Sector público português deve mais de sete biliões de euros à Banca alemã

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Sector público português deve mais de sete biliões de euros à Banca alemã

Os bancos alemães tinham uma exposição de cerca de 6,9 mil milhões de euros ao sector público português no final de Junho, um valor que tem aumentado nos últimos trimestres, de acordo com o Banco de Pagamentos Internacionais (BIS).

 “Nós temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e franceses – ou os senhores se põem finos ou nós não pagamos. As pernas dos banqueiros alemães até tremem”, disse no sábado o vice-presidente da bancada parlamentar do PS, Pedro Nuno Santos, em declarações captadas pela Rádio Paivense FM e retransmitidas pela Renascença.

 O deputado já explicou que nunca defendeu que Portugal deixe de pagar a dívida aos países credores como sugerem declarações suas feitas no sábado, mas sim que “um Governo na situação em que o nosso está deve usar todas as armas negociais para impor melhores condições e, de certa forma, aliviar os sacrifícios que têm sido impostos ao povo português”.

 Os dados mais recentes do BIS (Bank for International Settlements) sugerem que a exposição dos bancos alemães ao sector público de Portugal até tem vindo a aumentar, tendo passado de 7.827 milhões de dólares (cerca de 6.048 milhões de euros à taxa de câmbio actual) no final de 2010, para 8.799 milhões de dólares (6.760 milhões de euros) no final dos primeiros três meses do ano e 8.978 milhões de dólares (6.898 milhões de euros) no final de junho deste ano, no mesmo trimestre em que Portugal pediu oficialmente assistência financeira ao Fundo Monetário Internacional e à União Europeia.

 No entanto, a exposição global dos bancos alemães a Portugal estimada pelo BIS diminuiu do primeiro para o segundo trimestre do ano, passando de 38.862 milhões de dólares (29.860 milhões de euros) para 35.852 milhões de dólares (27.547 milhões de euros), em grande parte devido a uma forte redução na exposição à banca em Portugal.

 Esta foi reduzida de 15.913 milhões de dólares (12.226 milhões de euros) no final de março para 12.554 milhões de dólares (9.646 milhões de euros) no final de junho, no mesmo período em que aumentavam a exposição ao sector público e ainda às empresas portuguesas, que também viram o valor aumentar de 14.150 milhões de dólares (10.872 milhões de euros) para 14.320 milhões de dólares (11.002 milhões de euros) em igual período.

* CASOS DA GRÉCIA E DA IRLANDA

 A exposição dos bancos alemães à Grécia em termos globais são inferiores às do caso português – 21.372 milhões de dólares (16.421 milhões de euros) – especialmente pela exposição estimada aos bancos gregos, em níveis muito inferiores aos registados para os bancos portugueses, e que ainda assim tem vindo a ser reduzido.
 No final do primeiro semestre os bancos alemães tinham uma exposição de 1.842 milhões de dólares (1.415 milhões de euros) à banca grega, mas tinham também 12.411 milhões de dólares (9.536 milhões de euros) de exposição ao sector público.

O caso da Irlanda acaba por ser o mais problemático para os bancos alemães – entre os países sob programas de ajustamento do FMI e da UE – em especial no que diz respeito à exposição à banca irlandesa (em sérias dificuldades) que é estimada em 21.532 milhões de dólares (16.544 milhões de euros) – bem mais que Portugal e Grécia juntos -, e às empresas em solo irlandês, cuja exposição está estimada em 85.507 milhões de dólares (65.700 milhões de dólares).

 No total, a exposição estimada pelo BIS dos bancos alemães à Irlanda é mesmo superior a 110.509 milhões de dólares (cerca de 84.911 milhões de euros).