Termina o programa de resgate à Grécia e o Eurogrupo recusa estendê-lo novamente

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Termina o programa de resgate à Grécia e o Eurogrupo recusa estendê-lo novamente

O Eurogrupo rejeitou no sábado estender o actual plano de resgate à Grécia, que termina amanhã, terça-feira. Os ministros das Finanças da Zona Euro estiveram reunidos em Bruxelas, em mais uma reunião extraordinária sobre a Grécia.

 O Eurogrupo foi surpreendido na sexta-feira à noite com o anúncio, pelo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, da realização de um referendo a 5 de Julho, para que o povo grego decida se aceita, ou não, o acordo proposto pelos credores – Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Central Europeu (BCE).

 O pedido da Grécia para estender o programa tinha como objectivo dar tempo de haver uma decisão do povo grego. Fonte do Syriza, que apoia o Governo, já disse que iria defender que a resposta dos eleitores deveria ser ‘não’.

 Além de terminar o programa de resgate, na terça-feira expira ainda o prazo para a Gré-cia reembolsar quase 1,6 bi-liões de euros ao Fundo Monetário Internacional.

 

* BANCOS GREGOS VÃO ESTAR ENCERRADOS

 

 O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, anunciou que solicitou novamente aos seus credores um prolongamento do resgate financeiro, que foi rejeitado pelo Eurogrupo no sábado.

 Numa mensagem transmitida através da televisão, após um Conselho de Ministros de emergência, Tsipras informou que pediu ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, e aos líderes da Zona Euro o prolongamento do resgate por alguns dias.

 O primeiro-ministro declarou igualmente que a Grécia vai introduzir o controlo de capitais e anunciou que os bancos vão estar encerrados hoje, segunda-feira, garantindo que as poupanças, salários e pensões estão a salvo.

Um resumo dos principais acontecimentos de sábado:

– Da Grécia chegam imagens de filas de pessoas à espera para levantar dinheiro nas caixas multibanco.

– O Parlamento grego discutiu a realização do referendo, na presença do primeiro-ministro, Alexis Tsipras. Os dois partidos que governaram a Grécia alternadamente nos últimos 40 anos – os conservadores da Nova Democracia e os socialistas do Pasok – estão contra a realização da consulta popular. Os primeiros consideram que o referendo é inconstitucional e os segundos pedem a demissão de Tsipras e a convocação de eleições antecipadas.

– À entrada do Eurogrupo, a decisão de realizar o referendo foi fortemente criticada pelo ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, que acusou Atenas de ter posto “fim às negociações” de forma unilateral. Apesar do tom optimista do comissário Pierre Moscovici, que ainda acreditava ser possível alcançar um acordo, o ministro finlandês Alexander Stubb já antecipava: “O Plano B pode tornar-se no plano A”.

– Eurogrupo rejeitou estender programa de assistência à Grécia para lá de 30 de Junho

 Com a decisão de convocar um referendo, Tsipras transferiu a decisão da sala do Eurogrupo este sábado em Bruxelas para as urnas em toda a Grécia do próximo domingo.

 Yanis Varoufakis disse pretender que a União Europeia devolva à Grécia 1,9 biliões de euros resultantes dos lucros gerados pelas obrigações de dívida grega detidas pelo BCE. O governante grego garante que este montante seria canalizado para o pagamento agendado ao FMI e reitera a importância dos bancos gregos se manterem abertos durante este "período de transição".

 O ministro das Finanças de Malta defendeu que convocar um referendo é uma "decisão legítima" do Governo grego, mas o "timing" é "lamentável". "Devia ter sido decidido [o referendo] muito antes", afirmou Edward Scicluna, lembrando que esta questão "não estava em cima da mesa. Estávamos todos à espera de encontrar hoje uma solução e o parlamento grego tomar uma posição amanhã. O referendo nunca nos foi mencionado".

  O ministro das Finanças belga, Johan Van Overtveldt, classificou a decisão de convocar o referendo de "bizarra", uma vez que o Governo grego já fez saber que defenderá o voto contra a adopção do plano dos credores. "É contraditório", disse o ministro, afirmando que no Eurogrupo "vamos discutir o conteúdo do programa" e alertando que 30 de Junho, quando acaba o actual "está a chegar muito rápido".

Por isso "temos que tomar decisões". "O governo grego desperdiçou muito tempo e tem de ter isso em mente", alertou.

 O ministro das Finanças alemão também falou aos jornalistas. Foi parco em palavras à chegada ao Eurogrupo, mas bastante corrosivo. De acordo com o Guardain, Shauble dis-se que na situação da Grécia "nunca podemos descartar que surjam mais surpresas". O ministro das Finanças alemão, que há algumas semanas chegou a considerar "boa ideia" ser convocado um referendo sobre a permanência da Grécia no Euro, afirmou este sábado que o Governo grego decidiu não concluir as negociações e que não há base para mais conversações com o Executivo de Alexis Tsipras.

  O ministro das Finanças da Eslováquia, Peter KaÏimír, é dos que mostrou maior desgaste com a crise grega. "Não é a primeira vez que o governo grego apresenta novas propostas durante as discussões. O governo grego foi eleito para tomar decisões e devem fazê-lo. A Grécia é livre de ter um referendo, se o quiser. Mas o governo grego ao rejeitar as propostas que estão em cima da mesa, o programa está terminado". Questionado sobre o que espera ouvir de Yanis Varoufakis, disse que "o mesmo, os sermões".

 O ministro das Finanças da Irlanda começou por lembrar aos jornalistas que esta é a quinta reunião do Eurogrupo em 10 dias sobre a Grécia. Diz estar "decepcionado" com a decisão do Governo grego abandonar as negociações de forma unilateral e adverte que estamos a entrar em território desconhecido, pois não é possível prever o que vai acontecer a seguir.

 Alexander Stubb, ministro das Finanças da Finlândia, revelou acreditar que "a grande maioria do Eurogrupo considera que a extensão do programa [grego] está fora de questão". Para Stubb, "o anúncio do referendo foi uma surpresa desagradável". Neste momento, "o plano B está agora a tornar-se no plano A", diz Stubb que vê esta como "a única questão que está em cima da mesa".

 O político finlandês não adianta se tal plano B implicará a adopção de controlo de capitais, porque "isso é uma decisão do governo grego". "Hoje é um dia potencialmente triste, especialmente para o povo grego", atirou Stubb.

 A decisão do Governo grego em convocar um referendo "complicou as coisas", pois "é muito difícil continuar a negociar nestas circunstâncias", afirmou o ministro das Finan-ças espanhol, reforçando que "tudo se complicou muito mais, ficou mais difícil".

  Frisando que a decisão de convocar um referendo "é le-gítima", o ministro espanhol adiantou que "tem consequências". "Queremos que Grécia continue no euro" e apresentamos um "plano que permita à Grécia regressar ao crescimento. A decisão de convocar o referendo tornou-nos a vida a todos muito mais complicada". Guindos diz que agora é tempo de ouvir Varoufakis , mas teme que o plano B [para a Grécia] se converta no plano A".

 "Em conjunto com as outras instituições (CE e BCE), mostrámos sempre flexibilidade negocial face à situação económica e política da Grécia. Temos um objectivo duplo: restaurar a estabilidade financeira e permitir o crescimento e competitividade da economia grega – com o objectivo de restabelecer a independência económica como fizemos em Portugal e na Irlanda. Reformas estruturais e consolidação orçamental que leve ao crescimento. Trabalhámos sempre segundo estas linhas e continuaremos a fazê-lo", afirmou a directora-geral do FMI, que nunca comentou a decisão do Governo grego convocar um referendo.

 O presidente do Eurogrupo mostrou-se "negativamente surpreendido" pela decisão do governo grego de agendar um referendo sobre um acordo com os credores. "É uma triste decisão para a Grécia porque fechou a porta a novas negociações. Portas que, no meu entendimento, ainda estavam abertas".

 Tal como na sexta-feira à noite, vários cidadãos gregos dirigiram-se às caixas de multibanco para tentar levantar os seus depósitos. Apesar de Panos Kammenos, ministro grego da Defesa e líder dos Gregos Independentes, assegurar que haverá dinheiro nos bancos, as filas juntos aos multibancos estão a aumentar.

 Entretanto, a presidente da Associação de Bancos da Grécia, Louka Katseli, que também tem assento no ban-co central grego, garante que as caixas multibanco estão a ser "reforçadas suavemente".

 A oposição reagiu com duros ataques ao primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, após este ter convocado um refe-rendo para domingo da próxima semana sobre o acordo com os credores. "Tsipras está a conduzir o povo grego a um referendo com a pergunta final, para dizer sim ou não a ficar dentro da Europa e propõe a ruptura com todos os nossos parceiros e a saída do euro", disse Samarás.

 Num discurso marcado por aplausos dos deputados do Syriza, Voutsis garante que o governo grego não aceita a ideia de que há um só caminho, nem que esse caminho seja o da austeridade.

  Para o governante helénico, a Grécia não pode deixar de responder à chantagem dos credores e numa alusão à expressão utilizada por Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, assegurou que não há nenhum "game-over" para o povo grego, nem para o país e nem para o governo Syriza. A concluir a sua intervenção, Voutsis garantiu que o resultado do referendo irá proporcionar, posteriormente, um "acordo honesto".