Ronaldo com “hat-trick” mantém Portugal na rota do Mundia2014

0
12
Ronaldo com “hat-trick” mantém Portugal na rota do Mundia2014

Três golos de Cristiano Ronaldo mantiveram  uma Selecção portuguesa de futebol com várias “vidas” na rota do apuramento directo para o Mundial2014, contribuindo decisivamente para a sofrida vitória por 4-2 na Irlanda do Norte, num jogo atribulado, com três expulsões.

 O avançado concretizou o primeiro “hat-trick” com a camisola da Selecção lusa, da qual se tornou o segundo melhor marcador, com 43 remates certeiros, ultrapassando o lendário Eusébio, que marcou o seu 41.º e último tento pela equipa lusa precisamente à Irlanda do Norte, que hoje ficou matematicamente afastada da fase final.

 Cristiano Ronaldo, talvez ainda longe de estar a cem por cento fisicamente, virou um resultado negativo de 2-1 para 4-2 favoráveis a Portugal no curto espaço de 15 minutos, com golos aos 68, 77 e 83, recolocando Portugal na liderança do Grupo F europeu de qualificação.

 Os lances de bola parada, que deveriam constituir a maior preocupação para a equipa lusa, foram inicialmente libertadores: sem fazer muito para o justificar, Portugal encontrou-se em vantagem aos 21 minutos graças ao remate colocado de Bruno Alves na sequência de um canto, mas foi também dessa forma que a Irlanda do Norte chegou ao empate, aos 36, por intermédio de Gareth Mc-Auley.

 A expulsão de Hélder Postiga, aos 42 minutos, aliada ao segundo golo norte-irlandês, marcado por Jamie Ward, aos 52, pareciam ter precipitado o fim de Portugal, mas, Chris Brunt também recebeu ordem de expulsão pouco depois, aos 61, e a Irlanda deixou espaço para Cristiano Ronaldo brilhar a grande altura, acabando por ser substituído já perto do fim recebendo aplausos dos próprios adeptos da casa.

 Com Cristiano Ronaldo, recuperado da mialgia na coxa direita, a constituir-se como a referência do ataque luso, ao lado de Vieirinha e Hélder Postiga, o seleccionador Pau-lo Bento apresentou o “onze” esperado, destacando-se o regresso de Raul Meireles e João Moutinho, ausentes no particular com a Holanda (1-1), que permitiu refazer o tradicional trio do meio-campo, em conjunto com Miguel Veloso.

A Selecção portuguesa demonstrou alguma dificuldade em lidar com a entrada des-complexada da equipa anfitriã e apenas chegou-se a acercar da área irlandesa à passagem do quarto de hora, na sequência de um livre, com um desvio de cabeça de Bruno Alves que saiu ao lado da baliza.

 Bruno Alves não demorou muito a concretizar a ameaça, rematando fora do alcance do guarda-redes Roy Carroll aos 21 minutos, após um canto marcado por João Moutinho que a defesa irlandesa aliviou de forma inapropriada, tornando-se o defesa, mais goleador com a camisola da selecção nacional, com nove remates certeiros, mais um do que Fernando Couto.

 Vieirinha poderia ter aumentado a vantagem pouco depois, mas a elasticidade de Roy Carroll evitou o segundo golo de Portugal e à passagem da meia hora foi Pepe que salvou Portugal do empate com um corte precioso, após uma perda de bola comprometedora de Fábio Coentrão.

 A Irlanda do Norte também não necessitou de muitas tentativas para marcar e fê-lo igualmente na sequência de um pontapé de canto, aos 36 minutos, com Gareth McAuley a ganhar o duelo de “centrais” com Bruno Alves e a restabelecer o empate, com algum sentido de justiça.

 “Ausente” durante grande parte do encontro, Hélder Postiga esteve em evidência perto do intervalo, pelos melhores motivos, ao rematar aos 42 minutos para defesa muito apertada do guarda-redes norte-irlandês, e os piores, ao ser expulso no minuto seguinte por tentar agredir Gareth McAuley com uma cabeçada.

 Portugal ficou numa situação desesperada no jogo logo no início da segunda parte, quando Jamie Ward consumou a reviravolta, aos 52 minutos, de novo após a marcação de um canto, mas em posição de claro fora-de-jogo que passou despercebido à equipa de arbitragem liderada pelo holandês Danny Makkelie.

 Em desvantagem no marcador e no número de jogadores de campo, Paulo Bento arriscou na procura, pelo menos, do empate, trocando o médio Raul Meireles pelo avançado Nani, e o equilíbrio de forças regressou pouco depois por força de uma falta de Chris Brunt sobre João Pereira aos 61 minutos merecedora de segundo cartão amarelo.

 Miguel Veloso voltou a testar os reflexos de Roy Carroll pouco depois, mas apenas os lances de bola parada pareciam capazes de produzir alterações no marcador: canto novamente marcado por João Moutinho e Cristiano Ronaldo, com um remate de cabeça muito “britânico”, restabeleceu a igualdade 2-2 aos 68 minutos, igualando os 41 golos de Eusébio.

 Nove minutos mais tarde, aos 77, o cruzamento de Fábio Coentrão permitiu ao “capitão” da Selecção nacional ultrapassar Eusébio, com um desvio colocado de cabeça, e o “hattrick” foi consumado aos 83, na marcação de um livre directo, já depois dos papéis se terem invertido e a Irlanda do Norte ter ficado em inferioridade numérica, por expulsão de Kyle Lafferty, aos 80, devido a nova falta sobre João Pereira.

 Com algum dramatismo, Portugal conquistou a segunda vitória frente aos norte-irlandeses na condição de visitante, em sete partidas, 19 anos depois do único sucesso.