“Se não fosse o sector privado, não sei onde o País estaria!” – afirmou David Shapiro

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“Se não fosse o sector privado, não sei onde o País estaria!” – afirmou David Shapiro

O conhecido comentador económico David Shapiro deu na quinta-feira, dia 9 de Julho, no Wanderers Club em Illovo, Joanesburgo, uma palestra num evento organizado pela Câmara de Comércio Luso-Sul-Africana (SAPCC).

 Nesta palestra subordinada ao tema “O Estado da Economia Sul-Africana”, Shapiro abordou o tema “Is it lights out for South Africa?” – “Será altura de apagar as luzes para a África do Sul?” numa tradução livre.

 Na sua intervenção, que durou cerca de uma hora, o gestor económico afirmou que devido às legislações e constantes mudanças de posição política, os avanços e retrocessos prejudicam a economia e as finanças do País e que se não fosse o sector privado a continuar a manter o crescimento e a ser a alavanca do progresso, “não sei onde é que o País já estaria”, afirmou Shapiro.

 Aludiu com esta frase e depois especificou a Comunidade Portuguesa que tantos postos de emprego cria, possui empresas em vários sectores económicos e que, na sua maioria, são rentáveis e produtivas.

 Shapiro concluiu que há muitas oportunidades na África do Sul, especialmente para quem tem vontade de trabalhar e tem um projecto concreto.

 Aconselhou os presentes a não se envolverem com empresas estatais nem com o governo, pois as políticas económicas e raciais, são infelizmente segundo afirmou Sha-piro, um empecilho ao crescimento.

 Tony de Gouveia deu início ao evento, ao dar as boas-vindas a todos e ao convidado da noite, David Shapiro.

  Na sua intervenção, o orador afirmou ser um gestor de risco e que investe o dinheiro das pessoas onde dará mais lucro e haverá menor risco. Mencionou que hoje as empresas não têm sedes fixas porque, tal como os mercados nos dias de hoje, operam globalmente.

 Na sua intervenção aludiu ao que se está a passar na Grécia e que a economia grega contraiu nos últimos dois anos em mais de 25%. Afirmou que a maioria dos líderes europeus quer manter a Grécia na Zona Euro e na União Europeia.

 “Os mercados reagiram negativamente, mas já estamos a começar a ver uma recuperação o que é sempre um bom sinal”, assegurou Shapiro.

 Um dos tópicos da intervenção foi também o estado da economia chinesa. Falou da política de continuado investimento e compra de matérias-primas por parte de Pequim para manter a economia e a indústria da China em funcionamento.

 “A grande questão que nos preocupa é, se a economia chinesa cair, qual será a repercussão e o peso sobre os mercados mundiais”, questionou o gestor da Sasfin.

 Os tópicos da palestra foram o estado das economias gregas, chinesas e a queda dos preços das matérias-primas. Shapiro explicou haver duas vertentes, o petróleo e os mi-nerais e ambos os sectores estão em queda. Neste ponto referiu a África do Sul, país vulnerável a esta flutuação de bens materiais, pois é um pilar onde a economia nacional assenta.

 Explicou que os Estados Unidos da América têm agora um excedente de petróleo, a nível doméstico e que a Arábia Saudita continuou a produzir aos níveis de há dois anos atrás, o que fez com que houvesse um excesso de oferta no mercado, forçando assim a diminuição do preço do barril. Isto, por seu lado, afectou muitas economias petrolíferas como Nigéria e Angola, esta última agora forçada a pedir empréstimos ao Fundo Monetário Internacional por não haver divisas necessárias no país.

 Alertou que as massas económicas e o crescimento estão agora a voltar aos mercados primários, como os Estados Unidos da América, Europa e Japão, deixando assim de estar centrados nos países chamados emergentes como o Brasil, África do Sul e China entre outros. Isto devido à queda acentuada da procura e do preço de bens minerais.

  Shapiro terminou a sua intervenção ao atestar que a África do Sul tem que acordar para os perigos de uma economia alicerçada apenas em minérios e que as greves e os sin-dicatos estão a prejudicar gravemente o crescimento, já de si muito limitado. Por causa deste cenário, a moeda sul-africana, o rand, tem desvalorizado anualmente cerca de 6%.  No entanto, concluiu com uma nota positiva que o FMI previu um crescimento médio mundial nos 3% e que a África do Sul estará nos 2,5%.

 O sector da banca e do retalho estão fortes e em boa posição, o que abona bem para o futuro, ressalvou no entanto que se não forem tomadas medidas de incentivo à economia, estes mesmos sectores fortes não aguentarão por muito mais tempo.

 Houve depois uma pequena sessão de perguntas e respostas após o que David Shapiro afirmou que o governo nacional deverá concentrar-se no crescimento económico e não na ideologia política.

 Foram entregues certificados a novos membros da Câmara de Comércio, como a Manuel Ferreirinha do Manny’s Timber & Hardware, a Joe Barbosa da Bytes Techonology e a Cláudia Moreira.

 A palestra terminou com alguns dos presentes a conversarem no átrio do Wanderers Club sobre o conteúdo da mesma.