Todos os esforços feitos pelos portugueses vão ser bem sucedidos – afirma o ministro das Finanças

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Todos os esforços feitos pelos portugueses vão ser bem sucedidos - afirma o ministro das Finanças

O ministro português das Finanças disse na segunda-feira, em Bruxelas, que a mensagem que “é crucial” transmitir aos portugueses, incluindo aos que se manifestaram no penúltimo sábado em várias cidades do País, é a de que os esforços que estão a fazer serão “bem-sucedidos”.

 “A mensagem que eu penso que é crucial dar a todos os portugueses, aqueles que se manifestaram e aqueles que não se manifestaram, é que ontem, no Eurogrupo [reunião dos ministros das Finanças da zona euro], e hoje, no Ecofin, Portugal beneficiou de uma forte mensagem de confiança por parte dos parceiros europeus”, afirmou Vítor Gaspar no final da reunião dos ministros das Finanças da União Europeia, quando questionado pelos jornalistas sobre os protestos do penúltimo sábado.

 O ministro das Finanças acrescentou que os restantes Estados-membros “estão confiantes de que o processo de ajustamento português será bem-sucedido e que, consequentemente, todos os esforços e os sacrifícios que têm sido feitos pelos portugueses vão ter uma razão de ser e vão ser bem-sucedidos”.

 Vítor Gaspar disse ainda, em resposta aos jornalistas, não ter “qualquer espécie de preocupação particular com questões de popularidade”.

 A manifestação do penúltimo sábado em mais de 40 cidades portuguesas foi organizada pelo movimento “Que se lixe a ‘troika’”.

 Na reunião da passada segunda-feira, os ministros das Finanças da UE chegaram a um acordo de princípio sobre o prolongamento das maturidades dos empréstimos, solicitados por Lisboa e Dublin.

 

* Ajustamento é inevitável

          

 O presidente do Banco Central Europeu respondeu ao secretário-geral do PS afirmando que o ajustamento económico em Portugal é inevitável, que ainda há muito por fazer e que está a acompanhar de perto a situação.

 O líder do Partido Socialista, António José Seguro, enviou cartas a todos os líderes das instituições que compõem a ‘troika’ – à directora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, ao presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e ao presidente do BCE, Mario Draghi – onde pedia uma “avaliação política” da aplicação do programa de assistência Económica e Financeira.

 Mario Draghi, numa resposta datada desta quarta-feira, foi o último dos três líderes a responder, e na carta começa desde logo por garantir que segue de perto a situação da zona euro como um todo e de todos os países que fazem parte da moeda única individualmente.

 “Começo por assegurar-lhe que acompanho de perto a evolução do conjunto da área do euro, assim como de cada um dos países que a integram”, diz o líder do BCE na carta enviada ao secretário-geral do PS, onde diz ainda que partilha da preocupação do responsável socialista com o “aumento considerável do desemprego e, em particular, do desemprego entre os jovens”.

 Ao longo da carta o italiano que lidera o BCE relembra os desequilíbrios que foram sendo acumulados na economia portuguesa e nas contas públicas, para justificar a inevitabilidade do ajustamento em curso.

 “Esta evolução era insustentável e, portanto, o ajustamento tornou-se inevitável. Os efeitos colaterais negativos do ajustamento (em termos de, por exemplo, o desemprego e falências de empresas) reflectem a magnitude dos desequilíbrios anteriormente existentes em conjugação com a rigidez estrutural que inibe o ajustamento”, afirma o responsável, considerando que o programa foi construído com condições adequadas e que “o retorno a um crescimento sustentável e robusto não será possível sem ajustamento”.

 “Restaurar a solidez das finanças públicas e garantir a sustentabilidade orçamental são uma parte essencial do processo de ajustamento e pré-requisitos indispensáveis com vista a levar o programa a bom termo e para o regresso a um financiamento completo junto do mercado. Foram realizados progressos significativos neste domínio, mas ainda há muito a fazer”, diz.

 Sobre o programa da ‘troika’, Mario Draghi lembrou que está em curso a sétima avaliação e que em cada um des-tes processos são feitos ajustes, caso se revelem necessários, e ainda que a avaliação final é feita pelos orgãos de decisão relevantes – a administração do FMI, o Euro-grupo, e no caso da União Europeia, o ECOFIN.

 O responsável só no final da carta abre a porta a medidas que possam “facilitar” o ajustamento e “garantir uma parti-lha justa dos custos”, apesar do ajustamento geral “não possa ser evitado”, e que neste aspecto é mesmo fundamental que o programa continue a ser implementado.