S&P reduz previsão de crescimento de Angola este ano de 8% para 4,5%

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S&P reduz previsão de crescimento de Angola este ano de 8% para 4,5%

A agência de notação financeira Standard & Poor’s reviu em baixa a previsão de crescimento de Angola de 8% para 4,5%, este ano, mantendo a perspectiva estável da avaliação que faz do ‘rating’ do país.

 O abrandamento da produção petrolífera, que aliás foi recentemente reconhecida pelo próprio Governo angolano, justifica a descida na previsão de crescimento da eco-nomia este ano, que passa de 8% pra 4,5%.

 De acordo com o último relatório sobre o país, os analistas de uma das três principais agências de ‘rating’ mundiais anunciam que reviram em baixa a previsão de crescimento da economia para quase me-tade, "baseados predominantemente na produção de pe-tróleo, que foi mais baixa que o previsto".

 De Janeiro a Julho deste ano, as receitas do petróleo renderam menos 3,3 mil milhões de euros do que no mesmo período do ano anterior, passando de 16,7 mil milhões para 13,4 mil milhões de euros, devido a uma redução de cerca de 30 milhões de barris na produção dos pri-meiros sete meses, o que equivale a uma produção média diária de 1,59 milhões de barris.

 No relatório, que mantém a avaliação do país em BB/B, lê-se que "as grandes receitas de petróleo de Angola vão continuar a sustentar uma carga fiscal relativamente baixa e a ajudar a lidar com as fraquezas institucionais, os riscos de sucessão política e a falta de desenvolvimento para além do sector petrolífero".

 Os impactos dos desenvolvimentos no Banco Espírito Santo de Angola vão ter um "impacto limitado na estabilidade macroeconómica" e, no geral, "a perspectiva estável [de avaliação do ‘rating’] revela um equilíbrio entre o forte potencial de crescimento de Angola e o risco de as fraquezas institucionais desequilibrarem a estabilidade macroeconómica".

 No campo macroeconómico, os peritos da S&P notam até que "a despesa pública foi menor que o projectado, e as previsões conservadores so-bre o preço do petróleo foram excedidas".

 Isto originou "um excedente orçamental que foi, em média, de 5% do PIB entre 2010 e 2013", o que demonstra, concluem, a enorme dependência do país das flutuações no setor do petróleo e gás, dado que 75% do total de receitas do Estado resultam do petró-leo.

 Para este ano, a S&P prevê um "pequeno défice orçamental – menor que o orçamentado – porque a menor produção petrolífera será compensada pelo preço do petróleo mais alto que o previsto e por uma redução nos gastos com infra-estruturas".

 Relativamente à evolução da avaliação do ‘rating’ do país, a S&P diz que uma ação positiva na avaliação pode ser desencadeada se houver uma "diversificação económica, um crescimento acima do esperado, uma substancial melhoria na capacidade institucional e na transparência, ou um significativo aumento na flexibilidade monetária e orçamental".

 Por outro lado, o ‘rating’ pode ser revisto em baixa se "a má governação corporativa na banca introduzir uma disrupção importante na estabilidade macroeconómica e nas perspetivas de crescimento", o mesmo acontecendo se "houver um declínio significativo nos preços do petróleo, ou se o Governo não se conseguir ajustar ao choque, ou ainda se houver um abrandamento considerável no investimento estrangeiro".