Sonae Arauco expandiu fábrica em White River num investimento superior a 200 milhões de randes

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Na sexta-feira, 29 de Novem-bro, a Sonae Arauco convidou cerca de 200 pessoas, entre convidados, fornecedores e clientes para estarem presentes na inauguração da nova ala da fábrica em White River, Mpumalanga. Um investimento de 220 milhões de randes, que permitiu à empresa portuguesa sedeada na África do Sul há 22 anos, criar uma nova linha de produtos acabados em madeira ao investir na compra de um sistema de prensa integrada da Alemanha. É a maior fábrica e nova máquina no continente africano e a única que possui várias linhas de produtos.

 Esta nova prensa permite uma compressão de cerca de 56 quilogramas por centímetro quadrado, ao invés dos habituais 36 quilogramas por centímetro quadrado da média industrial.

 A nova expansão, agora também com uma nova área coberta de armazenagem, já está focada para uma futura nova expansão bem como permitiu reduzir os danos materiais com a madeira a molhar-se e reduziu em muito as reclamações dos clientes.

 Segundo a Sonae Arauco, esta nova linha de produção permite também reduzir o tempo de produção e entrega aos clientes.

 O evento, que durou parte da manhã e princípio da tarde, começou pelas 11 horas e terminou cerca das 15 horas. Começou com uma apresentação e intervenções dentro de uma tenda montada nos espaços exteriores da fábrica. A tenda, montada com torres de ar condicionado ajudou a combater as fortes temperaturas exteriores superiores a 35ºC e com 45 % de humidade. Guarnecida com bar e com buffet, os convidados ocuparem os seus lugares e ouviram as intervenções dos responsáveis da Sonae Arauco bem como do MEC do Turismo, Desenvolvimento Económico e Turismo de Mpumalanga, Pat Ngomane e o embaixador de Portugal na África do Sul, Manuel de Carvalho.

 A jovem que conduziu os procedimentos, Busisiwe Khangale deu as boas-vindas a todos e pediu a que Dionne Harber fizesse uma pequena palestra dos procedimentos de segurança no trabalho a seguir durante a visita guiada à parte da fábrica.

 Interveio depois Pat Ngomane. “Bom dia a todos os presentes. Gostaria de começar por confirmar que a Sonae Arauco África do Sul está realmente “a levar a madeira mais além”. Com o investimento adicional em mais de 200 milhões de randes, a empresa deu um sinal claro do seu empenho em levar “a madeira mais além”. Como governo provincial, estamos muito entusiasmados com este novo investimento e com a expansão da fábrica. Isto irá aumentar o contributo ao sector madeireiro. Actualmente, a nossa província é a maior produtora de produtos florestais e madeireiros do país em cerca de 40,5%. Este investimento é muito bem-vindo e proporciona mais oportunidades de trabalho para a nossa população e irá certamente contribuir para o crescimento económico da nossa província. Como resultado disso, menos pessoas irão para a cama de barriga vazia. Para nós, enquanto governo, o número de novos empregos e crescimento não é para ser ignorado. É muito importante. Isto, porque temos uma enorme tarefa em abraçar o triplo desafio de pobreza, desemprego e desigualdade na nossa província e em toda a África do Sul. Agradecemos o contributo de 20,5 milhões de randes pela Sonae Arauco em termos de investimento social na Educação e no Ambiente, como projectos de sustentabilidade em Mpumalanga nos últimos dez anos. Quero enfatizar a sustentabilidade ambiental, porque o investimento empresarial não é nada sem a sustentabilidade ambiental.

 Desejo-vos todas as felicidades futuras nas vossas operações fabris e urjo-vos a investir ainda mais na nossa província, com a vossa prosperidade futura que será certa.

 A Fé e a Esperança trabalham de mãos dadas, no entanto, enquanto a Esperança foca-se no Futuro, a Fé foca-se no presente.

 O vosso investimento na moderna prensa de melamina, é a melhor da sua espécie em toda a África, mostram a vossa Fé na nossa província tornando-se num centro económico de crescimento e mais-valias.

 Isto dá-nos a esperança de que convosco, como parceiros estratégicos, o Futuro das nossas crianças é risonho. Muito obrigado”, concluiu o MEC Ngomane.

 Seguidamente, interveio o CEO da Sonae Arauco, Rui Correia. “Muito bom dia, estou muito satisfeito em estar aqui presente convosco, estou também muito feliz em ter o MEC do Turismo e Economia de Mpumalanga, o embaixador de Portugal e os nossos muito prezados clientes e fornecedores, banqueiros e equipas.

 Temos equipas da fábrica, das delegações comerciais, dos escritórios em Woodmead. Agradeço-vos a todos estarem presentes.

 Como a maior parte de vós sabe, a Sonae Arauco é uma parceria conjunta de 50-50% entre a Sonae Indústria em Portugal e Arauco, que é uma empresa chilena. Esta parceria, foi criada há três anos e meio, mas a nossa história na África do Sul vem de há muito tempo.

 A Sonae Arauco South Africa foi iniciada há 22 anos, em Fevereiro de 1998, com a denominação Tafribra South Africa, com um investimento numa fábrica no Mpumalanga. Mais tarde, depois de comprar duas fábricas no ano 2000 à Sappi, esta fábrica em White River e uma fábrica em George, mudámos a denominação da empresa para Sonae Novaboard.

 Nós, Soane, continuámos a investir. Mesmo depois da aquisição destas duas fábricas, fizémos sérios investimentos.

 Este novo investimento, que agora inauguramos, é uma nova demonstração do empenho da Sonae Arauco para com a fábrica de White River, para com Mpumalanga e para com a África do Sul. Um empenho e um investimento que excede os 200 milhões de randes, que aliás, foi totalmente financiado pela empresa e pelos seus associados e parceiros, porque não recebemos qualquer tipo de incentivo ou subsídio em termos fiscais, por isso é um empenho total por parte da nossa empresa.

 O que provavelmente não sabem, todo o dinheiro gerado neste país, foi investido aqui e nunca repatriámos dividendos, nem um rand ao longo de 22 anos.

 A nossa visão é prover soluções a partir de produtos de madeira para uma vida melhor e um planeta melhor. E queremos manter-nos sob esse lema.

 Respeitamos as mais estritas legislações ambientais, mas vamos mais além delas, apesar de incorrermos em mais custos, não cobramos aos clientes mais por isso.

 Almejamos ser a empresa de escolha dos nossos clientes, fornecedores e empregados ao desenvolvermos soluções decorativas atraentes, que melhoram as vidas das pessoas.

 Este investimento que hoje inauguramos, é chave para a nossa estratégia em África e na África do Sul. Irá diferenciar-nos por certo.

 Ao mesmo tempo que isto acontece, estamos também a trabalhar noutras iniciativas que a seu tempo irão ser reveladas no novo ano de 2020. Em Portugal temos um ditado, “uma imagem vale mais do que mil palavras”. Por isso, irão ver por vocês mesmos o nosso investimento e traba-lho.

 Agradeço a todos os elementos da Sonae Arauco que trabalham para este investimento e implementaram o projecto”, concluiu Rui Correia.

 Por fim, teve lugar a intervenção de Robin Kuriakose, que explicou as novas linhas de produtos acabados de decoração, até à data só à disposição no mercado europeu, a nova linha decorativa “Innovus”.

 Findas as intervenções, as cerca de 200 pessoas foram encaminhadas para o exterior da tenda para junto da fita de inauguração e em conjunto com o MEC Pat Ngomane, Rui Correia e o embaixador de Portugal, procederam ao corte oficial da fita que dava acesso à nova área da fábrica.

 Todos os convidados presentes e membros da direcção tiraram depois uma gigantesca “fotografia de família”.

 Os convidados foram depois divididos em vários grupos para procederem à visita guiada da nova zona e verem a demonstração da prensa.

 À margem do evento, o CEO da Sonae Arauco, Rui Correia falou ao Século de Joanes-burgo.

 MG – Este passo, o que é que significa para o grupo Sonae e para si enquanto CEO?

 RC – Repare, isto é muito importante porque nos vai permitir crescer num segmento do mercado que é estratégico para nós. Que são os produtos decorativos.

 Portanto, esta colecção de produtos decorativos que são utilizados na indústria de mobiliário seja de casa, cozinha, escritório. Porque, as placas cruas não vendidas assim, são revestidas. Portanto, se formos nós a revestir, conseguimos ter uma relação com o cliente muito mais forte, daí a nossa estratégia de crescer no negócio de placas decorativas. Isto duplica-nos a capacidade.

 MG – O mercado é o sul-africano só ou há também uma aposta nos países vizinhos?

 RC – O grande mercado em África é sul-africano. Mas, também obviamente – e temos aqui clientes – exportamos para os países vizinhos e alguns um pouco mais distantes, Tanzânia, Quénia. Mas este mercado é muito maior que os outros.

 MG – Falou num ponto importante, o facto de em 22 anos a Sonae nunca ter repatriado um rand. E o investimento é muito avultado. É um passo para comprar mais fábricas e futura expansão?

 RC – Repare, nós já tivémos três fábricas e agora estamos reduzidos a uma. Porque esta fábrica ganhou dimensão e cresceu, portanto é um “site” integrado que tem dois produtos base: um é o aglomerado de partículas de madeira e outro é um painel de fibras a que chamamos o MDFB. Este é o único “site” em África, integrado, destes dois produtos com revestimento.

 Na Europa, é normal haver “sites” com muitas linhas de produção, aqui não. Portanto, nós o que decidimos fazer foi um “site” integrado e agora vamos ver que possibilidades de crescimento é que isto nos dá, vai depender muito da economia. Depende muito de como é que cresce a economia sul-africana e dos países limítrofes.

 Este investimento vem depois do anterior que foi feito há 11 anos. Portanto, estamos a falar numa escala de tempo de décadas. Não vai haver um investimento a correr.

 Se calhar daqui a 10 anos pode fazer sentido haver outro investimento, porque são investimentos muito, muito significativos e são saltos grandes.

 Repare, nós duplicámos a capacidade neste produto, primeiro que esta linha esteja cheia vai demorar. Daí trazermos cá os clientes todos, sul-africanos. E recuperar o investimento, gerar cash-flow para recuperar o investimento.

 Estamos a crescer agora aqui, se calhar para o ano ou noutro vamos investir noutra geografia, na Europa. Mas isto é um salto muito grande face ao que nós tínhamos. Estamos muito confiantes. Vai-nos permitir continuar a crescer e com uma tecnologia de ponta.

 Se esta fábrica fosse contruída na Alemanha, era construída da mesma forma, portanto nós não investimos na África do Sul com um standard inferior do que temos noutra região. É o mesmo.

 MG – É um sinal de confian-ça, este investimento, não só à Comunidade portuguesa, mas também ao país em geral?

 RC – É um compromisso com o país, com a região, compromisso com África. Sabemos que há desafios grandes, agora é preciso ter consciência que este país é um país multicultural em que o seu sucesso depende muito das diferentes culturas conseguirem trabalhar em conjunto. E é preciso ter esse foco, não podemos estar fechados ao Passado, não. Temos que tentar integrar outras culturas e criar riqueza, distribui-la porque assim é que o mercado vai crescer e permitir um crescimento maior dos negócios.

 Hoje a África do Sul é um país muito desigual ainda em termos de quem tem muito e tem muito pouco.

 A tarde foi concluída com troca de impressões entre todos, da visita guiada, em convívio dentro da tenda.