Suazilândia quer estatuto de observadora na Comunidade de Países de Língua Portuguesa

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Luis Amado

Luis AmadoO ministro dos Negócios Estrangeiros português, Luís Amado, afirmou que o défice democrático na Suazilândia não deve ser obstáculo para o diálogo e as boas relações bilaterais.

Falando na sexta-feira em Manzini, após um encontro com o seu homólogo suazi, Lutfo Dlamini, Luís Amado defendeu, quanto à ausência de democracia no país, que devem ser levadas em conta a História, a tradição e a identidade próprias de países como o reino da Suazilândia, que agora quer ter estatuto de observador na Comunidade dos Países de Língua Portu-guesa (CPLP).

 “Consideramos que há, apesar de tudo, um processo de convergência na aproximação a certos princípios e valores que consideramos universais, mas nem sempre essa convergência se faz ao ritmo e de acordo com as orientações que nós gostaríamos de ver implementadas, mas é um processo longo em muitos casos e que corresponde a circunstâncias histórias”, defendeu Luís Amado.

 Partidos, sindicatos e organizações de defesa dos direitos humanos da região e de outras partes do mundo denunciam frequentemente violações dos direitos humanos e práticas anti-democráticas da monarquia absolutista de Mswati III, sendo os partidos políticos e sindicatos ilegais na Suazilândia.
 O mais recente candidato a membro observador da CPLP pretende reforçar os laços com Portugal, Moçambique, Angola e, em particular com o Brasil, tendo o ministro Lutfo Dlamini pedido ao homólogo português mais professores de língua portuguesa e o incremento das parcerias comerciais entre Mbabane e Lisboa.

 Luís Amado, que se reuniu na sexta-feira com Dlamini e com o monarca Mswati III, prefere destacar a importância estratégica da Suazilândia e do es-paço geográfico e político em que se insere (a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, (SADC) para a intervenção de Portugal em África e a existência de uma comunidade portuguesa significativa no reino.

 “Esta sociedade tem uma matriz histórica completamente diferente de outras sociedades que são suas vizinhas. Basta ter uma monarquia como referência política tão forte como tem esta sociedade para que o processo político e democrático tenha um ritmo completamente diferente do que tem nos países vizinhos, que têm uma História e uma tradição bem diferentes”, referiu o responsável pela diplomacia portuguesa.
 “Portugal tem estado connosco e perto de nós em África há longo tempo, e nós deseja-mos agora que essa proximidade e apego por África se traduza em desenvolvimento sócio-económico para todas as partes, além de termos matérias-primas atractivas. Podemos desenvolver laços comerciais, industriais e de ne-gócios”, garantiu, por seu turno, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Suazilândia.

 Lutfo Dlamini apontou como exemplo a existência de uma unidade fabril na Suazilândia que produz álcool que é usado na fabricação “das melhões aguardentes portuguesas e dos melhores whiskies da Europa”.

 O governante suazi afirmou que uma das “pontes” que o seu país pretende lançar como membro observador da CPLP é com o Brasil, país com o qual não tem conseguido estreitar relações bilaterais em anos recentes, mas que entende ter muitas áreas de cooperação em aberto, nomeadamente a produção de cana de açúcar e combustíveis sintéticos.