Sócrates: Candidatura portuguesa ao Conselho de Segurança DA ONU é de diálogo e não de imposição

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primeiro ministro O primeiro ministro do governo de Portugal afirmou sábado que a candidatura portuguesa ao Conselho de Segurança das Nações Unidas baseia-se em valores de política externa de diálogo e não de imposição e numa visão universalista do mundo.

 José Sócrates falava perante a 65.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, num discurso em que de-fendeu os méritos da candidatura portuguesa ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, que tem a concorrência da Ale-manha e do Canadá.
 “O comportamento de Portugal nas Nações Unidas é determinado pela capacidade que temos em dialogar com todos os Estados Membros, em estabelecer pontes, em contribuir para consensos. Procuramos sempre defender os valo-res em que acreditamos através do diálogo e não através da imposição”, dis-se, antes de deixar uma crítica a países com uma lógica “conjuntural” na sua diplomacia.
 “A nossa atitude não é, portanto, ditada pela ne-cessidade conjuntural de agradar a este ou àquele grupo, mas pelos valores em que acreditamos. É esta visão universalista, de diálogo e abertura ao mundo que marca a participa-ção de Portugal nos órgãos das Nações Unidas e inspira a nossa candidatura a membro não permanente do Conselho de Segurança”, afirmou.

 Na parte inicial da sua intervenção, o primeiro ministro estabeleceu uma ligação directa entre os valores do direito internaci-onal e o comportamento de Portugal ao nível da sua política externa, acentuando o princípio de igualdade entre todos os Estados e o caráter “indispensável” das Nações Unidas para a paz mundial.
 “Verdadeiramente aqui todos os Estados Membros estão representados, cada Estado tem um voto, independentemente da sua dimensão, população ou ca-pacidade económica. Aqui somos todos membros permanentes”, frisou.
 Neste contexto, o primeiro ministro fez uma alusão ao papel desempenhado por Portugal em missões de paz, referindo que muitas vezes o faz “para além do que a nossa dimensão exigiria”. José Sócrates lembrou que Portugal tem contribuído para as operações de paz das Nações Unidas na Europa, na Ásia, na Oceânia ou em África, nas quais têm participado dezenas de milhares de portugueses. “Estamos presentes em lugares tão di-versos como o Afeganistão, o sul do Líbano, Timor-Leste, os Balcãs Ociden-tais, o Chade ou a República Democrática do Con-go”, apontou a título de exemplo.
 Após saudar o regresso às negociações no processo de paz no Médio Oriente e o empenhamento de Portugal na “transição” política no Afeganistão, Sócrates fez a defesa do “multilateralismo efectivo” e preconizou uma reforma das Nações Unidas, na qual o Brasil e a Índia deverão ter a prazo um lugar no Conselho Permanente da ONU.

 “Portugal é um país que aprendeu a escutar os seus pares, somos membros da União Europeia, da Aliança Atlântica, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que partilham a quinta língua mais falada do mundo, se encontram espalhados por todos os continentes”, disse.
 O primeiro ministro aproveitou para elogiar dois ex-secretários gerais do PS, António Guterres e Jorge Sampaio. Sócrates considerou que António Guterres, enquanto alto comissário para os Refugiados “tem feito um esforço notável” e é “um dos mais distintos políticos portugueses desta geração”. Já em relação a Jorge Sampaio, disse que a sua ação “honra” Portugal ao dirigir “superiormente” a Aliança das Civilizações.