Sporting de Braga derrota Nacional e lidera Primeira Liga com FC Porto e Benfica

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Sporting de Braga

Sporting de BragaSem encanto, mas com conforto. Sem exuberância, mas com estofo. O Sp. Braga é líder do campeonato, igualando F.C. Porto e Benfica, depois de vencer o Nacional num jogo mais complicado do que aquilo que o resultado pode fazer lembrar.

É um líder, por números exagerados, por assim dizer. “Abram alas ao líder”, ouviu-se na instalação sonora do Municipal bracarense, no final do jogo. É bom que se conte com esta organizada equipa minhota.
 O jogo colocava frente a frente os dois treinadores madeirenses da Liga. Um duelo particular que dava um sotaque especial a uma contenda entre equipas de objectivos parecidos, mas não iguais. Se o Sp. Braga começa, cada vez mais, a entrar nas contas de todos para a luta do título, a equipa de Ivo Vieira, pese o mau início, é crónica candidata à Europa, mostrou mais o porquê do epiteto, apesar do desaire.

 O triunfo na última ronda, com o Paços de Ferreira, parece ter soltado os madeiren-ses, que continuam a apostar na dupla Mateus-Rondon para alvejar as balizas contrárias.
  Já Leonardo Jardim apostou em Nuno Gomes e Lima no onze inicial, com Alan e Hélder Barbosa a apoiar pelas alas. Entendia-se a aposta, face à produtividade de Nuno Gomes e ao próprio estilo do avançado, bem mais discreto quando joga desapoiado.

 Contudo, ao jogar com dois avançados, Leonardo Jardim sabia que corria riscos no miolo, onde o Nacional estava em maioria. E os madeirenses não entraram propriamente a ver no que dava. Decididos, ameaçaram por Mateus e Skolnik, colocando o Sp. Braga em sentido. O rival seria duro.
 No entanto, se há algo que esta equipa bracarense herdou da era Domingos Paci-ência foi a matreirice. A equipa de Leonardo Jardim não arrisca demasiado, é sólida defensivamente (só sofreu dois golos na Liga) e tenta ser mortífera no ataque. Pouco depois de Hugo Viana, por duas vezes na mesma jogada, ter ficado perto do golo, Nuno Gomes marcou. À pon-ta-de-lança, aproveitando uma das várias subidas de Baiano.
 Aspecto importante: o Sp. Braga marcava quando o Nacional jogava com menos um jogador. Elizeu lesionou-se num lance com Hélder Barbosa e não voltou a entrar. Ed-gar Costa aguardava uma oportunidade para entrar.

 Chegaria já com o marcador aberto. O golo abalou o Nacional, que só voltou a ser a equipa decidida dos primeiros minutos na segunda parte. Antes disso, poderia ter sofrido outra vez, quando Hugo Viana isolou Nuno Gomes, mas Marcelo defendeu.
 Como se disse, o Nacional só voltou a crescer na segunda parte. E fica a dever a si mesmo um outro resultado nesta visita a Braga. Rondon perdeu dois lances na cara de Quim, um deles flagrante, Mateus atirou ao poste, Skolnik obrigou o guardião minhoto à defesa da noite. O que se viu do outro lado? Muito pouco. Uma desatenção de Marcelo, que largou um centro de Alan, quase permitiu a Lima matar o jogo, mas o brasileiro esteve em noite pouco inspirada.

 Começou a pressentir-se que a liderança poderia não chegar ao Minho esta noite, pois as falhas defensivas colocavam em cheque a missão bracarense. Ainda assim, quase do nada, os arsenalistas mataram o jogo. Duas bolas paradas que acabaram com as dúvidas. Se na primeira Marcelo ainda se opôs ao cabeceamento de Carlão, na segunda nada pôde fazer quando Paulo Vinicius surgiu livre de marcação a cabecear de forma certeira.
 O Sp. Braga é líder e continua a mostrar uma solidez que pode fazer a diferença em provas de longa duração. Não é exuberante, não entusiasma por aí além, mas ganha, ainda que por números exagerados.
 E o campeonato continua mais equilibrado que nunca.