Secretário de Estado discute permanências consulares e ensino do português em França e na Alemanha

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Secretário de Estado discute permanências consulares e ensino do português em França e na Alemanha

O secretário de Estado das Comunidades efectuou uma viagem de dois dias a Clermont-Ferrand e Lyon, em França, e a Düsseldorf, na Alemanha, para discutir a rede de permanências consulares e o ensino do português.

 José Cesário disse que em Clermont-Ferrand, uma das três cidades de França que perderam o vice-consulado, foi encontrar-se com representantes dos portugueses ali emigrados, dirigentes associativos e conselheiros das comunidades, para “ouvi-los acerca do mapa de futuras permanências consulares e acerca da possibilidade de criação de um consulado honorário na cidade”.
 O porta-voz do colectivo de dez associações de portugueses em França que têm contestado o encerramento do vice-consulado em Clermont-Ferrand, João Veloso, disse que os portugueses convocaram uma manifestação para a hora de chegada do secretário de Estado.
 “Reunimos com José Cesário depois de almoço, no edifício do antigo consulado. A comunidade decidiu manifestar-se à porta”, afirmou, garantindo ter se tratado de uma manifestação “simbólica, calma e cívica”.

 O objectivo era, explicou, “mostrar o descontentamento da comunidade e tentar preservar o vice-consulado”: “ À primeira vista discordamos da solução do consulado honorário. Se não houver mesmo outra possibilidade, queremos, pelo menos, poder escolher o cônsul”, acrescentou.
 José Cesário foi encontrar-se em Lyon com o conselheiro das comunidades e seguiu depois, na quinta-feira, para Düsseldorf, cidade alemã para onde passaram a dirigir-se os portugueses da extinta área consular de Osnabrück.
 “Aqui a questão consular foi também discutida. Para além disso, fui contactar com responsáveis pelo ensino do português nas áreas de Estugarda e de Düsseldorf para avaliarmos como está o mapa dos professores e que alterações podemos efectuar para podermos dar uma melhor resposta aos alunos no próximo ano lectivo”, acrescentou.

 Desde o dia 13 de Janeiro que os residentes em Clermont-Ferrand passaram a ter que recorrer ao consulado-geral em Lyon, a 200 quilómetros, os de Nantes e de Lille a dirigir-se a Paris, a 400 e 200 quilómetros, respectivamente. Os habitantes de Osnabrück passaram a recorrer ao consulado-geral de Düsseldorf, a mais de 170 quilómetros de distância.

* Governo quer maior investimento  de França no ensino do português no secundário – José Cesário

 O Governo quer que França reforce o investimento no ensino do português no secun-dário e foi discutir essa questão no encontro entre os Ministérios da Educação dos dois países, disse o secretário de Estado das Comunidades. José Cesário explicou que as reuniões entre representantes da Educação dos governos dos dois países, como a que aconteceu em Lisboa, são normais no quadro do acordo bilateral de cooperação que têm nesta área, mas acrescentou que “a questão do desequilíbrio entre o número de alunos do secundário a quem Portugal assegura o ensino do francês e o número de alunos a quem França assegura o ensino do português esteve em cima da mesa”.

“Nos últimos anos, houve um desequilíbrio muito grande. Portugal assegura aulas a 230 mil alunos de francês no secundário, enquanto que França tem a seu cargo apenas 35 mil de português. É nossa intenção que haja maior investimento por parte do Governo francês nesta área”, afirmou.
 José Cesário lembrou que “o português é hoje uma língua de trabalho em diversos pontos do mundo” e considerou que “o Governo entende que o ensino da língua portuguesa também interessa a França”.

 “Sabemos que não é a melhor altura para discutir esta questão porque todos os Estados estão a passar dificuldades e estão a implementar medidas de redução da despesa, mas isto estará em cima da mesa”, até porque, acrescentou, “a resposta de Portugal ao nível do ensino básico é muito significativa, mesmo depois dos cortes na rede de professores, e é preciso que esses alunos tenham oportunidade de continuar a aprender a língua”.
Ao abrigo deste acordo bilateral de cooperação, o Gover-no português assegura o ensino do português em França durante os anos do básico e o Governo francês durante o secundário.