União Portuguesa apresentou contas desde 2013 na sua Assembleia-Geral

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União Portuguesa apresentou contas desde 2013 na sua Assembleia-Geral

Na terça-feira, 14 de março, estiveram cerca de 25 asso-ciados da União Cultural Desportiva Recreativa Portuguesa em Turffontein, Joanesburgo, para a realização da reunião da Assembleia-Geral daquela colectividade. Foi com o ob-jectivo de apresentar os balancetes de contas desde 2013 até ao momento presente e fazer o ponto da situação da colectividade, que a ordem de trabalhos decorreu.

 O presidente da Assembleia-Geral, comendador José Valentim, abriu a reunião pelas 19h30. O comendador começou por dar as boas-vindas aos associados presentes e agradecer a sua presença. Lembrou que era essencial a apresentação das contas, para bem da transparência e do bom funcionamento, assim como da saudável gestão da União.

 Informou ainda que foram entregues a uma equipa de auditores e advogados, as contas e documentos relevantes da União, para que estes investigassem e apurassem a exis-tência ou não de um Trust em nome da colectivdade, bem como dos balancetes de ges-tões anteriores, até agora nunca apresentados.

 Em seguida, o comendador Valentim leu a convocatória para aquela reunião, conforme publicada no Século de Joanesburgo de acordo com o que ditam os estatutos e regulamentos do clube. Leu em seguida a acta da assembleia-geral anterior, o que foi apenas um documento orientador, visto a anterior Direcção não ter submetido nenhuma acta.

 Logo em seguida, o comendador deu a palavra ao actual presidente da União Portuguesa, Victor Garrana.

 Na sua intervenção, Garrana agradeceu a presença de todos os associados e as horas de trabalho e dedicação dadas pelo presidente do conselho de contabilidade, Joaquim Guimarães.

 Agradeceu a todos os voluntários e a todos os envolvidos no clube, que trabalham para o sucesso desta colectividade. Relatou que foi com optimismo e positividade que a presente Direcção pegou nas rédeas da União e tem tentado solucionar os desafios presentes da colectividade. Agradeceu também ao Século pelas publicações e apoio institucional constante.

 Na agenda de trabalhos, seguiu-se a intervenção do presidente do conselho de contabilidade, Joaquim Guimarães. Pediu desculpa pela de-mora na apresentação das contas de quatro anos transactos. “Foi bastante difícil e dispendioso, especialmente na investigação de um Trust que não existia. Tivemos que juntar as várias peças do puzzle, sem muitas vezes termos as peças”, afirmou.

 A Direcção presente iniciou diligências para investigar o assunto do Trust e a equipa de advogados e auditores deram volta a todos os documentos e informação a que puderam ter acesso.

 Guimarães falou na dificuldade de haver veiculo de ligação com as contabilidades de anos anteriores e que pelas contas todas não serem da presente Direcção, não podia desmistificar todas questões. Procedeu então à leituras dos vários relatórios de contas e balancetes desde 2013 até Fevereiro de 2017. De notar, é que dos balancetes todos a maior dívida que está em aberto é a de impostos sobre imóveis ou municipais (Rates & Taxes) e que apesar de nos relatórios a avaliação imóvel da União estar cifrada nos seis milhões de randes, a presente avaliação camarária está nos 12 milhões. E é sobre esse valor que os impostos e contribuições autárquicas são calculados. Estão, no momento presente, nos R945 470. Este valor compreende também pagamentos a fornecedores, despesas de água, luz, empregados e manutenção dos espaços.

 Também importante notar, que apesar da União estar avaliada no presente em doze milhões de randes, pretende-se, quando for possível, fazer junto da Câmara Municipal de Joanesburgo nova avaliação.

 De seguida, foi lido o parecer do conselho fiscal. Notou uma divisão entre as Direcções cessante e a presente, mas que nem por causa de desentendimentos, o trabalho em prol da União deixou de ser feito.

 Referiu que o restaurante foi uma sobrecarga para a presente Direcção e que a falta de arrendatário do espaço, le-vou a que as contas e o esforço financeiro fossem maiores. Mas, o restaurante, o pavilhão e o salão social foram todos fontes de receitas. Agradeceu aos responsáveis do desporto, que desenvolveram as actividades sem custos adicionais para o clube. Findou o seu parecer ao agradecer à presente Direcção o trabalho feito em prol da União.

 Findo o parecer, o Século de Joanesburgo levantou a questão de haver um plano para reestruturar as dívidas muni-cipais. Questionado sobre a possível hipoteca do clube, o comendador José Valentim in-formou que foi uma hipótese estudada. Tal como um resgate bancário ou a um país, serviria para saldar todas as dívidas e depois, concertadamente e em tranches com uma taxa de juro aceitável, pagar o montante hipotecado à entidade credora.

 O problema, informou Valen-tim, é que sem documentos oficiais, sem prestação de contas, sem declarações de impostos e outros requerimentos formais por parte dos bancos e entidades financeiras, não é possível estudar essa hipótese, pois essas mesmas entidades requerem provas de gerências, liquidez financeira e um plano de pagamentos. O que será uma hipótese a colocar na mesa, uma vez estes relatórios feitos e apresentados naquela assembleia-geral.

 Tanto os presidentes da As-sembleia-Geral, como o presidente da Direcção, garantiram ter um plano para a reestruturação e pagamento da dívida. Envolve uma reavaliação dos espaços do clube, um pedido de perdão ou absolvição da dívida de Rates&Taxes, parcial ou total e um plano de pagamentos. Não está descurada a hipótese de hipoteca, mas será, garantiram, algo de “último recurso”.

 Também presente na reunião, o comendador Gilberto Martins alertou para a questão de que os auditores fizeram uma carta que informa sobre a sua falta de responsabilidade em dar mais informações, por falta de documentos.

 “Para a Direcção-Geral de Finanças sul-africana (SARS), para os bancos e até para Portugal, se for para pedir ajuda a Portugal, é mau. É mau aspecto, é mau não terem sido entregues declarações fiscais, não terem sido apresentadas as contas. Estou apenas a alertar, para o bem da União e para a salvaguarda do clube. Porque para cobrar é fácil, mas para ajudar as entidades encontram falhas com as mais pequeninas coisas e esta ausência de declarações e documentos é má”, declarou o comendador Martins.

 Soube-se então, na reunião, que desde 2012 que não são feitas quaisquer declarações fiscais às Finanças.

 Foi então proposta a apro-vação, balancete por balan-cete, desde 2013 ao presente. O que foi prontamente feito, por maioria dos associados.

 Foi aberta então a discussão, no ponto de agenda “geral”. Várias questões foram levantadas sobre se o clube pertencia à actual Direcção ou aos associados. Se a retoma do estatuto de sócio compreende para todos, sem excepção, o pagamento de quotas retroactivas desde o momento de cessão de pagamentos ao presente. Levantou-se também a questão do uso de lazer do pavilhão desportivo e não ser possível por estar sempre encerrado.

 As várias questões foram ouvidas e anotadas em acta, mas por norma dos estatutos e por não fazerem parte da agenda de trabalhos, não foram discutidas.

 A assembleia-geral foi encerrada pelo comendador José Valentim, cerca das 21h10. Alguns associados ainda permaneceram no salão nobre, a trocar impressões sobre a reunião.