Trabalhadores da TAP retomam actividade em Agosto com horários reduzidos

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   Os trabalhadores da TAP deverão regressar ao trabalho em Agosto, mas com horários reduzidos, em 70%, 50% ou 20%, segundo uma comunicação interna do director dos Recursos Humanos.

  “Não haverá mais ‘lay-off’/suspensão de contrato de trabalho, pelo que todos os nossos colaboradores estarão em ‘lay-off’/redução de horário de trabalho. Ou seja, todos os trabalhadores estarão a trabalhar ainda que com uma qualquer redução de horário de trabalho aplicada”, explica a comunicação interna enviada pelos Recursos Humanos do Grupo TAP às direcções dos vários departamentos.

  Apelando “à máxima racionalidade” das chefias nas “propostas/decisões”, foi solicitado o envio até quinta-feira (23 de Julho) das “listagens com a identificação dos trabalhadores que deverão ser enquadrados em cada uma das modalidades” de redução de horário.

  A comunicação interna enumera depois “três notas importantes” sobre este novo regime a iniciar-se em Agosto.

  Por um lado, “nenhum trabalhador irá receber uma remuneração igual ou inferior à que recebeu no período de ‘lay-off’ anterior”, sublinhando que “o valor da remuneração dos trabalhadores em ‘lay-off’/redução de horário de trabalho não corresponde à percentagem de redução aplicada ao horário de trabalho” e que, “em todos os casos, os trabalhadores receberão uma remuneração acima da sua percentagem de horário de trabalho”.

  Para o pessoal de terra ficou definido que aqueles que tiverem redução de horário em 70% “receberão uma remuneração, nos termos desta nova legislação, correspondente a 77% da sua renumeração”.

  Os que tiverem redução em 50% do horário receberão 83% da remuneração e os trabalha-dores abrangidos com uma redução de 20% no horário de trabalhão “terão direito a uma remuneração correspondente a 93%” do vencimento.

  “No que se refere ao PN [Pessoal Navegante] esta análise e enquadramento está já a ser

efectuada pelas áreas internas responsáveis”.

  A nota interna justifica que as remunerações auferidas em cada uma das modalidades corresponde ao facto de a TAP “ter de complementar em dois terços a parte não trabalhada pelo trabalhador”, sendo que a Segurança Social “apenas comparticipa uma pequena parte”.

  “Assim sendo, a selecção dos colaboradores a alocar a cada uma destas modalidades deve ser a mais racional possível […]. Apenas deverão ser alocados nesta modalidade de mínima redução (redução de 20%) o número indispensável de trabalhadores, dado os aumentos de custos que representam estas novas modalidades de ‘lay-off’ para a companhia”, pede o director dos Recursos Humanos do Grupo TAP.

  Fonte oficial do grupo disse que “a TAP não comenta comunicações internas da empresa sobre processos em curso cujas decisões ainda não são definitivas e podem ser alteradas. Os trabalhadores e respectivas estruturas representativas serão sempre os primeiros a ser informados pela empresa, de forma direita, em relação a estas questões”.

  O Conselho de Ministros aprovou a concessão de um empréstimo de até 1.200 milhões de euros à TAP, em conformidade com a decisão da Comissão Europeia.

  Além do empréstimo remunerado a favor do Grupo TAP de 946 milhões, ao qual poderão acrescer 254 milhões, sem que, contudo, o Esta-do se encontre vinculado à sua disponibilização, as negociações tinham em vista a aquisição, por parte do Estado Português, “de participações sociais, de direitos económicos e de uma parte das prestações acessórias da atual accionista da TAP SGPS, Atlantic Gateway, SGPS, Lda.”.

  Desta forma, o Estado Português passa a deter uma participação social total de 72,5% e os correspondentes direitos económicos na TAP SGPS, pelo montante de 55 milhões de euros, referiu. O restante capital é dividido pelo empre-sário Humberto Pedrosa, com 22,5% do capital, e os trabalhadores (5%).

 

* Consultora de recursos humanos vai avaliar competências dos gestores e quadros

 

  A TAP vai contratar uma consultora de recursos humanos para fazer a avaliação dos gestores da empresa, para “apoiar” o processo de reestruturação, adiantou o ministro das Infraestruturas.

  “Haverá outra empresa de ‘head hunting’ [consultora de recursos humanos], que não é contratada por nós, para fazer a avaliação das pri-meiras linhas da TAP, das segundas linhas, dos quadros da TAP, para percebermos quem são, que valências têm, que experiência têm, que competências têm”, disse aos jornalistas o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, à saída de uma audição na Assembleia da República.

  O objectivo, esclareceu o governante, é o de conhecer a empresa, as pessoas e até as compe-tências que já nela existem.

  O ministro explicou ainda que é a própria TAP que está a fazer o processo de escolha da em-presa consultora, bem como do banco de investimento.

  Cabe ao Governo fazer a escolha da empresa que terá como função seleccionar o novo presidente executivo (CEO) da TAP, que vai suceder a Antonoaldo Neves na liderança do grupo.

  Questionado sobre se o futuro CEO da transportadora aérea poderá ser alguém que já pertence aos quadros da companhia, Pedro Nuno Santos não quis comentar.