Sócrates defende redução da TSU “quando houver margem orçamental”

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SócratesO primeiro-ministro, José Sócrates, defendeu a redução da taxa social única (TSU) “apenas quando houver margem orçamental”, enquanto Francisco Louçã exigiu a “re-negociação dos juros” do empréstimo concedido a Portugal, após o debate televisivo entre ambos.

 “Não concordo com a proposta do PSD de reduzir a taxa social única de forma tão acentuada e imediata em quatro pontos percentuais, porque para isso é preciso aumentar impostos. Só devemos baixá-la quando houver margem orçamental para isso”, observou o primeiro-ministro demissionário e líder do PS.

 Sócrates considerou que o PSD “precipitou-se ao apresentar a proposta” de reduzir a taxa social única, assinalando que só agora percebeu “onde se vai buscar o dinheiro” que se deixaria de cobrar: “Depois de algumas respostas muito embrulhas, hoje o PSD veio dizer a verdade. Pretende acabar com a taxa intermédia do IVA”.

 “Não estou nada de acordo (com a extinção da taxa intermédia do IVA) porque irá afetar a competitividade da restauração e da indústria hoteleira”, sustentou o secretário-geral do PS, adiantando que acordou com as instâncias internacionais (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia) “fazer primeiro um estudo sobre a diminuição da taxa social única e só depois apresentar propostas”.

 Considerando o debate com Louçã “muito esclarecedor”, José Sócrates lamentou os “comportamentos táticos” dos outros partidos, advertindo que “numa altura em que o país precisa de um Governo forte o pior que podia acontecer era os partidos fazerem uma guerrilha” ao futuro executivo.
 Minutos antes, o líder do Bloco de Esquerda tinha voltado a rejeitar um acordo de governação com Sócrates, por considerar que o primeiro-ministro “se comprometeu com o mesmo programa do PSD e o CDS-PP”.

 “Não faço nenhum entendimento com um partido que faz o programa do PSD e do CDS-PP. Haverá entendimento com quem defende o emprego e esse não é o PS“, assegurou Louçã.

Louçã defendeu a “renegociação dos juros” do empréstimo de 78 mil milhões de euros que vai ser concedido a Portugal: “A Grécia já renegociou. Pois claro, não pode pagar”, assinalou.