios da cidade, e transferir para essas instalações parte do mobiliário, método a que em 1981 o então primeiro-ministro P. W. Botha pôs cobro.

Arte em pedra

 A maior riqueza do Union Buildings é sem dúvida a arte de pedra nele aplicada ewm arquitectura semelhante às do “Palazzo de la Concelleria”, em Roma, e “Palazzo Município” em Génova, onde o mes-mo género de pilares, torres de pilares, torres e arcos re-montam ao século XVI.

 Nos acabamentos, Baker, no intuito de deixar uma obra pri-ma digna de ser admirada e valorizada com o avançar dos anos, exigiu sempre a maior perfeição na execução de todas as peças.

* Relógio da Torre

 

Adquiridos em Londres, no mês de Fevereiro de 1915 por 602 libras, e chegados à África do Sul em 10 caixas, além de se poderem considerar ornamentos, foi o seu som, desde 1934 e durante alguns anos, utilizado como sinal indicativo dos noticiários transmitidos pela SABC.

 Os problemas de sincronização, com o consequente avanço de um, em relação ao outro, deram origem a que em 1943 se suspendesse essa modalidade, que passou a ser substituída por uma simples gravação.

 

* Monumentos

 

 Nos terrenos circundantes ao Union Buildings existem algumas estátuas a perpetuar a memória de personalidades que se distinguiram pelo seu valor e alto sentido patriótico.

 No início da alameda que da Church, agora Stanza Bopape Street, segue em encosta até aos jardins, encontra-se uma em bronze do primeiro-ministro sul-africano, general Louis Botha, da autoria do escultor Coert Steynberg, que em 1946 foi inaugurada pela filha mais velha do general, Helen de Waal.

 No jardim a este do Union Buildings foi inaugurado oficialmente, em Maio de 1983, pelo então primeiro-ministro da RSA, P.W. Botha, para comemorar o 70º aniversário da Polícia sul-africana, um monumento em forma de anfiteatro, em que os pilares e toda a estrutura ali construída mostram como significado a obrigação e o dever de protecção da Polícia e as várias divisões da corporação, já que se dedicam à segurança da população e defesa do bem comum.

 Ultimamente foi num dos patamares da escadaria ladeada pelos jardins, entre a alameda e o Union Buildings, colocada a estátua em bronze e de grande porte, de Nelson Mandela, de braços abertos e virado para a cidade, como querendo abraçar Pretória.

 

* O jardim

 

 O planeamento e arranjo do jardim, coisa rara em beleza e que prende a atenção dos turistas que o visitam, não resistindo à tentação de por ele darem um passeio e baterem umas chapas, para recordarem na posteridade toda essa formosura e encanto, tornando-se por isso um local aprazível e convidativo para até nos casamentos os noivos optarem por ali serem feitas as reportagens fotográficas do seu enlace matrimonial, foi completado em 1919.

 Enquanto decorriam as fundações para a construção do União Buildings, o arquitecto Baker, responsável pela obra, estudava juntamente com oi chefe da Conservação de Florestas, C. E. Legat, os mais aconselhados tipos de plantas e flores para o jardim.

 Assim, trinta e duas dúzias de rosas foram importadas da Inglaterra, e outros cestos com variadas qualidades de flores e plantas, de Roterdão (Holanda), enquanto o Departamento das Obras Públicas procurava dentro do país as mais raras peças de vegetação para nele serem aplicadas.

 Quando se procedia ao plantio e esquematização do jardim, o arquitecto Baker, que se tornara famoso e envolvido que estava em desenhos para edifícios públicos do governo britânico, na Índia e no Kénia, encarregou o seu parceiro Solomon da tarefa do ajardinamento, dado o incumbido da tarefa, além de nessa ocasião ainda estar a estudar, o inconveniente de residir em Joanesburgo, daí não poder dar aos trabalhos a pontual assistência necessária. 

 Na altura em que o jardim começava a mostrar a sua potencialidade, ganhando de dia para dia mais beleza, a encosta fronteiriça ao Union Buildings era invadida por pessoas que, à noite dele retiravam as espécies mais cobiçadas, o mesmo acontecendo com os peixes nos lagos ali existentes, situação a que foi posto cobro com o artigo então publicado no “Pretoria News”, em que repudiava tais atitudes, consideradas ofensivas ao brio da Nação.

 Depois de pressionado pelo então secretário das Obras Públicas, o arquitecto Baker que desde início se mostrara contrário ao plantio de pinheiros em frente ao Union Buildings, preferindo árvores como “stone pine”, “yellow wood” de “knysna” ou “blue-gums”, ao voltar a assumir a chefia do jardim, já era tarde para o evitar.

 Nos anos 60, os ditos pinheiros, afectados por determinada moléstia, tornaram-se murchos e com mau aspecto. Receando possível reprovação pública, não foram os mesmos cortados de imediato, mas a pensar em futura

substituição, como veio a acontecer, foram plantadas ao longo da estátua de Louis Botha, outras árvores conhecidas por “stinkwood”.

 Com a retirada dos pavões que os Serviços de Zoologia ofereceram ao jardim, mas que com os estragos provocados por essas aves galináceas se tornaram prejudiciais à sua continuidade, foi por sugestão do aposentado comissário da Polícia, general J. P. Gous, construído em 1972 um lago para atracção da passarada, que resultou em pleno, na medida em que todas as manhãs despertava a atenção o chilrear do grande número de pássaros que ali se deslocavam.

 Em 12 de Agosto de 1988, designado “South África’s National Arbour Day”, ( Dia Nacional da Árvore), o presidente Botha introduziu ali uma nova tradição, ao ser plantada no jardim uma oliveira que designou de “árvore do ano”.

 A partir de então têm sido plantadas, a assinalar essa data, outras diferentes árvo-res que identificadas com etiquetas onde consta o seu nome, dia em que ali foi colocada, e por quem, passam a ser classificadas de “árvores do ano”.

 Quem percorrer o jardim do Union Buildings e percorrer toda a sua extensão, nele há-de encontrar algo que lhe fale de Portugal.

 Assim, junto ao obelisco de homenagem aos que tombaram na Grande Guerra, encontra-se afixado à esquerda do “placard” indicativo de certos nomes que nela pereceram, uma estrutura metálica que remonta à visita do então presidente da República Portuguesa, marechal Óscar Fragoso Carmona que, ostentando as insígnias de Portugal e da África do Sul, bem assim a Cruz dos Descobrimentos, nela constando a seguinte dedicatória:

 Nos Jardins do Union Buildings, sede do Governo sul-africano, existe, junto ao obelisco em homenagem aos mortos da Grande Guerra, uma placa que ali foi colocada em 1939, aquando da visita do Presidente da República de Portugal, Óscar Fragosos Carmona, à África do Sul.

 Diversas têm sido as opiniões acerca deste histórico monumento nacional.

 Enquanto uns diziam que o Union Buildings era desculpa para se gastar o dinheiro das pessoas que pagavam o “tax”, (imposto), outras alegavam que em vez desse empreendimento, se construísse um blo-co de escritórios adequado às exigências, o que seria mais fácil, custava menos e fazia o mesmo efeito, sendo outros de opinião que com a importância gasta no Union Buildings, se ajudaria muitos pobres da África do Sul.

Quando em 1983, o governo chefiado por P. W. Botha procedeu à renovação de toda a parte da asa onde se situava o gabinete presidencial, os partidos políticos que se opunham com voz parlamentar, não se fizeram tardar em críticas aos gastos que consideravam desnecessários em remodelações e construção de luxuosas dependências.

 O Union Buildings custou no tempo em que foi construído, dois milhões de randes a edificar. A referida renovação operada pelo Governo do presidente Botha elevou-se a cerca de vinte milhões. Se hoje tivesse que se construir uma obra daquela envergadura, quantas centenas ou milhares de milhões de randes seriam necessárias?

 Então pergunta-se valeu-ou-não a pena a construção de tão significativo monumento histórico sul-africano?