TAP fez 85 voos que permitiram regresso de 12 mil portugueses e residentes no País

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A TAP organizou até agora 85 voos de repatriamento e humanitários para países com o espaço aéreo encerrado a voos comerciais, permitindo o regresso de cerca de 12 mil portugueses e residentes em Portugal, informou o Governo.

  “A TAP, em particular, apesar de ter sido forçada a cancelar inúmeros voos programados de e para países terceiros, envidou todos os esforços para, dentro dos constrangimentos legais e regulamentares, e apesar das numerosas dificulda-des de ordem prática, manter o mais possível as ligações para os países com maior presença de emigrantes portugueses e lusodescendentes”, assegurou o Governo.

  Estas ligações ocorreram “sobretudo para os países de língua oficial portuguesa e para os Estados Unidos da América”, acrescentou o executivo português numa resposta a uma pergunta dos deputados socialistas da comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades.

  No documento, o Governo, através do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, explicou que, além das ligações regulares, “a TAP organizou ainda 85 voos de repatriamento e humanitários para países com o espaço aéreo encerrado a voos comerciais, o que permitiu o regresso a casa a cerca de 12 mil portugueses e residentes em Portugal”.

  Sublinhando as restrições impostas pela pandemia de covid-19, e os impactos tráfego aéreo, “sobretudo de e para países fora da União Europeia e do espaço Schengen”, o Governo lembrou que as empresas têm de acautelar o cumprimento das várias medidas impostas pelos mercados onde operam.

  Neste cenário, companhias aéreas que, tal como a TAP, operam voos de longo curso, foram “as principais afetadas” e viram-se obrigadas a ajustar a sua operação, “nomeadamente através do cancelamento de grande parte dos voos programados”.

  Por outro lado, a procura de passageiros de lazer e negócios continua “extremamente baixa, devido não só a questões de saúde – quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) assinala ritmos de contágio alarmantes na Europa -, mas também pela instabilidade e “multiplicidade das restrições impostas pelos vários países”, subli-nha o documento.

  Quanto às projecções para os próximos meses, o gabinete do ministro adianta que “são bastante pessimistas”, referindo-se às previsões de várias entidades internacionais do setor.

  O Governo referiu que, quanto a voos oriundos de aeroportos da Europa, particularmente de França, Luxemburgo, Suíça ou Alemanha, “a TAP foi compelida a cancelar alguns voos para países europeus por força da assinalável quebra da procura”.

  Em Setembro, a operação da companhia aérea foi reduzida a 33% da que realizou no mesmo mês de 2019 e, em outubro, “a TAP estima concretizar 35% do realizado no mesmo mês do ano anterior e, em novembro, 40%”, apontou o Ministério de Pedro Nuno Santos.

  No entanto, o executivo alertou que a “concre-tização da reposição da operação, nos termos referidos, poderá vir a ser afetada pelas limita-ções que os Estados-membros venham a impor à movimentação das populações e ao seu im-pacto económico-social, nomeadamente sobre a procura”.

  Quanto à política de reparação para os clientes prejudicados com cancelamento ou anulação dos voos, o documento realça que a companhia aérea “observa integralmente as regras previstas” nos regulamentos da União Europeia.

  A companhia aérea adoptou procedimentos automáticos para o processamento de pedidos de reembolso através de ‘voucher’ e organizou uma equipa especializada para o processamento de reembolsos na forma de pagamento dos bilhetes.

  Por isso, antes do final de Agosto, a TAP tinha conseguido processar o reembolso de 844.684 de pedidos, recebidos entre 1 de Março e 31 de Julho de 2020, correspondentes ao valor total de 271,81 milhões de euros (a TAP recebeu neste mesmo período 1.058.461 pedidos de reembolso, correspondentes a 331,31 milhões de euros), adianta o documento.

  A 30 de Setembro, a administração da TAP as-segurou, numa reunião com deputados socialistas da comissão parlamentar, que iria melhorar “rapidamente” o serviço de apoio aos clientes e retomar ligações com a África do Sul.

  No entanto, os deputados saíram do encontro sem respostas concretas às questões colocadas num requerimento de 21 de Julho, reafirmadas em Setembro, a pedir esclarecimentos ao Governo e à TAP sobre a anulação de voos que esta-vam a gerar “muitas queixas” de emigrantes portugueses já com viagens marcadas para passarem as habituais férias de verão em Portugal.

 

* “Primeira fase do plano de reestuturação da companhia está feita”

  – ministro Pedro Nuno Santos

 

 

  O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, disse no parlamento que “a primeira fase” do plano de reestruturação da TAP “está feita” e que as negociações com os sindicatos vão arrancar “desde já”.

  “A primeira fase do plano de reestruturação está feita, o que nos permite iniciar a negociação com os sindicatos. Esse trabalho vai iniciar-se desde já”, disse Pedro Nuno Santos numa audição no parlamento, no âmbito da apreciação na especialidade da proposta de Orçamento do Estado para 2021 (OE2021).

  Em resposta à deputada Isabel Pires do Bloco de Esquerda, o ministro disse que, “neste momento, estão já a ser marcadas reuniões com os sindicatos para discussão da reestruturação” da companhia aérea.

  Pedro Nuno Santos sublinhou que o plano de reestruturação “vai ser exigente” e “muito difícil” porque de outra maneira os portugueses não iriam entender a injeção de dinheiros públicos que está a ser feita.

  “Temos uma companhia aérea que está sobredimensionada para a realidade actual e temos de conseguir um processo restruturação que garanta que a companhia aérea vai ser viável e sustentável”, defendeu Pedro Nuno Santos.

  “Não podemos manter artificialmente uma dimensão que não tem neste momento procura prevista”, acrescentou o ministro.

  Perante os deputados, o ministro reafirmou ainda que a TAP vai necessitar de utilizar a totalidade dos 1.200 milhões de euros do empréstimo do Estado até ao final do ano.

  A15 de outubro, Pedro Nuno Santos anunciou no parlamento que iriam sair 1.600 trabalhadores do grupo TAP até ao final do ano, tendo já saído 1.200 colaboradores.

  O governante, em audição na Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, desmentiu dados apresentados pelo Bloco de Esquerda, que apontou a saída de 1.500 tripulantes da TAP, referindo que isso seria 80% da força laboral e garantindo que os 1.600 trabalhadores que irão sair são de todo o grupo e não apenas da companhia aérea.

  O ministro recordou então que o prazo para apresentar o plano de reestruturação acaba a 10 de Aezembro.

  Antes, O ministro das Infraestruturas e da Habi-tação já tinha afirmado que a TAP está a abandonar encomendas que já estavam feitas e a “negociar a devolução de alguns aviões”.