Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas deslocou-se a Joanesburgo para entregar as Comendas

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Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas deslocou-se a Joanesburgo para entregar as Comendas atribuídas pelo Presidente da República a Paula Caetano

No Sábado 5 de Setembro de 2015 teve lugar no salão de reuniões do Consulado-Geral de Portugal em Joanesburgo, a imposição de insígnias honoríficas por parte do Estado Português, na pessoa do Secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, a membros da Comunidade Portuguesa. Foram distinguidos com o grau de Comendador Paula Caetano, Ordem de Mérito Empresarial e José Valentim, com a Ordem de Mérito. Foram também entregues na mesma cerimónia as medalhas de mérito, estas impostas a José Ferreira, Wendy Ferreira e ao dr. Branco da Fonseca.

 A cônsul-geral de Portugal em Joanesburgo, deu as boas-vindas a todos e afirmou na abertura da cerimónia que ter um grande gosto em acolher todos os presentes no dia e organizar a cerimónia. A cônsul-geral passou depois a palavra ao embaixador de Portugal que na sua intervenção atestou que “boa tarde a todos, sr. Secretário, Paula Caetano, José Valentim, queria dizer primeiro que tudo que esta é a minha casa por quando cá passei.” “Há quem ainda me continue a chamar sr. cônsul,” gracejou o embaixador.

 “Antes de mais, quero dizer que quando há uma cerimónia de imposição de comendas, um comendador do Estado Português fica com a honra mas também com o peso, porque uma comenda é dada de uma vida passada de sacrifícios, esforços e obras feitas para a Comunidade Portuguesa. Mas, é também uma penhora para o Futuro.”

 Continuou, “um agraciado pelo Estado Português, fica empenhado para o resto da vida em continuar a ser um modelo para a Comunidade. Serviu a Comunidade e por isso é que é agraciado. Quero dar os meus parabéns à Paula Caetano e ao José Valentim e vamos, o Estado Português e a Comunidade Portuguesa, continuar a contar convosco. Quero agradecer o não só estar aqui hoje, mas uma vez que este mandato, independentemente do resultado das eleições, está a acabar. Queria, como embaixador, agradecer de coração a atenção e o carinho com que nos têm distinguido. O apoio moral e material com que nos tem distinguido. Várias foram as obras que receberam subsídios e ajudas e isso, são sinais importantes e encorajamento para aqueles que trabalham em prol da Comunidade Portuguesa.

 Num compasso de tempo rá-pido, a palavra foi dada ao Secretário de Estado, José Cesário, para que pudesse impor as insígnias. Antes da imposição das distinções, José Cesário no seu discurso atestou que “cara Paula Caetano e todos os presentes, eu já participei, como sabem, em várias cerimónias idênticas a esta.

 Tento não repetir as coisas, por isso nunca faço discurso com papel, só na Assembleia da República. O segundo motivo é que temos de nos olhar…é algo que vem de fora e por isso, opto por olhar para vós, pensar na mensagem que trago e tentar perceber o mais importante a dizer-vos!”

 “Tenho um gosto muito grande em trabalhar com as Comunidades Portuguesas es-palhadas em todo o Mundo. Tenho um orgulho muito grande em ter sido deputado eleito pela minha terra, Viseu e mais tarde fiz uma inflexão – a qual não esperava fazer – que foi a pedido do dr. Durão Barroso, trabalhar para a área das Comunidades.

 Concluí sempre que os Portugueses com trabalho em Portugal e os portugueses de cá e de toda a parte, são todos iguais! Os portugueses emigrantes já nascidos fora são tão portugueses quando os de lá! Por isso este trabalho de tentar que as nossas estruturas com que trabalhamos, as organizações da sociedade civil sejam mais fortes e o nosso país enriqueça mais de dentro e de fora, tentar que a nossa Cultura esteja sempre mais presente.

 Encontramos cá fora uma vontade muito grande de fazer e de construir! Lá em Portugal seriam impensáveis certos projectos que se levam a cabo na Diáspora, mas fora de Portugal, fazem sucesso há mais de cem anos. Fomos fantásticos no sec. XV, XVI e por aí adiante. Somos fantásticos agora, porque fazemos coisas fantásticas em todos os lados.

 Eu, sou apenas um elemento de uma equipa muito grande. Exemplo disso e do rápido melhoramento que Portugal sofreu, é que nos nossos Consulados e embaixadas, fazemos mais 42% de trabalho do que há 4 anos atrás e com menos pessoas! Temos mais de 160 000 alunos aos quais fazemos certificação do ensino de Português”.

 O Secretário de Estado fez depois uma pequena reflexão ao dizer que, “ estas cerimónias servem para quê? Servem para sinalizar alguns que se distinguiram entre a colectividade do povo Português. Precisamos muito das vossas ajudas! Pessoas e instituições que precisam de apoio e precisamos mais ainda, a nossa visibilidade do ponto de vista cultural.

 Estamos aqui com a Paula e ao Valentim e estamos muito felizes por eles. Deixo aqui a lembrança ao nosso amigo Rogério Varela Afonso, através do qual conheci a Paula Caetano.

 Em relação à Paula, outras nas circunstâncias dela deixariam de privar com quem privavam e a Paula não! Sinto muito orgulho nos seus feitos e quero lhe dizer que contituamos a precisar dela e há muita gente em Portugal que precisa de ajuda.

 O José Valentim é um homem humilde desta comunidade. Lembro-me de si na União, lá começámos a privar. O Valentim é um homem que se foi fazendo, partiu muito de baixo, mas que se foi fazendo. Sério e humilde, quero reafirmar que a Comunidade contínua a precisar dele. Por isso, estamos aqui hoje para celebrar estes momentos.

 Em seguida, foram entregues as comendas e a palavra foi dada aos agraciados.

 

* Discurso de Paula Caetano

 

 Na sua intervenção afirmou que “excelentíssimo senhor Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, dr. José Cesário, excelentíssimo senhor embaixador de Portugal na África do Sul, dr. António Ricoca Freire, excelentíssima cônsul-geral de Portugal em Joanesburgo, Luísa Fragoso e caros amigos,

 Quis sua excelência o senhor Presidente da República portuguesa, Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva, distinguir-me com a Ordem de Mérito Empresarial, classe de Mérito Comercial, por ocasião das comemorações do Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas. É uma imensa honra ser distinguida pelo Estado Português enquanto empresária, enquanto emigrante, mas sobretudo enquanto mulher e enquanto portuguesa.

 Receber a Comenda de uma Ordem Honorífica cujas origens datam do ano de 1893 e que se destina a agraciar a quem haja prestado serviços relevantes no fomento ou na valorização do sector económico, é sempre bom porque alimenta-nos o ego e dá-nos força para continuar e fazer melhor. Ganhamos também uma responsabilidade acrescida, mas é importante termos estes desafios na vida.

 Partilho esta condecoração com a minha família e com todos os elementos da maravilhosa equipa de trabalho do Grupo Século a que tenho o prazer de presidir e, que hoje me acompanham nesta cerimónia memorável na minha vida.

 Gostaria de acrescentar a ausência do senhor director do Século de Joanesburgo e meu bom amigo, Rogério Varela Afonso, que por motivos de saúde não está connosco. Gostaria também de ver acrescentada a presença da minha mãe, ausente por motivos de saúde, do meu pai que há longo tempo partiu para a eternidade e do meu saudoso marido, o senhor Comendador Horácio Roque que foi o companheiro de toda a minha vida, meu mentor e o grande mestre, cujos ensinamentos me deram capacidade para prosseguir com sucesso a condução empresarial do seu legado neste país de acolhimento, a África do Sul. Onde felizmente vigora a economia de mercado. Espero que o grupo continue a crescer e poder participar activamente no desenvolvimento do Futuro deste país e do seu povo.

 Ficou-me na memória a afirmação de sua excelência Pre-sidente da República portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, em Novembro de 1983 em Joanesburgo onde disse que “a língua portuguesa é uma activo muito mais valioso do que as reserva de ouro do país. Lutamos por manter viva uma ligação cultural com o espírito nacional através de um jornal digno que com os anos se foi afirmando como um dos mais importantes periódicos da Diáspora portuguesa.

 E devo dizê-lo, neste momento em que também essa obra é honrada, fizemo-lo muito para além dos interesses comerciais. Com o meu marido sempre pugnámos por manter vivo o Século de Joanesburgo contra todas as adversidades e eu sinto-me herdeira pessoal dessa tarefa que continuarei a desempenhar para o bem de todos nós que escolhemos viver nesta terra de promessa e paz, onde continuamos a deixar exemplos de cidadania e dignidade.

 É por isso, que é com humildade aceito esta honraria que o Estado do meu país me confere. Honra-me contudo, o facto de ser sido sua excelência o Senhor Secretário de Estado José Cesário, um grande amigo da nossa Co-munidade, a proceder à entrega das minhas insígnias da Ordem de Mérito Empresarial em nome de sua excelência o Presidente da República.

 Registo a presença institucio-nal do senhor embaixador de Portugal e agradeço a amizade da senhora cônsul-geral de Portugal em Joanesburgo, que se empenhou na organização desta magnifica cerimónia de enorme significado para o prestigio da Comunida-de Portuguesa.

 Aproveito a oportunidade para felicitar o senhor José Valentim, hoje agraciado com a Comenda da Ordem de Mérito e todos os outros compatriotas distinguidos pelo Secretário de Estado com a me-dalha de mérito das comunidades Portuguesas. Muito obrigado a todos”, terminou Paula Caetano.

 

* Discurso José Valentim

 

 Depois, foi dada a palavra a José Valentim que no seu discurso de agradecimento, afirmou que “excelentíssimo Secretário de Estado das Comunidades portuguesas, José Cesário, senhor embaixador de Portugal na África do Sul, António Ricoca Freire, senhora cônsul-geral de Portugal em Joanesburgo, Luísa Fragoso. Senhores Comendadores, senhores presidentes e representantes das colectividades e associações portuguesas na África do Sul. Se-nhores representantes da imprensa aqui presentes, muito em especial ao Século de Joanesburgo. Senhores convidados, aos meus bons amigos aqui presentes, à minha família aqui representada pelas minhas filhas e netas e minha irmã e à minha senhora Gina.

 A todos vós os meus sinceros agradecimentos pela vossa presença neste dia especial para mim e para a minha família que é a imposição da insígnia de comendador da Ordem de Mérito. Gostaria de afirmar solenemente que o meu compromisso para cumprir os desígnios da ordem que me distinguiu. Senhor Secretário de estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, ficarei eternamente grato por esta condecoração imposta por vossa excelência em nome do governo português e em representação de sua excelência o senhor Presidente da república, Aníbal Cavaco Silva, que distinguiu a minha actuação e dedicação iniciada em 1975 junto de colectividades e associações de bem fazer, na Comunidade Portuguesa da África do Sul.

 Gostaria de assegurar a vossa excelência que dentro da mesma Comunidade, conti-nuarei a fazer sem olhar a quem. Aproveito esta oportunidade para agradecer aos meus bons amigos, colaboradores e bem feitores que sempre me ajudaram, colaboraram e em mim confiaram. À minha família que sempre me apoiou e ajudou mesmo quando eu lhes faltava com o tempo que aos outros dedicava. Ao Século de Joanesburgo e na pessoa do seu director, Rogério Varela Afonso, que sempre me apoiou nesta jornada comunitária, que por motivos de saúde não pode estar presente.

 Por último, um agradecimento especial à senhora cônsul-geral de Portugal em Joanesburgo, drª Luísa Fragoso,  e à sua equipa por esta admirável recepção para celebrar este dia inesquecível da minha vida. A todos, obrigado pela vossa presença. Bem hajam. Viva Portuga”, atestou José Valentim.

 Após estes momentos de intervenção pública, fez-se um brinde em felicidade a todos os presentes e em especial aos recém-condecorados.

 

* Medalhas de Mérito das Comunidades Portuguesas

 

 As medalhas de mérito das comunidades portuguesas foram logo em seguida entre-gues. O secretário de Estado, José Cesário, gracejou ao dizer que “agora é ainda mais difícil não repetir discurso”.

 “É, esta medalha, a única dirigida aos membros da Comunidade Portuguesa no estrangeiro e àqueles que se distinguem por factores diversificados. Nos planos culturais, sociais, económico, etc… Temos um grande orgulho das nossas Comunidades, que têm sabido integrar-se em todos os os países do Mundo e onde há vultos com enorme visibilidade.

 Em Portugal não se avalia bem, às vezes, porque temos Craig Melo, Prémio Nobel a residir no Estados Unidos da América. Temos pessoas que se distinguem a todos os ní-veis. São quase cinco milhões os que estão registados nos nossos consulados. De acordo com as Nações Unidas, 1% da população mundial é emigrante português. Este universo é constituído por mu-lheres e homens e, por isso é que o Governo decidiu criar esta condecoração. E por isso aqui hoje, estamos a distinguir este três amigos.

 É preciso repetir que é um or-gulho em trabalhar convosco em particular a senhora cônsul-geral e o senhor embai-xador. Eles que fazem parte de uma rede que representa o país.

 A Wendy é uma jovem ainda, que me habituei a ver desde a primeira vez que cá vim no Terras do Norte. Participava activamente nestas coisas e tenho muita fé no trabalho que ela fez e que continua a fazer. Quero dizer-lhe que tenho muita fé!

 Sobre o dr. João Branco da Fonseca, afirmou que “as vossas palmas dizem tudo! Um homem querido desta Comunidade. Um homem com muita visibilidade na África do Sul e é prova de que os filhos dos Portugueses podem fazer tudo, em qualquer lado.

 A respeito de José Ferreira, o secretário de estado afirmou eu “o homem que nos adoça a boca!” Gracejou José Cesário. “Seja no folclore ou à mesa, só temos motivos para estar bem.

 Sabem, que há muita gente que não avalia bem…ate lé, em Portugal…sobretudo a seguir ao 25 de Abril. Por acaso, fundei um grupo folclórico em 1976, contra os “intelectualoides”. Quando vou a Miranda do Douro e vejo todos os grupos de pauliteiros recuperados, quando vejo recuperadas “as dispensas”, danças de Rabo de Peixe, dos Açores.

 É preciso afirmar que Cultura é modernidade e tradição. Sem ela, Cultura, não existe História. Por isso, por tudo que tem feito, obrigado e pedimos que continue. Como anteriormente, com a imposição das Comendas, foi dada a palavra aos galardoados com a Medalha de Mérito.

 Wendy Ferreira assegurou que “quero agradecer a presença de todos, ao governo português por ter-me reconhecido e condecorado. Amo o folclore e ando nisto desde os anos 80’s. Vou lutar para que a cultura portuguesa se mantenha viva na África do Sul.” Já o dr. Branco da Fonseca afirmou que “fiquei muito tocado com esta honra que me foi imposta. O meu percurso é o que todos já sabem. Queria também corroborar a importância da língua portuguesa e a sua deciminação por todo o lado. Estamos aqui num eixo de países lusófonos, por isso é importante que espalhemos a língua. Agradeço a todos, agradecer à família e aos montes de amigos aqui.

 Na sua sua intervenção, José Ferreira declarou que “ excelentíssimo senhor Secretário de Estado, dr. José Cesário, senhor embaixador e senhora cônsul-geral de Portugal, senhores comendadores aqui presentes, senhoras e senhores: ao receber esta alta distinção do Estado Português, que recebo com muita honra e orgulho, desejo, em primeiro lugar, agradecer quer a vossa excelência, quer a todos que contribuíram para que eu merecesse esta medalha de mérito. Com toda a humildade afirmo que esta distinção é também em reconhecimento àqueles e àquelas, homens e mulheres, jovens , que ao longo das últimas décadas muito têm feito para divulgar a nos-sa música, cantares e danças tradicionais da nossa querida pátria.

 Desejo portanto dedicar esta alta distinção a todos os membros e corpos gerentes dos ranchos e grupos folclóricos portugueses na África do Sul, assim como à minha família pelo apoio que sempre me tem sido dado. A todos, muito obrigado. Viva Portugal e viva os ranchos folclóricos.”

 Por fim, foi feito mais um brin-de a todos os presentes, à saúde e sorte dos galardoados. Houve em seguida vários momentos fotográficos dos galardoados com os seus fa-miliares e amigos, junto das bandeiras nacionais de Portugal e África do Sul e com os diplomatas. Houve convívio entre todos, enquanto saboreavam canapés e bebidas em celebração das condecorações ali atribuídas.