União Europeia quer trabalhar numa solução de paz para o Médio Oriente

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A União Europeia reafirmou hoje o seu apoio a uma solução com dois Estados no conflito israelo-palestino, enquanto aguarda a tomada de posse do novo Governo de Israel e a concretização dos seus planos de anexação na Cisjordânia.

“Esperamos trabalhar profunda e construtivamente com o novo Governo assim que seja empossado. Estamos convencidos de que precisamos de trabalhar para encontrar uma solução para o conflito na Palestina e reafirmamos a nossa posição sobre uma solução com dois Estados”, disse o Alto Representante da União Europeia para a Política Externa, Josep Borrell.

O político espanhol falava numa conferência de imprensa virtual, no final de uma videoconferência informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE.

A posse do executivo israelita, marcada para quinta-feira, foi adiada para o próximo domingo, a pedido do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, ainda sem ter resolvido a distribuição de ministérios entre os membros do seu partido, Likud, e dos seus parceiros.

Esta situação atrasou, pela segunda vez, a cerimónia de posse do Governo de coligação, entre Netanyahu e o centrista Benny Gantz, que deveria tirar formalmente o país do mais longo bloqueio político da sua história.

“A resolução de conflitos continua a ser uma prioridade, é de interesse estratégico para a UE e continuamos prontos para participar”, garantiu Borrell.

Para que isso seja possível, o chefe da diplomacia europeia alertou que “acções unilaterais” devem ser evitadas e, “é claro, respeitadas as leis internacionais”.

“Devemos trabalhar para desencorajar qualquer iniciativa possível de anexação”, enfatizou, assegurando que isso exigirá contactos com Israel, com os Estados Unidos e com a Palestina.

O acordo de unidade alcançado entre Netanyahu e Gantz terá, fundamentalmente, a tarefa de processar medidas relacionadas com a crise do coronavírus nos primeiros seis meses, bem como avançar com o processo de anexação de parte da Cisjordânia a partir de 01 de Julho.

De acordo com o controverso plano do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do seu genro, Jared Kushner, para a paz no Médio Oriente, abre-se a porta para a anexação por parte de Israel de uma parte da Cisjordânia, como o estratégico vale do Jordão.

“Usaremos todas as nossas capacidades diplomáticas para evitar qualquer tipo de acção unilateral. Se isso acontecer, veremos. Por enquanto, os nossos esforços estão focados na acção diplomática, para evitar acções unilaterais, promover uma solução de dois Estados e cumprir a lei internacional”, concluiu Borrell.

No início da semana, o chefe da diplomacia da UE disse que os Estados-membros ainda estão “longe de discutir sanções” contra Israel.