Tempo da mão-de-obra barata está mesmo a acabar na China

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Tempo da mão-de-obra barata está mesmo a acabar na China

Os custos laborais na China quase duplicaram nos últimos cinco anos, desfazendo a imagem do país como uma fonte inesgotável de mão-de-obra barata, indica um estudo internacional citado a semana passada na imprensa oficial chinesa.

 Em algumas indústrias, os salários mais baixos registaram mesmo uma subida superior a 100 por cento desde 2007, passando de 1.300 yuan (160 euros) para os actuais 3.000 yuan (370 euros), refere o estudo, elaborado pela consultora Ernst & Young.
 O governo chinês impôs um aumento anual de 13 por cento do salário mínimo durante a vigência do 12.º Plano Quinquenal (2011-15) e a segurança social, que entretanto tornou obrigatório, “o que acrescenta mais 35 a 40 por cento aos custos laborais”, salienta o estudo.
 Por outro lado, a mão-de-obra que alimenta as indústrias e serviços das grandes cidades do litoral, e que era originária das zonas rurais, já não é tão abundante como antes.
 O crescimento do número de trabalhadores migrantes está a abrandar desde 2005 e “embora haja ainda 320 milhões de pessoas a trabalhar na agricultura, apenas 20 milhões têm o potencial de migrar para as cidades”, diz o estudo.
 Segundo estimativas oficiais, a China conta com cerca de 230 milhões de trabalhadores migrantes.
 O valor do salário mínimo na China é definido pelos governos locais.
 O mais elevado – 1.500 yuan (185 euros) – é o de Shenzhen, uma zona económica especial adjacente a Hong Kong, no sul do país, enquanto que em Chongqing, o mais populoso município chinês, com cerca de 33 milhões de habitantes, é de apenas 870 yuan (107 euros).
 Em Hanói, a capital do vizinho Vietname, o salário mínimo ronda os dois milhões de dong por mês (75 euros).
De acordo com o plano do governo chinês, em 2015, o salário mínimo deverá equivaler a 40 por cento dos respectivos salários médios, percentagem que em algumas regiões se situa hoje entre 20 e 30 por cento.
 Centenas de milhares de empresas com capitais externos estabeleceram-se na China desde que o país adoptou a política de “Reforma Económica e Abertura ao Exterior”, no final da década de 1970.
 Trinta e dois anos depois, a China tornou-se o maior ex-portador mundial, à frente da Alemanha, e a segunda maior economia, a seguir aos Estados Unidos.
 Mas o investimento externo na China, ainda muito elevado, está a abrandar devido à persistente crise na zona euro e em outras grandes economias ocidentais.
 Pelas contas do Ministério do Comércio chinês, no primeiro semestre deste ano, o investimento externo na China caiu para 59,1 mil milhões de dólares (45,9 mil milhões de euros), menos 3 por cento do que em igual período de 2011