UGT defende que devem ser encontrados outros factores que alimentem a Segurança Social

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 O secretário-geral da UGT defende que devem ser encontrados outros fatores que alimentem a Segurança Social, além do que já existe, sem o aumento da idade da reforma, que prejudica trabalhadores e o mercado de trabalho.

 De acordo com Carlos Silva, independentemente da relevância do estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos, aumentar a idade da reforma para os 69 anos “não é o caminho”.

 “Aumentar a idade da reforma é penalizar quem necessita do seu trabalho para garantir a sua subsistência e nós [UGT] não estamos de acordo com o aumento. Aliás, já tínhamos demonstrado a nossa contrariedade quando foi decidido o aumento de um mês por cada ano até aos 67 anos”, salientou.

 Carlos Silva lembra que a UGT sempre defendeu que para garantir a sustentabilidade da Segurança Social é preciso encontrar outras receitas alternativas que podem passar por uma tributação de impostos às empresas a partir de determinado patamar.

 “Podemos encontrar uma derivação dos atuais impostos para permitir o reforço do orçamento da Segurança Social. (…) Por outro lado, consideramos que deve haver transferência de verbas do Orçamento do Estado. É para isso que os trabalhadores pagam impostos”, disse.

 O secretário-geral da UGT considera também que o estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos “olha mais para a questão económica do que para a social”.

 O estudo da Fundação refere que o número de pensionistas deverá crescer de 2,7 para 3,3 milhões até 2045, o que deveria levar ao aumento da idade de reforma, para evitar transferências do Orçamento do Estado (OE).

 Face ao cenário demográfico e macroeconómico referido num estudo e que prevê que “o número de pensionistas cresça consideravelmente”, entre 2020 e 2045, os seus autores defendem o aumento da idade de reforma.

 “Aumentar a idade de reforma parece ser a forma mais eficaz de minorar a necessidade de financiar o sistema com recurso a transferências de OE”, concluiu a equipa de investigadores coordenada por Amílcar Moreira.

 No estudo sobre a “Sustentabilidade do Sistema de Pensões Português”, adjudicado ao Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa pela FFMS, os investigadores consideram estar “indelevelmente marcado pela evolução demográfica”.

 Perante a perspectiva de uma redução de 23% da população total de Portugal nos próximos 50 anos, os autores afirmam que a diminuição da população em idade activa será de 37%, entre 2020 e 2070, o que “limitará, de forma decisiva”, o potencial de crescimento da economia portuguesa no mesmo período.

 Apesar da quebra da população activa, o estudo prevê, devido à perspectiva de crescimento salarial, que o valor das contribuições para a Segurança Social cresça ligeiramente no período em análise, de 8,1% do PIB para 8,7%.