Solenidades da Semana Santa vividas com muita fé pela comunidade paroquial de Pretória

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Solenidades da Semana Santa vividas com muita fé pela comunidade paroquial de Pretória

Nas celebrações religiosas de sexta-feira Santa, onde geralmente a comunidade lusa marca sempre presença em grande número, um dos actos de maior significado, incluído no programa para esse dia, na igreja de Santa Maria dos Portugueses, em Luttig Street, de Pretoria West, é a Via Sacra, que nos ajuda a viver mais profundamente a Paixão do Senhor, pelo seu sofrimento a caminho do calvário, e resignação com que ali foi crucificado e aceitou a morte para remissão dos pecados e salvação do mundo, nos faz participar passo a passo, com muito fervor, no mistério de dor e compaixão, que nos ensina a aceitar e a dar sentido aos nossos sofrimentos, e o amor que devemos ter pelo nosso semelhante. 

 Na que juntamente com grande número de fiéis assistimos ao fim da tarde e cair da noite da penúltima sexta-feira, pelo terceiro ano consecutivo nestes moldes, com a participa-ção activa dos jovens que nesta igreja frequentam a catequese, iniciativa digna dos maiores elogios, já que de tenra idade é incutido na juventude o significado de tão importante acto religioso, sendo em cada uma das catorze estações, devidamente assinaladas em volta do espaçoso salão de festas da paróquia, dando conta do sofrimento a que Jesus se sujeitara, com Fábio Ascensão a desempenhar o papel de Jesus, Kátia de Castro o de Maria, Vanessa Jardim o de Verónica, Fátima Lopes o de Maria Madalena, Gabriel da Silva o de Semião, Jean-Claude e Tiago dos Santos o dos dois ladrões, as leituras feitas por Frei Gilberto Teixeira, seguidas em meditação por Fernanda Laranjeiro, assim descritas:
 Na primeira estação, Jesus é condenado à morte, em que Pilatos, juiz, lava as mãos, e por medo deixa a decisão ao critério da multidão que antes o aclamava e depois ali gritava “crucifica-o”;

 Na II, Jesus transporta às costas a áspera trave, que não obstante lhe reabrirem as feridas, invoca conformado: “Pai glorifica o Teu nome”;
 Na III, Jesus cai pela primeira vez a caminho do suplício.
 Na IV, uma das cenas mais comoventes, Jesus encontra sua mãe;
 Na V, Simão Cireneu é obrigado pelos soldados a ajudar Jesus no transporte da cruz, e a levá-la por um certo percurso;
 Na VI, Verónica indiferente à crueldade dos soldados, aproxima-se de Jesus, e alivia-lhe o sofrimento, enxugando-lhe o rosto ensanguentado e empastado de suor e pó;   
 Na VII, Jesus mesmo tendo encontrado sua mãe, recebido a ajuda de Cireneu e o gesto delicado de Verónica, não aguenta os terríveis sofrimentos, volta a cair, torna-se pó no pó, dizendo como refere o salmo, “Eu sou um verme, não sou um homem”;
 Na VIII, um grupo de mulheres aproxima-se de Jesus, e chocadas com o seu sofrimento físico e as suas dores morais, choram ao vê-lo naquelas condições. Jesus, porém, convida-as a preocuparem-se antes com seus filhos, e com aqueles que o conduziram àquele estado, e a chorarem por elas mesmas;

 Na IX, Jesus cai pela terceira vez, ao encontrar-se no ex-tremo das suas forças. As subidas percorridas, o sangue derramado, o peso da cruz, e sobretudo a angústia pelo que estava a acontecer, tiram-lhe as forças e cai por terra;
 Na X, ao chegar ao calvário, Jesus é espojado das suas vestes, e a humilhação era ainda maior ao ver-se nu diante daquela gente que o escarnecia;
 Na XI, Jesus é pregado na Cruz. Pregos compridos trespassam-lhe as mãos e os pés. Os ossos foram-lhe quebrados, os nervos dilacerados. Dores horríveis faziam-lhe estremecer o seu corpo.
 Na XII, Jesus morre na cruz. Antes porém, dirige-se ao pai com estas palavras: “Tudo es-tá realizado, nas Tuas mãos entrego o meu espírito, oferece aos homens o seu perdão e quem lhe resta de mais querido, a sua Mãe”;
 Na XIII, o corpo martirizado de Jesus é tirado da cruz, Maria acolhe-o nos seus braços. Só uma mãe pode intuir o que Maria viveu naquele momento;
 Na XIV, Jesus é colocado no sepulcro. Os amigos, com Maria e as mulheres piedosas limpam-lhe as feridas e ungem-no em último acto de amor.
 A XV e última estação foi dedicada à ressurreição do Senhor. 
 Segundo o que desde longa data temos presenciado, esta celebração da Sexta-Feira Santa, é vivida na igreja de Santa Maria dos Portugueses, em Pretoria West, com muito fervor religioso pela comunidade lusa, de modo especial e sem desprimor pelas restantes, pelos compatriotas oriundos da Ilha da Madeira, ao ponto da maior parte dos seus comerciantes fecharem os seus estabelecimentos co-merciais nesse dia, e em vez de optarem pelo comodismo de ficarem a descansar em suas casas, vêm à igreja, e movidos pelos seus dons de fé acompanhar estas cerimónias, prova evidente do res-peito que lhes merece a Paixão do Senhor, que de maneira muito fiel aprenderam a respeitar desde criança, e procuram transmitir às novas gerações.
 Por outro lado, não podemos deixar de referir o importante contributo dos jovens que nesta mesma igreja frequentam a catequese, e catequistas que os preparam para estas cerimónias da Via Sacra, na verdade e pelo seu significado dignas de continui-dade, já que caiem fundo e até comovem os que a elas assistem, dando a impressão de que estão acompanhando ao vivo o que há milhares de anos se passou com o sofrimento de Jesus a caminho do calvário, e atribuir a Frei Gilberto Teixeira parte do sucesso que esta igreja tem conhecido, um Franciscano que tem sabido com dinamismo e in-teligência orientar esta paróquia de Santa Maria, conseguindo com a sua prudência, maneira de saber lidar com os paroquianos, e bem apoiado pelo seu colega Manuel Nhaquila, pelo Conselho Paroquial, “Grupo de Jovens Pie”, Apostolado da Oração, Irmandade do Santíssimo Sacramento, Liga da Mulher Católica e restantes grupos pertencentes a esta igreja, algumas ajudas para ir fazendo face aos pesados encargos de uma paróquia de grande património, como é esta de Pretoria West, onde além de outras tem a seu cargo a Creche Imaculada Conceição para crianças de qualquer nacionalidade, e a dispendiosa manutenção do Centro-Dia S. Francisco de Assis para idosos da comunidade, na capital sul-africana, que só os que directamente a ele estão ligados sabem quanto monetariamente é preciso para o ir mantendo em actividade.
 Poucos se apercebem, entre os paroquianos e da própria comunidade, do quanto diário, semanal ou mensal, é preciso para superar a totalidade as despesas certas na paróquia, onde para além das referidas e outras que desconhecemos, ainda há a acrescentar alguns alimentos de primeira necessidade aos famintos que em último recurso recorrem a esta igreja de Santa Maria, isto além de outras esmolas, tantas sendo que no seu conjunto, que mesmo com as receitas conseguidas da generosidade da comunidade nos eventos que ali se vão realizando, é preciso uma grande capacidade de orientação em administração para as poder superar, daí e juntamente com a intensa actividade, e outros problemas do nosso desconhecimento, com que periodicamente será confrontado, criarem certamente algumas noites de insónias ao comendador Frei Gilberto Teixeira, que só a sua paciência, persistência, confiança e pensar positivo, nunca abdicando do verdadeiro sentido do significado esperança, vão ajudando a resolver.