Santos Populares festejados com sucesso na Igreja de Santa Maria dos Portugueses em Pretória West

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Santos Populares festejados com sucesso na Igreja de Santa Maria dos Portugueses em Pretória West

Revestiram-se de assinalado brilho, os festejos que em honra de Santo António, S. João e S. Pedro foram realizados no penúltimo domingo, 18 de Junho, na igreja de Santa Maria dos Portugueses, em Pretória West, pondo mais uma vez à prova a capacidade realizadora de quem os organiza, festeiros e esposas, com a colaboração do público anónimo que geralmente vem cooperando, diga-se de ma-neira activa nas festas que ali vêm sendo realizadas, e com o seu apoio ajudar uma paró-quia onde se situa o Centro de Dia S. Francisco de Assis para idosos da comunidade, que nunca são esquecidos nas festas realizadas na paróquia.

 Basta para o referir o facto de sempre lhes ser reservada uma mesa para os acolher, e com isso lhes proporcionar alguns momentos de convivência e distracção, tão importantes nestes casos, já que lhes alivia o espírito a alguma solidão, próprio de quem fora do agregado familiar enfrenta a velhice, se bem que neste lar que os acolhe, agora sob administração dos Lusíadas, nada lhes falte, com a importante vantagem de ali ser falada a sua língua.

 Iniciada com missa solene celebrada pelo Frei Gilberto, coadjuvado pelo seu colega Lameque André Michangula que ali foi pregador, e o Frei Edson Nhatuve, estudante da Sagrada Escritura em Jerusalém, que aqui se deslocou de visita ao seu colega de curso Lameque, e ao mesmo tempo aproveitar para algumas consultas médicas, onde nessa eucaristia foi benzido o pão de Santo António, e a receita de quem dele se serviu reverter a favor dos pobres, à semelhança do que vem acontecendo em muitas igrejas do mundo.

 Seguida de procissão, os festejos prosseguiram no salão de festas da paróquia, com um concorrido almoço de convívio tipo “self-service”, contando-se entre as mais de quatrocentas presenças a advogada Elizabete Serrão, o comendador Ivo de Sousa, e em presidentes de colectividades e instituições citadinas, António Correia de Freitas, Confraria do Santíssimo Sacramento; Fátima de Freitas, Liga da Mulher Católica ligada a esta mesma igreja; Paula de Castro de “Os Lusíadas”; e Lino Faria pela Casa do Benfica.

 Nestes festejos, onde o leilão voltou como habitualmente a estar a cargo de António Correia de Freitas, a quem em palco, numa iniciativa do comendador Ivo de Sousa e na presença dos festeiros, lhe foi entregue por Elizabete Serrão uma placa com a seguinte inscrição: “18-06-2017- Ao Sr. António, em nome dos festeiros, um obrigado especial por tudo o que faz pela festa de Santo António”, seguindo-se o nome de todos os festeiros:

 Elizabete Serrão, Virgílio de Castro, Nélio Gonçalves, João Rodrigues Jardim, José da Silva, Inácio Crispim Dias, Tony (Ranjo Farm), José Nunes Gomes, Henrique Alves, Martinho Gomes dos Santos, José Dias Roda, Vicente Ferreira, João de Sousa Serradinho, João Albertino de Abreu, José Ivo Gouveia de Sousa, João Vasconcelos Pereira, José Daniel de Sousa e um anónimo.

 Na tarde recreativa ali vivida, com música da “DJ VIX”, actuação em variedades de Damião de Freitas, e exibição do rancho folclórico da Casa Social da Madeira, com oferta de ramo de flores à vice-presidente cultural e componente do agrupamento Maria Inês Balanco, na passagem do seu aniversário natalício, ponto alto e como atracção principal nos festejos, foi o desfile de marchas populares com arco a Santo António, e cantadas em palco por Damião de Freitas, novamente organizada por Maria da Luz de Jesus, com alguns participantes nessas marchas, componentes do “bailinho” da CSM, assim como de familiares dos festeiros e outras figuras bem conhecidas no nosso meio associativo, bem como religioso da paróquia, dando com esse seu contributo mais realce aos Santos Populares que ali eram festejados.

 Os agradecimentos às presenças ali nquela tarde, com destaque para os festeiros e suas esposas, assim como outras pessoas que de qualquer modo colaboraram nos festejos, englobando neste prisma pessoas que confeccionaram o almoço e serviram no bar, assim como o contributo nos diversos âmbitos de Manuel Pestana, Manuel do Meat World a carne, Inácio Crispim Dias, José Dias Roda o atum, Eduardo de Abreu, Fruit Stop este no anúncio publicitário e oferta das saladas, três festeiros na oferta dos prémio da rifa, Manuel Anselmo Gonçalves de Ellisras em mercearia, Paula de Castro oferta das flores para decoração, Victor Feliciano o café e a máquina para o preparar.

 Ainda o contributo dos padres da paróquia, ao “DJ VIX” a música, a Damião de Freitas e ao rancho folclórico da CSM a sua actuação ali naquela tarde, aos componentes da marcha popular, ao senhor Vieira a oferta dos cachecóis do “tetra” campeão S.L. e Benfica que ali foram leiloados, englobando ainda em reconhecimento a presença do Século de Joanesburgo, que como sublinhou o seu representante em Pretória prima por fazer a cobertura de tudo o que se vai passando nesta comunidade, foram feitos em palco por António Correia de Freitas, que como sublinhou, se não fossem as ofertas que se vão conseguindo de pessoas de boa vontade, uma festa como esta não se faria hoje com sessenta ou setenta mil randes.

 Na rifa que ali foi sorteada foram contemplados, com o 1º prémio, uma televisão a cores, Teresa de Sousa com o número 1.141; com o 2º prémio, máquina de lavar roupa, Nélio Gonçalves com o número 266; e com o 3º prémio máquina de costura, Anselmo Gonçalves com o número 1.116, sendo os festejos encerrados com uma animada tarde dançante.

 Sobre a possível mudança desta igreja de Santa Maria dos Portugueses para outro local da cidade, foi pelo Frei Gilberto Teixeira, finda a eucaristia, dado o seguinte conhecimento em púlpito:

 “É um facto que, de há anos a esta parte, a frequência à nossa igreja vem diminuindo progressivamente. O que aconteceu na Festa de Nossa Senhora de Fátima (a igreja cheia), não conta, isso é um facto extraordinário. Mesmo na Noite de Natal, em que, tradicionalmente se enchia a igreja, há vários anos isso não acontece. Do mesmo modo nos dias de Natal e da Páscoa.

 Não há casamentos, pouquíssimos baptizados; as crianças da Catequese são cada vez menos; jovens que actualmente vêm, são muito poucos.

 A Creche Imaculada Conceição vai certamente fechar no fim do ano. Há cerca de 10 anos que não temos uma criança portuguesa na Creche. Não há casais novos portugueses a residir nas proximidades. Agora, também os pais sul-africanos não se sentem confortáveis, especialmente em certos dias da semana, e deixaram de matricular as suas crianças. Não são só os portugueses que têm medo de vir aqui. Também os sul-africanos. Quem vem só aos domingos não se dá conta do porquê.

 O Lar de São Francisco é um belo edifício, mas é um espaço fechado, não tem jardins à volta, não tem condições para se expandir e a comunidade está a envelhecer.

 A situação social de Pretória West é o que todos conhecemos e não há perspectivas de melhoramento, pelo contrário.

É do conhecimento geral que há muito tempo se fala na possibilidade ou urgência de mudar, vendendo o que temos para comprar em outro lado mais conveniente.

 Contactado o Sr. Arcebispo de Pretória sobre o assunto, mostrou-se compreensivo, mas disse que não gostaria que a Igreja de Santa Maria fosse vendida, pois a Comunidade Católica Portuguesa em Pretória, tem aqui muito da sua história e, por isso, mesmo saindo, deveriam poder voltar para recordar. Além disso, disse, este espaço e edifícios seriam muito úteis para a Arquidiocese e apoio da Catedral que não tem condições para as actividades paroquiais. Então, o Sr. Arcebispo, a partir daquela altura, procu-rou ajudar-nos a encontrar uma solução.

 Foi nesse sentido que nos apontou, para nosso espanto, com a entrega da Igreja das Bem-Aventuranças, em Zwavelport, um edifício novo e muito espaçoso, que está implantado num espaço de 2 hectares de terra, rodeada de mais seis hectares disponíveis para construir, em óptimas condições, um novo lar e até uma aldeia para reformados.

 A igreja das Bem-Aventuranças é a sede de uma paróquia, por sinal frequentada já por bastantes portugueses, que os franciscanos deveriam vir a assumir, juntamente com a Comunidade Portuguesa.

 Esta pareceu é uma oferta generosa por parte do Sr. Arcebispo e uma oportunidade providencial, que, desprezada, não aparecerá outra certamente.

 

* O que está em  perspectiva

 

 Alguém que estava na disposição de oferecer a mudança para Hartbeesport, de um novo Lar, incluindo a construção de uma igreja (o que seria muito longe e não serviria de modo alguma a comunidade), aceita avançar com o projecto em Zwavelport com o seguin-te plano:

 Nos seis hectares disponíveis, construir um Lar mais espaçoso e um “Frail Care” para os mais fragilizados, com a devida assistência médica e de enfermagem.

 Para esta obra, pedir-se-ia a participação da Comunidade, oferecendo o promotor do projecto metade dos custos.

 Em seguida, o mesmo promotor do projecto, procederia à construção de uma aldeia para reformados com 60 casas para alugar. O produto do aluguer seria, parte para o reembolso das despesas da construção até à liquidação final, parte para a manutenção do Lar. Na verdade a aldeia teria a finalidade de garantir a manutenção do Lar. Nunca para proveito pessoal de alguém em particular.

 Concretamente, numa primei-ra fase, seriam construídas as infra-estruturas (água, esgotos, eletricidade, arruamentos…);

 A seguir o Lar e uma residência paroquial;

 Em terceiro lugar, a aldeia.

 Nota final: No caso de isto vir a acontecer, receberíamos a Igreja de Zwavelport (2 hectares de terra) mais os 6 hectares para construir o Lar e a Aldeia. O Sr. Arcebispo de Pretória tomaria para a Arquidiocese o complexo que constitui a Igreja de Santa Maria dos Portugueses em Pretória West.

 No caso de não aceitarmos a oferta e de nos vermos, dentro de pouco tempo, obrigados a mudar, o que é muito previsível, e termos que vender para comprar e construir em outro lugar, o comprador não iria entregar dinheiro e esperar dois ou três anos pela entrega do que já lhe pertencia de facto. A mudança desse modo seria praticamente inviável, para não dizer mesmo impossível… E nesse espaço de tempo, onde iriamos rezar? Onde meteríamos os nossos idosos?!…

 No caso de aceitarmos, iriamos integrar-nos numa paróquia já existente, a Paróquia das Bem-Aventuranças, e a igreja de Santa Maria dos Portugueses manteria a sua identidade, com Missa em português, com as suas tradições e festas, como Capelania anexa a essa Paróquia.

 Os jovens que alegam não saberem português, eles ou os namorados(as), esposos (as), para não frequentarem a nossa Igreja, teriam ali todas as oportunidades.

 Para aquelas pessoas ou famílias que sentissem dificuldade em deslocar-se semanalmente para Zwavelport, o Sr. Arcebispo concorda que continue a haver uma missa semanal em português em Pretória West.

Pretória, 2017-06-11

O Pároco: Frei Gilberto Lage Teixeira OFM”.

O Assistente: Frei Lameque André Michangula OFM”. 

 Ao texto que acabamos de transcrever na íntegra, apenas podemos adiantar que, a avaliar pelas discórdias que em comentários têm chegado ao nosso conhecimento, estar com essa oposição, ao que parece cada vez mais acentuada, o problema da mudança longe de poder ser resolvido em consenso geral. Por hoje e até novos contornos, tendo sempre em conta os superiores interesses da comunidade, ficamos por aqui.