Sócrates responde no Ministério Público a acusações de corrupção

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Sócrates responde no Ministério Público a acusações de corrupção

O antigo primeiro-ministro José Sócrates, arguido no inquérito "Operação Marquês", vai ser interrogado hoje, segunda-feira, à tarde no Departamento Central de Investigação e Acção Penal, confirmou à agência Lusa fonte ligada ao processo.

 A informação de que Sócrates vai ser interrogado novamente, na segunda-feira, no âmbito da "Operação Marquês" foi avançada pela SIC, depois de o jornal Expresso noticiar que o Ministério Público (MP) conta ainda interrogar o ex-primeiro-ministro uma terceira e última vez para o confrontar com novos elementos do processo e antes de deduzir acusação contra ele por corrupção e outros crimes no prazo anunciado pela Procuradoria-Geral da República (17 de março).

 Contactado pela agência Lusa, João Araújo, advogado de José Sócrates juntamente com Pedro Delille, precisou que a defesa foi notificada pelo MP para comparecer no interrogatório de segunda-feira no DCIAP, tendo o MP pedido aos advogados que notificassem o próprio ex-primeiro-ministro da diligência marcada.

 O antigo líder do PS está indiciado pelos crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais, numa investigação que conta, até ao momento, com 25 arguidos – 19 pessoas e seis empresas, quatro das quais do Grupo Lena – estando a decisão do Ministério Público de acusar ou arquivar o processo marcada para a próxima sexta-feira.

 Entre os arguidos estão o ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos e antigo ministro socialista Armando Vara, Carlos Santos Silva, empresário e amigo do ex-primeiro-ministro, Joaquim Barroca, empresário do grupo Lena, João Perna, antigo motorista do ex-líder do PS, Paulo Lalanda de Castro, do grupo Octapharma, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava, ex-administradores da PT, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e os empresários Diogo Gaspar Ferreira e Rui Mão de Ferro e o empresário Hélder Bataglia.

 O Ministério Público alega que José Sócrates foi corrompido a troco de 23 milhões de euros em três situações: dois milhões por causa do resort de Vale do Lobo; 17,5 milhões do GES e da PT e o restante a propósito do Grupo Lena.

 José Sócrates, que esteve preso preventivamente mais de nove meses, está indiciado por fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção passiva para acto ilícito.