Secretário-geral da ONU condena massacres em Cabo Delgado

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O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres condena com “veemência” os alegados massacres em Cabo Delgado, Norte de Moçambique e urge as autoridades do país a investigar os incidentes.

“O secretário-geral está chocado com os recentes relatos de massacres perpetrados por grupos armados […] em várias aldeias na província de Cabo Delgado, no Norte de Moçambique, incluindo a decapitação e rapto de mulheres e crianças”, pode ler-se num comunicado divulgado pelo porta-voz Stephane Dujarric.

  Na nota, acrescenta-se que o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) “condena veementemente essa brutalidade atroz”.

  Vários órgãos de comunicação moçambicanos e internacionais relataram um massacre perpetrado pelo grupo terrorista Estado Islâmico, no final da semana passada, em Cabo Delgado, com início na aldeia de Nanjaba.

  Várias pessoas foram sequestradas e depois decapitadas na aldeia de Muatide. De acordo com imprensa local, as decapitações terão sido realizadas entre a passada sexta-feira e domingo.

 

* Investigação sobre incidentes

 

  “O secretário-geral da ONU urge as autoridades do país a conduzir uma investigação sobre esses incidentes e a responsabilizar os responsáveis”, declarou o porta-voz, apelando a “todas as partes em conflito para que cumpram as suas obrigações ao abrigo do direito internacional humanitário e dos direitos humanos”.

  Guterres reiterou o compromisso das Nações Unidas em continuar a apoiar a população e o Governo de Moçambique na abordagem urgente das necessidades humanitárias imediatas e nos esforços para defender os direitos humanos, promover o desenvolvimento e prevenir a propagação do extremismo violento.

  As Forças de Defesa e Segurança moçambicanas descrevem como “grave” a situação em Cabo Delgado, assinalando que o porto e o aeroporto de Mocímboa da Praia continuam nas mãos de grupos armados, refere-se num relatório parlamentar consultado pela Lusa.

  A província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, é palco há três anos de ataques armados desencadeados por forças classificadas como terroristas e que se intensificaram este ano.

  Há diferentes estimativas para o número de mortos, que vão de 1.000 a 2.000 vítimas. Se-gundo dados oficiais, há, pelo menos, 435 mil deslocados internos devido à violência protago-nizada por grupos classificados como terroristas em distritos mais a norte da província.

 

* “Situação continua e está  a aprofundar-se”

 

  O Bispo de Pemba confirma que insurgentes atacaram aldeias em Muidumbe. Dom Luiz Fernando afirma: “houve decapitações, mas não é possível quantificar o número de vítimas”.

  Nos últimos dias, têm surgido várias notícias preocupantes sobre a situação em Cabo Delgado, em Moçambique. Primeiro, o Governo confirmou a tentativa de assalto a estabelecimentos prisionais por parte dos insurgentes e, o Fórum Nacional de Rádios Comunitárias (FORCOM) denunciou que vários jornalistas estão refugiados nas matas depois de mais um ataque no distrito de Muidumbe.

  O bispo de Pemba, Dom Luiz Fernando Lisboa, dá conta que a situação está a “aprofundar-se”, com a realização por parte dos insurgentes de múltiplos ataques.

  A semana passada, afirmou Dom Luiz Fernando Lisboa, mais onze aldeias foram atacadas no distrito de Muidumbe. Os insurgentes, conta, “espalharam muita morte, queimaram prédios públicos e casas”. “Numa das aldeias mataram vários jovens que estavam num ritual de iniciação. Foram cerca de 15 jovens com idades entre os 12 e 15 anos. Já ouvimos de várias fontes”, confirmou Dom Fernando Lisboa, alertando para o facto de, dada a complexidade da situação, não existirem números precisos.

  Na mesma ocasião, o Bispo voltou a reafirmar que “Pemba está sobrelotada”.

 

* Há jornalistas comunitários escondidos

 

  É o que diz o Fórum Nacional de Rádios Comunitárias (Forcom), que está preocupado com a situação de um grupo de jornalistas comunitários em Cabo Delgado, escondidos há dias nas matas devido à violência armada.

  “Informação na posse do Forcom dá conta que a maior parte dos jornalistas que se encontram nas matas estão incomunicáveis e a sobreviverem em condições humanamente deploráveis e de insegurança”, lê-se num comunicado da entidade, divulgado na segunda-feira (9.11).

  Segundo o Forcom, no dia 31 de Outubro, os insurgentes ocuparam a Igreja Paroquial do Sagrado Coração de Jesus (distrito de Muidumbe), onde está localizada a Rádio Comunitária São Francisco de Assis, e, pelo menos, nove jornalistas foram obrigados a fugir para as matas com as suas respetivas famílias. As instalações da rádio foram destruídas, estando ainda os insurgentes naquele distrito, segundo o Forcom.

  O grupo de jornalistas procurou refúgio nas ma-tas e agora tenta sair da região atacada em direcção a distritos considerados seguros, havendo também entre eles, pelo menos, um caso de um repórter que perdeu um parente na sequência dos ataques.

 

* Relatos da violência

 

  “Meu pai foi decapitado. Estamos a morrer de sede e fome, três dias sem comer nada e eu estou com os meus sobrinhos. Assim estamos a pedir socorro”, relatou um dos jornalistas numa mensagem telefónica citada pelo Forcom. 

  “Face à situação, o Forcom está a envidar todos os mecanismos por forma a garantir todo o apoio necessário aos jornalistas que se encontram nas matas, para salvaguardar a sua integridade física e segurança. O Forcom entende que o Estado deve garantir a segurança dos cidadãos”, acrescenta o documento.

  A província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, é palco há três anos de ataques armados desencadeados por forças classificadas como terroristas e que se intensificaram este ano.

  Há diferentes estimativas para o número de mortos, que vão de 1.000 a 2.000 vítimas. Segundo dados oficiais, há, pelo menos, 435 mil deslocados internos.

  A capital de Cabo Delgado, Pemba, está desde meados de Outubro a receber uma nova vaga de deslocados, que viajam em barcos precários. As vítimas da violência na região rica em gás natural têm se espalhado por outras regiões, nomeadamente as vizinhas províncias de Niassa e Nampula, mas as autoridades locais já tem oferecido ajuda a famílias refugiadas que chegam mais a sul, nomeadamente à Zambézia e Sofala.