União Portuguesa de Joanesburgo celebrou 57.º aniversário

0
81

Decorreu no sábado, 24 de Março, na União Cultural Recreativa e Desportiva Portuguesa, em Turffontein, Joanesburgo, o aniversário daquela colectividade. A efeméride serviu para assinalar e comemorar os 57 anos de existência da União e honrar vários sócios que ao longo de décadas têm contribuído para o funcionamento do clube. Dois sócios de mais de cinquenta anos, Francisco Joaquim Gonçalves e Carlos Alberto Varela Duarte receberam certificados.

 O serão começou com o mestre-de-cerimónias (MC) da noite, Michael Gillbee, a dar as boas-vindas e a pedir que todos tomassem os seus lugares. Pelas 19h45 a noite começou com o MC a fazer uma oração de Acção de Graças e a pedir que Deus abençoasse a refeição que todos iriam tomar e a noite de aniversário.

 A primeira intervenção oficial  coube ao presidente da Assembleia-Geral, comendador José Valentim. Na sua intervenção o comendador deu as boas-vindas a todos os presentes, desde o embaixador de Portugal na África do Sul, Manuel de Carvalho e à sua esposa embaixatriz Joana de Carvalho, ao cônsul-geral de Portugal em Joanesburgo, Francisco-Xavier de Meireles e à sua esposa Ana de Meireles. Aos presidentes das várias colectividades presentes, como o Luso África, APF Vanderbijlpark, Núcleo de Arte e Cultura e Academia do Bacalhau, entre outras entidades e individualidades comunitárias que marcaram presença e abrilhantaram a noite. Aos vários comendadores presentes e aos muitos sócios e mecenas da União. O comendador Valentim mencionou o esforço e dedicação de todos para manter o clube ao longo dos 57 anos de vida e que é para ele, enquanto presidente da Assembleia-Geral, um enorme orgulho e prazer fazer parte da família unionista.

 Agradeceu a presença de todos e desejou que todos tivessem um serão em paz e alegria.

 A intervenção que se seguiu foi a do presidente da Direcção da União, Victor Garrana. Com as boas-vindas dadas anteriormente, o presidente Garrana mencionou o propósito da noite, a sentida e grata homenagem feita aos vários sócios unionistas e aos fadistas. Aludiu também à dificuldade diária que é gerir a sua empresa e liderar uma colectividade, os desafios de abater dívidas, gerar receita e dinamizar o clube nas suas várias áreas de actividade. Como tal, agradeceu a todos os participantes, quer culturais e desportistas, que diariamente fomentam a União.

 Finda esta intervenção oficial, o primeiro prato foi servido kingklip (maruca) à marinheiro, que seguiu às entradas de salgados portugueses.

 A ementa apresentada pela cozinha da União, como sempre, foi da mais alta qualidade, com o peixe muito bem confeccionado e de óptimo sabor. A refeição foi muito elogiada por todos os convidados da noite. Mais tarde, ao prato de peixe seguiu-se o da carne, carne assada com batata estufada e arroz.

 Após o primeiro prato ter sido degustado e depois levantado das mesas, o MC chamou ao palco o presidente Garrana para que em conjunto com o cônsul-geral, entregassem os certificados e pins de homenagem aos sócios honorários e sócios de 25 anos. Foram eles honorários o comendador Fernando Marques, como só-cio benemérito, Augusto Infante como sócio honorário, José Gonçalves como sócio de mérito e António Pestana como sócio de mérito.

 O MC chamou seguidamente os sócios de 25 anos, Ricardo Duarte, Inácio Gonçalves, Manuel Serrão, José Ferreira, José João Abreu, José Soares, Avelino Ramos, Rui Carrolo e Aníbal Fernandes.

 Seguiram-se os habituais momentos fotográficos para registar o momento para a posteridade.

 Depois, foi o momento alto da noite, a homenagem aos sócios de 50 anos. O embaixador de Portugal foi chamado ao palco e em conjunto com o comendador Valentim e o presidente Garrana entregaram um troféu de cristal a Carlos Alberto Varela Duarte. “Receba com orgulho esta homenagem de gratidão pelo seu trabalho e dedicação, obrigado”, atestou o embaixador português.

 “Obrigado senhor embaixador, são mais de cinquenta anos dedicados a esta casa. Significa muito receber isto das suas mãos”, respondeu Carlos Varela. Trocaram um sentido cumprimento e posaram para uma fotografia.

 Em seguida foi chamado ao palco Francisco Joaquim Gonçalves, que no seu coxear lento e compassado fez o seu caminho do fundo da sala até ao palco. Enquanto se encaminhava, num momento muito bonito e espontâneo, todos os mais de duzentos e cinquenta convidados, levantaram-se e aplaudiram fortemente o “Ti Chico”. Com os olhos brilhantes e a voz trémula, agradeceu profundamente ao embaixador Manuel de Carvalho. “Obrigado amigo, sei que esteve adoentado, mas está de volta à sua casa e temos muito prazer em tê-lo aqui connosco hoje. Receba esta homenagem de gratidão por todo o seu trabalho”, declarou o diplomata.

 “Muito obrigado senhor embaixador”, retorquiu Francisco Gonçalves com a voz emocionada.

 As homenagens não se ficaram por ali e a Marinda Garrana, esposa do presidente Garrana, foi-lhe entregue pela embaixatriz Joana de Carvalho um enorme arranjo floral para agradecer o seu contributo, tempo e dedicação à União e à realização da festa daquela noite.

 Seguiu-se também um momento de homenagem aos fadistas presentes. O MC brincou com o público e “aqueceu” as vozes dos convidados antes dos fadistas cantarem. Novamente, com o embaixador presente em palco, o presidente Garrana entregou a Gabriel Silva, a Artur e Alice Carvalho troféus de cristal pela continuada dedicação de décadas à União e por contribuírem para que o clube fosse sempre um importante pólo cultural português onde o Fado esteve sempre vivo e se cantou.

 Aos guitarristas, Sérgio Mourão e António Ferreira foram também feitas sentidas homenagens pelo contributo fulcral na expansão e divulgação do Fado. Cada fadista, interpretou um Fado e no fim, pela sua voz, que apesar de não cantar há seis anos, esteve na perfeição, Alice Carvalho fez um “bis”. O ambiente, em total silêncio e com as luzes apagadas, com apenas um projector nos fadistas, deu um nível de requinte e portugalidade único à noite.

 Logo após o momento de Fado, o MC anunciou que o segundo prato seria servido.

 Após o prato ter sido degustado e levantado das mesas, o MC subiu ao palco e chamou o presidente Garrana e o cônsul-geral de Portugal em Joanesburgo. O diplomata português recebeu do presidente da União uma lembrança da sua presença no aniversário e dirigiu umas palavras aos presentes.

 Na sua dissertação, Francisco-Xavier de Meireles aludiu à importância do orgulho de se ser português. Uma mensagem que é uma constante sua, o reforçar do orgulho nas raízes e na importância de ganhar o Futuro não perdendo ou descurando o Passado. Fala, em relação a isso, De Meireles, na captação da juventude, no incentivo a falar o Português e na consciência da presença portuguesa na África do Sul desde 1488. Desejou as maiores felicidades e continuados sucessos à União Portuguesa.

 O MC antes de chamar ao palco o embaixador de Portugal, inquiriu na plateia a origens de Portugal. De norte a sul e ilhas, bem como de ex-colónias portuguesas, Portugal esteve presente e representado no seu todo.

 O MC aproveitou, o momento de boa disposição para contar uma piada e aludir ao sentido apurado de humor dos alentejanos. Um momento de riso geral que apenas serviu para assinalar o grau de festa vivido no salão nobre Fernando Pessoa da União Portuguesa. De referir que entre os vários pratos da refeição e em vários momentos musicais, a “8th Avenue Band” abrilhantou a noite e deu também um toque de requinte e sofisticação musical a relembrar as grandes bandas dos anos 70 e 80. Músicos profissionais, tocaram vários temas conhecidos e a interacção da banda com a plateia foi muito especial. De tal forma que surgiram várias pessoas diante do palco para dançar ao som da excelente música a ser tocada.

 De referir também a alta qualidade do sistema de som apresentado, sem falhas nem ressonância. Sem dúvida, que foi um trabalho de bastidores essencial para que a festa decorresse sem percalços, como de facto aconteceu.

 O embaixador fez a intervenção final da noite. Manuel Maria Camacho Cansado de Carvalho, no seu discurso agradeceu o convite e felicitou a União, até porque “eu vou confessar, eu e a União temos a mesma idade”.

 O embaixador tocou em dois assuntos fulcrais, na importância de Portugal como local de estudo e plataforma de formação, a excelência do ensino a todos os níveis e na melhor formação a nível mundial. “Pensem em Portugal para enviar os vossos filhos e netos, porque apostar em Portugal é apostar para ganhar o Futuro”, referiu o embaixador. “Quero também tocar no assunto dos casamentos com portugueses, quer os vossos maridos ou esposas, vejo aqui na União, como um dos exemplos, o vosso orgulho e dedicação à causa de ser-se português. A vocês, muito obrigado”.

 O diplomata concluiu com votos de maiores felicidades e desejos de sucessos à União com o mote “na nossa Comunidade, de facto a União faz a força”.

 O MC, antes de concluir o programa propôs um brinde, ao pedir a todos que com os copos de vinho espumante, se levantassem e fosse feito um brinde. “Que Deus nos abençoe a todos, à União também e que estejamos cá para celebrar mais aniversários e mais efemérides não só da União, mas de outras colectividades também. À União os Parabéns e viva Portugal”, o brinde feito por Michael Gillbee.

 Seguidamente, ao som da “8th Avenue Band” cantaram-se os “Parabéns a Você” à União e, num momento espontâneo, o MC propôs um orfeão à União. “Para a União que hoje faz anos, não vai nada, nada, nada?” E o público respondeu “tudo”. E assim, em alusão aos corpos dirigentes, aos sócios e fadistas homenageados e aos diplomatas presentes, o orfeão foi dedicado e feito por todos num momento de grande alegria.

 O programa foi assim concluído e a noite foi animada até de madrugada ao som da “8th Avenue Band” com muita dança e convívio entre todos.