Sistema bancário português fechou 2011 com rácios de capital confortavelmente acima de 9%

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Sistema bancário português fechou 2011 com rácios de capital confortavelmente acima de 9%

O BdP voltou a garantir que os bancos portugueses estão mais sólidos do que antes da crise, adiantando que dados preliminares colocam o ‘core tier 1’ do sistema “confortavelmente acima de nove por cento” no final de 2011.

 Segundo um comunicado divulgado pela instituição liderada por Carlos Costa, o sistema bancário português tem provado ser “ser extremamen-te resistente” desde finais de 2008, quando a crise bancária se intensificou após a falência do banco norte-americano de investimento.
 O supervisor bancário sustenta esta afirmação com os rácios de capital dos bancos, em especial o ‘core tier 1’ (medida usada para avaliar a solvabilidade de uma instituição bancária), que têm vindo desde então a melhorar.

 No final de 2008, afirma o Banco de Portugal (BdP), o sistema bancário português tinha um rácio de capital ‘core tier 1’ de 8,5 por cento, um valor que em Setembro de 2011 tinha aumentado para 8,5 por cento, excluindo BPN e BPP.
 A instituição acrescenta mesmo que, “de acordo com os dados preliminares, o rácio ‘core tier 1’ deve ter ficado confortavelmente acima de 9 por cento”, cumprindo assim o valor exigido pela ‘troika’ no memorando de entendimento assinado com o Governo português.
 O Banco de Portugal diz ainda que, apesar de os bancos terem sido chamados a aumentar capital “num momento em que os mercados financeiros internacionais se foram fechando”, estes tiveram uma atitude responsável ao cumprirem as exigências mantendo o crédito à economia.
 “Dado que os requisitos mais rigorosos para o rácio de capital ‘core tier 1’ poderiam ser alcançados pela redução brusca dos ativos do balanço das instituições bancárias, o crédito a clientes em particular (cerca de 70 por cento dos activos totais), os bancos demonstraram um compromisso responsável para com o financiamento da economia portuguesa”, afirma o Banco de Portugal, que elogia a atitude dos bancos por terem alcançado as metas estabelecidas através de “aumentos de capital” num momento de fecho dos mercados, como a “conversão de títulos de dívida em acções ordinárias”.

 O Banco de Portugal afirma também, no comunicado, que os resultados negativos dos bancos em 2011 se devem a “eventos não recorrentes”, como o aumento das imparidades da carteira de crédito (após o programa de inspecções da ‘troika), as perdas decorrentes da transferência dos fundos de pensões dos bancos e os prejuízos decorrentes da exposição à dívida grega.
 O supervisor lembra ainda que até 20 de junho, os bancos têm de neutralizar os efeitos do programa de inspeções e da transferência dos fundos de inspecções nos fundos próprios e nos requisitos de capital mínimos.

 Os três maiores bancos privados portugueses apresentaram prejuízos de quase 1.100 milhões de euros em 2011. A lista dos piores resultados, que somam 1098,9 milhões de euros, é encabeçada pelo BCP, que registou um prejuízo de 786 milhões de euros, seguida do BPI, com um resultado negativo de 203,9 milhões, e do BES, com 108,8 milhões de euros. O Santander, por outro lado, conseguiu um lucro de 64,1 milhões de euros, piorando face aos lucros de 439,6 milhões de euros de 2010.

 No BCP, o ‘core tier 1’ do BCP atingiu no ano passado o valor mais elevado de sempre, nos 9,4 por cento, “o dobro do que tinha quando começou a crise”, frisou o presidente Santos Ferreira, durante a apresentação das contas. No final de 2010, o ‘core tier 1’ do BCP era de 6,7 por cento.
Também o BES ultrapassou o mínimo exigido com um rácio de capital de 9,2 por cento e o BPI fechou as contas de 2011 com o ‘core tier 1’ mais elevado entre estes bancos, nos 9,5 por cento.