TAP à espera da privatização anunciada

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TAP à espera da privatização anunciada

O Governo português decidiu relançar a privatização da TAP perto do final de 2014, um processo que será concluído em meados de 2015 e que dividiu o protagonismo na empresa com as perturbações durante o verão e as greves.

  Quase dois anos após ter decidido suspender a venda da companhia aérea e com o calendário apertado com a aproximação do final do mandato, o Executivo decidiu retomar o processo, mas desta vez com um mo-delo que prevê a alienação de um máximo de 66% do capital do grupo TAP, deixando para já o restante capital nas mãos do Estado.

  Logo em janeiro de 2013, um mês depois de ter recusado a venda ao grupo Synergy, detido pelo empresário colombiano Germán Efromovich, na altura o único concorrente à privatização, o Executivo garantia que o processo seria relançado ainda durante esse ano, mas passaram 23 me-ses sem voltar a dar esse passo.

  Os governantes justificaram o adiamento da decisão com a necessidade de aguardar por "suficiente ambiente competitivo", "condições de mercado propícias" e, numa segunda fase, ter a certeza que as manifestações de interesse existentes eram intenções reais de investimento.

  Em março, o presidente da TAP, Fernando Pinto, confirmava que a companhia estava "cada vez mais preparada para a privatização". Antes disso, teve que enfrentar um verão conturbado, marcado por incidentes e um número de cancelamento de voos "fora do normal", em simultâneo com o reforço da operação, como o gestor admitiu no Parlamento.

  Nessa audição, o presidente da companhia disse que 227 dos cancelamentos em julho e agosto foram por falta de tripulação, justificado por um atraso na formação de pilotos, e 120 por razões técnicas (56% dos eventos afectaram a frota da PGA), o que culminou com a contratação de uma auditoria externa para avaliar o ocorrido.

  Com a procura a crescer, o atraso na entrega de seis aviões que a companhia comprou em segunda mão também piorou a situação, tendo obrigado ao fretamento de aeronaves a terceiros para poder minimizar os impactos.

  Foi precisamente no pico do verão que o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) marcou um dia de greve, alegando não ter "outra opção" para evitar outro verão "vergonhoso".

  Em outubro e novembro, os tripulantes do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) paralisaram praticamente a operação (com excepção dos voos da PGA e os serviços mínimos) durante quatro dias para reclamar o respeito pelo Acordo de Empresa e, em dezembro, é a vez dos aviões da Portugália (PGA) ficarem em terra.

  O custo das greves estará reflectido nas contas de 2014, tendo causado um prejuízo próximo dos 30 milhões de euros. Por quantificar estão ainda os custos do verão turbulento e sobretudo do fretamento de aviões.

  As últimas contas da TAP enquanto empresa pública serão da respon-sabilidade de um novo administrador financeiro, a actual diretora-geral de Finanças, Maria Teresa Silva Lopes, que no início de dezembro substituiu o administrador financeiro da TAP, Luís Rodrigues, que renunciou por "motivos de ordem particular".

  Administrador executivo desde 2009, Luís Rodrigues tinha ficado com a responsabilidade financeira do grupo desde meados do ano, com a saída de Michael Connolly, o que quer dizer que num ano a TAP teve três administradores financeiros.

O Governo pretende apresentar o caderno de encargos da privatização do grupo TAP até ao início de janeiro, para depois ser levantado pelos potenciais interessados no grupo português, devendo o processo estar encerrado no primeiro semestre de 2015.

  Numa audição no parlamento, o ministro da Economia, Pires de Lima, defendeu o modelo de abertura a capitais privados, escolhido pelo Gover-no, que permitirá trazer flexibilidade na gestão e capital à transportadora nacional, prometendo que o caderno de encargos ressalvará os interesses nacionais e da companhia.

  Aos "mais que três potenciais interessados na TAP", que no verão o manifestaram, por escrito, o governante recomendou que "dêem corda às suas propostas e apresentem as suas melhores ofertas" no processo, que "está confiante" desta vez se concluirá com sucesso.