Solenidades da Semana Santa vividas com sentimento religioso pela Comunidade portuguesa de Pretória

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Solenidades da Semana Santa

Solenidades da Semana SantaNas celebrações religiosas de Sexta-feira Santa, onde a comunidade lusa marca sempre presença em grande número, um dos actos de maior significado, incluído no programa para esse dia, na igreja de Santa Maria dos Portugueses, em Pretoria West, é a Via Sacra, que nos ajuda a viver mais profundamente a Paixão do Senhor, e pelo seu sofrimento a caminho do calvário, e resignação com que ali foi crucificado e aceitou a morte para remissão dos pecados e salvação do mundo, nos faz participar passo a passo, com muito fervor, no mistério de dor e compaixão, e nos ensina a aceitar e a dar sentido aos nossos sofrimentos e o amor que devemos ter pelo próximo.

  Na que juntamente com grande número de fiéis assistimos ao fim da tarde e cair da noite da penúltima sexta-feira, 22 de Abril, onde pela segunda vez na paróquia Frei Gilberto Teixeira teve para esta cerimónia a participação activa dos jovens que na sua igreja frequentam a catequese, iniciativa digna dos maiores elogios, já que de ten-ra idade é incutida na juventude o significado de tão importante acto religioso, tanto no transporte da cruz, como leituras em cada uma das quinze estações devidamente assinaladas em volta do espaçoso salão paroquial, a que como já no ano transacto aconteceu, para assim evitar que o ameaçar de chuva impedisse a realização da procissão em volta da igreja, como anteriormente vinha sendo hábito, em cada paragem dando conta do sofrimento a que Jesus se sujeitara, assim descritos:

  Na primeira estacão, Jesus é condenado à morte, em que Pilates, juiz, lava as mãos, e por medo deixa a decisão ao critério da multidão que antes o aclamava e ali gritava “crucifica-o”;
  Na segunda, Jesus transporta às costas a áspera e pesada trave, que não obstante lhe reabrirem as feridas, invoca conformado: “Pai glorifica o Teu nome”;
  Na terceira, Jesus cai pela primeira vez a caminho do su-plício;
  Na quarta, numa das cenas mais comoventes, Jesus encontra sua mãe;

  Na quinta, Simão Cireneu é obrigado pelos soldados a ajudar Jesus, no grave peso da cruz, e a levá-la por um certo percurso;
  Na sexta, Verónica indiferente à crueldade dos soldados, aproxima-se de Jesus, alivia-lhe o sofrimento, enxugando-lhe o rosto ensanguentado, empastado com suor e pó;
  Na sétima, Jesus mesmo tendo encontrado sua mãe, recebido a ajuda de Cireneu e o gesto delicado de Verónica, não aguenta os terríveis sofrimentos e volta a cair, torna-se pó no pó, e como diz o salmo “Eu sou um verme, não sou um homem”;
  Na oitava, um grupo de mulheres aproxima-se de Jesus, participa vivamente do seu sofrimento físico e das suas dores morais, choram ao vê-lo naquelas condições. Je-sus, porém, convida-as a preocuparem-se antes com seus filhos e também com aqueles que o reduziram àquele estado, e a chorarem por elas mesmas;

  Na nona, Jesus cai pela terceira vez, ao encontrar-se no extremo das suas forças. As subidas percorridas, o sangue derramado, o peso da cruz, mas sobretudo a angústia pelo que estava a acontecer, tiram-lhe as forças, e cai por terra;
  Na décima, ao chegar ao calvário Jesus é espojado das suas vestes, e a humilhação era ainda maior ao ver-se nu diante daquela gente que o escarnecia;

  Na décima primeira, Jesus é pregado na cruz. Pregos compridos trespassam-lhe as mãos e os pés. Os ossos foram-lhe quebrados, os nervos dilacerados. Dores horríveis estremeciam-lhe o corpo;
  Na décima segunda, Jesus morre na cruz. Antes porém, dirige-se ao pai com estas palavras: “Tudo está consumado, nas Tuas mãos entrego o meu espírito, oferece aos homens o seu perdão e quem lhe resta de mais querido, a sua Mãe”;
  Na décima terceira, o corpo martirizado de Jesus é tirado da cruz, Maria acolhe-o nos seus braços. Só uma mãe pode intuir o que Maria viveu naquele momento;

  Na décima quarta estação Jesus é colocado no sepulcro. Os amigos, com Maria e as mulheres piedosas limpam-lhe as feridas e ungem-no em último acto de amor.
  A décima quinta e última estação foi dedicada à ressurreição do Senhor.  
  Segundo o que desde longa data temos presenciado, esta celebração de Sexta-Feira Santa, é vivida na igreja de Santa Maria, em Pretoria West, com muito fervor pela comunidade lusa, de modo especial e sem desprimor pelas restantes, pelos compatriotas oriundos da Ilha da Ma-deira, ao ponto da maior parte dos seus comerciantes fecharem os seus estabelecimentos neste dia, e em vez de optarem pelo comodismo de ficar em repouso nas suas casas, vêm à igreja, e movidos pelos seus dons de fé acompanhar a par e passo estas cerimónias, prova evidente do respeito que lhe merece a Paixão do Senhor, que de maneira muito fiel aprenderam a respeitar desde criança, e procuram transmitir às novas gerações.

  Por outro lado não podemos deixar de referir novamente este ano, o importante contributo dos jovens que nesta mesma igreja frequentam a catequese, e suas catequistas que os prepararam para estas cerimónias da Via Sacra, na verdade e pelo seu significado dignas de continuidade, já que terão caído fundo nos que a elas assistiram, e atribuir a Frei Gilberto Teixeira parte do sucesso que esta igreja tem conhecido, um Franciscano que agora apoiado pelo seu colega Manuel Nhaquila, tem sabido com dinamismo e inteligência orientar esta paróquia, conseguindo com a sua prudência, maneira de saber lidar com as pessoas, e bem apoiado pelo Conselho Paroquial, Irmandade do Santíssimo Sacramento, Apostolado da Oração, Liga da Mulher Católica, Grupo de Jovens “PIE”, e outros pertencentes à esta igreja, as ajudas de que necessita para fazer face aos pesados encargos de uma paróquia de grande património, como é esta de Santa Maria, onde além de outras tem a seu cargo a dispendiosa manutenção do Centro de Dia S. Francisco de Assis, para idosos da comunidade, na capital sul-africana, que só os que directamente a ele estão ligados saberão o  quanto monetariamente é preciso para o manter em actividade.

  Poucos se apercebem, entre os paroquianos e a própria comunidade, do quanto diário, semanal ou mensalmente é preciso para superar na totalidade as despesas certas na paróquia, tantas sendo que mesmo com as receitas conseguidas da generosidade da comunidade nos eventos que ali se vão realizando, é preciso uma grande capacidade de orientação em administração para poder superá-las, daí e juntamente com a intensa actividade e outros vários factores, muitos deles do nosso desconhecimento, a que por certo periodicamente será confrontado, criarem certamente muitas noites de insónias ao comendador Frei Gilberto Teixeira, que só a sua paciência, persistência, confiança e pensar positivo ajudam a resolver.