Socialista Jorge Sampaio reconhece que não há alternativa ao capitalismo

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Socialista Jorge Sampaio reconhece que não há alternativa ao capitalismo

Jorge Sampaio afirmou que os resultados do último Conselho Europeu não o “entusiasmaram” e disse estar “muito preocupado” com a situação europeia, reconhecendo que “não há alternativa” ao capitalismo, mas que a “transição” tem que ser feita com “razoabilidade”.

 À margem da conferência na noite de quinta-feira sobre “O que é a América hoje”, no Porto, o ex-presidente da Re-pública, questionado sobre como decorreu o último Conselho Europeu, afirmou que não ficou “muito entusiasmado” com o que leu.
 “Acho, sinceramente, que temos que sair disto com uma força renovada que se adapte àquilo que o mundo hoje é. Isso significa um reforço institucional”, disse.
 Sampaio afirmou, ainda sobre o último Conselho Europeu, que o facto de princípios “fundadores” da União Europeia, como a “solidariedade” e a “igualdade dos Estados”, estarem em “perigo” é “preocupante”.

 O embaixador dos Estados Unidos em Portugal, Allan Katz, também orador convidado na referida conferência, e também à margem desta, deu conta da “preocupação” com que encara a crise europeia.
 Segundo Kratz, “há necessidade de uma resposta dramática da União Europeia na assistência a países que estão a fazer tudo o que é possível fazerem” no qual incluiu Portugal.
 O representante da administração de Obama em Portugal mostrou-se preocupado com o facto de Portugal se poder “tornar uma vítima” da “inviabilidade” do que está a acontecer com outros países europeus.

 Para Kratz, a Europa e os Estados Unidos “têm que reconhecer que estão dependentes do sucesso um do outro” e que se ambos “não trabalharem em conjunto os tempos podem ser difíceis”.
 Já durante a conferência, Jorge Sampaio reafirmou estar “muito preocupado” com a situação financeira da Europa, reconhecendo que “há falta de esperança”.
 Segundo Sampaio, “o capitalismo não tem alternativa depois do falhanço do socialismo soviético e de coisas parecidas” e, definiu, “o grande problema que se coloca é não haver um outro sistema “home made””.

 Mas, alertou, “tem que haver uma transição com o mínimo de razoabilidade” porque, disse, “as pessoas não podem de repente ficar sem sistema”.
 Jorge Sampaio apontou como “grave” o facto de as “pessoas que decidem” olharem para “todos” como “números” o que, afirmou, “faz desaparecer a classe média americana e que faz com que as desigualdades se alarguem”.

 Aliás, tanto Jorge Sampaio como Allan Kratz realçaram a importância de “reduzir as desigualdades” como prioridade.
 “Para mim sucesso é eliminar as desigualdades económicas no mundo”, explicou Kratz.
 O caminho para isto é, segundo Sampaio, “através de uma visão multilateral” para o mundo.

 Ambos concordaram ainda na necessidade de “diálogo” e trabalho “em conjunto” dos dois lados do Atlântico, reconhecendo ainda a existência de “economias emergentes” que não podem ser “postas de lado”.
 “Temos que reconhecer que temos que encontrar um caminho para trabalhar em conjunto com esses países”, disse Kratz.