Ronaldo bisou na festa “merengue” mas Real sofreu na segunda parte

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Ronaldo bisou na festa “merengue” mas Real sofreu na segunda parte

O Real Madrid perdeu terça-feira em Istambul frente ao Galatasaray por 3-2, mas ga-rantiu o apuramento para as meias-finais da Liga dos Campeões. José Mourinho chegou à sétima meia-final europeia da carreira, algo que só Ferguson tinha conseguido, e tem a Décima à vista.

 

 

 

 Ronaldo voltou a ser determinante, com dois golos.

 Mourinho tinha o plano de jogo bem traçado. Um golo, o do costume, e não havia que sofrer. Cristiano cumpriu-o à risca.

 Aos sete minutos, estava o Real a vencer por 1-0, Terim a queixar-se dos homens do Real sem marcação e o treinador português a erguer o punho para o ar. A distância era uma montanha enorme para escalar: cinco golos! Mas – quem diria? – voltaria a apro-ximar-se perigosamente.

 O ritmo começou vertiginoso e assim continuou. A emoção, essa, parecia ter-se esvaziado. Apesar de Sneijder, Drogba e Altintop continuarem a acreditar no milagre e das bancadas apresentarem um coração enorme, todos sabiam que o quase impossível tinha perdido o condicional.

 Era demasiado para qualquer equipa. Mas os turcos não gostam de ideias-feitas.

 Mou fez alinhar três internacionais portugueses: Pepe, Coentrão e Ronaldo. E um espanhol. Nunca o Real tinha apresentado tão poucos jogadores do seu país, apenas re-presentado por Diego López (Arbeloa entraria depois da meia-hora para o lugar do lesionado Essien). Já se sabia que não havia Ramos e Alonso, castigados. Do lado dos turcos, lamentava-se bem mais a ausência do goleador Burak Yilmaz, suspenso por culpa de uma simulação que não fez e que a UEFA não despenalizou.

 A partida começou com frenesim turco e o Real a marcar. Aos quatro minutos, os “merengues” davam o tom.

 Cristiano lançou Di María em contra-ataque, e o argentino tentou isolar Higuaín. Muslera saiu rápido dos postes, a bola voltou a Di María, mas o argentino não acertou na baliza deserta. Três minutos depois, o golo. A primeira parte teria até final muita vontade do “Gala”, mas poucas oportunidades.

 A melhor até pertenceu aos visitantes, aos 26 minutos.

 Muslera fez a defesa da noite. Passe de calcanhar de Ronaldo e foi o braço esquerdo do uruguaio a defender a trivela de Di María.

 Os turcos não estavam vencidos. Precisavam de um golo para catalisar a fé e este chegaria, mas antes Ronaldo faria o que não é hábito: falhar.

 Decorria o minuto 57, o Real esticava-se em contra-ataque. Di María fez tudo bem e me-teu à bola à frente do pé direito do capitão da Seleção. Mas era tão fácil que se atrapalhou e atirou ao lado. Na jogada seguinte, virava tudo. Jogada de Sneijder pela esquerda, com o cruzamento atrasado, para fora da área, para a bom-ba de Eboué. Indefensável.

 Sneijder era o jogador em que o Gala se apoiava.Aos 63 minutos, um alívio de Coen-trão caiu-lhe nos pés, mas, tal como tinha acontecido com Cristiano, era tão fácil que falhou. Mas aos 71, festejou mesmo. Jogada de Amrabat, que entrou muito bem, e o holandês a conseguir o dois-em-um, recepção orientada com direito a túnel sobre Va-rane, que o colocou à frente de López.

 O remate seria certeiro. E aos 72, um minuto depois apenas sublinhe-se, a defesa do Real era derrubada como um bara-lho de cartas: jogada de Amrabat, com o cruzamento já na área a encontrar o toque fabuloso de calcanhar de Drogba para o 3-1. Dois golos monumentais incendiavam Istambul.Mourinho acabaria o jogo a ter de defender, a tirar Özil por Albiol. O sector mais recuado do campeão espanhol reerguia-se, e não mais o Galatasaray teria nova oportunidade. Drogba ainda festejou o 4-1, mas estava claramente em fora de jogo.

 Nos descontos – e já depois do duplo amarelo inacreditá-vel de Arbeloa -, Ronaldo aca-baria com tudo, a passe de Benzema. As câmaras procuraram Mourinho, já abraçado a Terim, e Drogba, na fila de espera para saúdar o ex-gaffer. Estava feito! O Real Madrid estava na meia-final, com a Décima novamente à vista. Mesmo que Mourinho diga agora que tinha avisado, será que o “Special One” esperava tanto sofrimento?