Sismo e maremoto causam milhares de mortos no Japão e afectam centrais nucleares

0
24
Sismo e maremoto

Sismo e maremotoPortugal, à semelhança de outros países europeus e dos Estados Unidos, está a desaconselhar viagens ao Japão, depois do terramoto de grau 8.9 e do tsunami registados na sexta feira, disse à Lusa fonte da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.

 No seu site, a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas refere que “dada a situação no Japão desaconselham-se todas as viagens não essenciais àquele país”.
 Além de Portugal, também as representações diplomáticas no Japão dos Estados Unidos, Reino Unido, França e Suiça estão a recomendar aos seus cidadãos para não viajarem para aquele país.
 A missão diplomática dos Estados Unidos difundiu uma recomendação, no dia em que se registou o terramoto, a instar os seus cidadãos a evitar viagens para Japão e que devido “às fortes réplicas” que se deverão repetir nas próximas semanas, frisou que este alerta se prolongará até 1 de abril.
 Já a embaixada britânica aconselhou, numa mensagem atualizada ontem, a evitar viagens a Tóquio acrescentando que existe um risco contínuo de tsunami. Em comunicado, recordou que a Agência Meteorológica japonesa alertou para a possibilidade de vir a ocorrer outro terramoto de sete graus ou mais na escala de Richter, o que poderá originar novos tsunamis.

 A agência meteorológica japonesa advertiu para o risco elevado – uma probabilidade de 70 por cento – de, até à próxima quarta-feira, ocorrer um novo terramoto no país de magnitude 7 ou superior.
 A embaixada de França, além de recomendar também o cancelamento de viagens para aquela zona, aconselha os que ainda estão em Tóquio para que saiam da zona, perante a incerteza da situação na central nuclear de Fukushima.

 Também a embaixada da Suíça pediu aos cidadãos suíços que reconsiderem se a sua presença em Tóquio e na área e na cidade de Yokohama é mesmo “necessária”, caso contrário deverão deixar o país.

* Agência de Energia Atómica pronta a enviar cientistas
          
 A Rússia propôs ontem oficialmente ao Japão ajuda na esfera nuclear com vista à solução dos problemas surgidos nas centrais atómicas nipónicas após o sismo, anunciou Alexandre Lokchin, vice-director da Agência russa de Energia Atómica.
 “A proposta foi feita aos japoneses, esperamos a resposta a qualquer momento”, declarou ele aos jornalistas.

 Segundo ele, “os especialistas russos em matéria nuclear dão uma nota alta ao trabalho realizado pelos japoneses nas suas centrais atómicas”.
 Vladimir Asmolov, outro vice-director da mesma agência, revelou que “nos últimos dias, os especialistas russos em matéria nuclear fizeram todos os cálculos sobre o que ocorreu nas centrais japonesas e estão absolutamente prontos para ajudar”.

* cidadã portuguesa desaparecida em Sendai
          
 O embaixador português em Tóquio disse à agência Lusa ter solicitado apoio do Governo japonês e da Cruz Vermelha para localizar uma portuguesa desaparecida na região de Sendai, fortemente afectada pelo sismo e tsunami de sexta-feira.
 “Fizémos o pedido oficial no sábado. É muito difícil contactar com a região de Sendai. Não estamos a tirar conclusões nenhumas, mas pura e simplesmente a tentar contactar com a nossa cidadã nacional”, disse o embaixador José de Freitas Ferraz.
 “A Cruz Vermelha do Japão e a Cruz Vermelha Internacional estão a trabalhar junto dos deslocados e a sua missão tem como objectivo a reunificação familiar e responder a este tipo de pedidos”, acrescentou.

 A preocupação da embaixada após o sismo de sexta-feira foi entrar em contacto com a zona mais afectada, aquela que foi atingida pelo tsunami, explicou o diplomata.
 “Os contactos são difíceis, mas conseguimos contactar com uma portuguesa daquela região que nos disse que estava bem e também sabemos que outros dois portugueses na mesma zona se encontram bem, mas continuamos sem notícias de uma outra portuguesa”, explicou.
 De acordo com os registos da embaixada portuguesa, cerca de 450 portugueses residem actualmente no Japão, a grande maioria na região de Tóquio.
 “Em Tóquio, além de ter sido sentido um grande tremor de terra não aconteceu mais nada. A nossa preocupação é com as zonas mais a norte, com aquelas atingidas pelo tsunami”, afirmou.

 A embaixada portuguesa em Tóquio tem estado também em contacto com turistas portugueses que se encontravam de férias no país e que segundo os dados avançados pelo embaixador José de Freitas Ferraz deverão ser entre 30 e 50 pessoas.
 Depois do sismo, a embaixada de Portugal em Tóquio criou dois núcleos de apoio permanente que funcionam na residência do embaixador e na chancelaria, ambos praticamente 24 horas.

* Mais de 10 mil mortos em Miyagi – Polícia
          
 Mais de 10 mil pessoas poderão ter morrido em consequência do sismo e do tsunami de sexta-feira na prefeitura costeira de Miyagi, anunciou ontem o chefe da polícia local, citado pela AFP.
 Segundo Naoto Takeuchi, não há “nenhuma dúvida” que o número de vítimas mortais vai ultrapassar os 10 mil.
 No sábado, a televisão pública japonesa NHK noticiou que 10 mil dos 17 mil habitantes da cidade portuária de Mina-misanriku estavam dados como desaparecidos nesta prefeitura.

 A referida prefeitura japonesa é a que fica mais próximo do epicentro do sismo, localizado no Pacífico, a cerca de 100 quilómetros de Miyagi e a uma profundidade de 24,4 quilómetros.
O forte sismo de sexta-feira,  de magnitude 8,9 na escala aberta de Richter, deu origem a um tsunami que atingiu a costa japonesa com uma onda de cerca de 10 metros de altura.

 O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, reuniu logo de emergência com o governo e determinou a criação de um comité de crise para monitorizar a situação, tendo ainda enviado meios navais para Tóquio e para a zona de Miyagi.