Trabalhadores consulares prometem luta contra ataque aos direitos adquiridos

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Trabalhadores consulares prometem luta contra ataque aos direitos adquiridos

O secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas no Estrangeiro, eleito sábado em Paris, definiu como prioridade para os próximos três anos “a luta contra o ataque aos direitos adquiridos dos trabalhadores”.

 Jorge Veludo, reeleito na direcção do sindicato, falava ao final da tarde em Montreuil, nos arredores de Paris, numa sala com cerca de 50 funcionários consulares e de missões diplomáticas e representantes do PSD, o deputado Carlos Gonçalves, do PS, o deputado Paulo Pisco, do PCP, o deputado João Ramos, e do Bloco de Esquerda, Cristina Semblano.

 O dirigente elencou entre as prioridades da direcção eleita para os próximos três anos um “reforço da organização a nível local e regional”, uma “melhor intervenção ao nível dos novos media” e o “combate ao ataque aos direitos adquiridos dos funcionários consulares e das missões”.
 No centro da discussão que teve lugar depois da assembleia-geral que elegeu a nova direcção estiveram as “sucessivas” reduções salariais que têm afectado os trabalhadores, com especial destaque para a situação dos funcionários na Suíça ou na Austrália, que o sindicato estima que tenham perdido, nos últimos três anos, quase metade do seu vencimento, “fora o aumento do custo de vida”.

 A dar rosto a este problema, Alexandrina Farinha, funcionária consular na Suíça, pediu aos representantes dos partidos urgência numa solução: “O problema dos funcionários consulares como eu não é político, é humano. Eu vivo neste momento de esmola do Estado suíço e há muitos colegas como eu”, disse, a chorar.
O deputado Carlos Gonçalves sublinhou o papel “fundamental” dos funcionários consulares “na concretização da política externa portuguesa” e defendeu a possibilidade de se aproveitar a renegociação do seu estatuto profissional para salvaguardar este aspecto nas tabelas remuneratórias.
 Pelo PS, Paulo Pisco chamou a atenção para a existência de uma “tensão crescente entre diplomatas e funcionários consulares”, que, considerou, tem prejudicado estes últimos, e criticou a “obsessão do Governo pela diplomacia económica”.

 João Ramos defendeu por seu lado que a situação destes funcionários é “inadmissível” e lamentou que, embora “se resolvam os problemas dos diplomatas, não haja vontade para se encontrar uma solução para os problemas dos funcionários”.
 Já Cristina Semblano disse que “esta postura do Governo em relação às comunidades não veio com a ‘Troika’: “É a continuação de um ataque sistemático, de anos. As comunidades foram sempre as ovelhas ranhosas de Portugal”, argumentou, apelando a que não se aceite o argumento de que não há dinheiro.