Robben Island pode desaparecer com a subida dos Oceanos

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Robben Island pode desaparecer com a subida dos Oceanos

Pelo menos 136 lugares considerados Património Mundial da Humanidade da UNESCO, incluindo a Robben Island, na África do Sul, serão afectados caso as temperaturas continuem a subir nos próximos dois mil anos, em média, três graus celsius, estima um estudo da Environmental Research Letters.

 A publicação científica do Institute of Physics aponta a Estátua da Liberdade, o Independence Hall, a Torre de Londres e casa da Ópera de Sydney como exemplos de locais históricos que poderão ser gravemente afectados com a subida do nível do mar nos próximos dois mil anos.

 A revista do IOP Publishing Environmental Research Letters calculou o aumento da temperatura em 720 locais que integram a lista da UNES-CO e que seriam atingidos se a actual tendência de aquecimento global continuasse e as temperaturas se elevassem a três graus celsius acima dos níveis verificados no período pré-industrial.

 Os investigadores consideram que este fenómeno, o de aumento do nível do mar nos próximos dois mil anos, é “um

cenário possível e não particularmente extremo”.

 Segundo o estudo, a persistente elevação do nível do mar também poderá atingir os centros das cidades de Bruges, na Bélgica, Nápoles, Riga, a capital da Letónia, São Petersburgo, Veneza, Abadia de Westminster, considerada a igreja mais importante de Londres, e a ilha Robben, na África do Sul, onde Nelson Mandela esteve encarcerado durante 27 anos.

 O principal autor do estudo Ben Marzeion, da Universidade de Innsbruck, disse que “os níveis do mar estão a responder ao aquecimento global lenta mas firmemente, porque os principais processos envolvidos – a absorção de calor dos oceanos e derretimento do gelo continental -, depois de longo tempo de aquecimento contínuo da atmosfera, parou”.

 Já o coautor da pesquisa Anders Levermann, do Instituto Potsdam para a Pesquisa do Impacto Climático, disse: “depois de dois mil anos, os oceanos teriam atingido um novo estado de equilíbrio e podemos calcular a perda de gelo da Gronelândia e da Antártida a partir de modelos físicos”.

 “Ao mesmo tempo, consideramos dois mil anos um tempo curto, mas o suficiente para ser relevante para o património cultural que prezamos”, acrescentou Anders Levermann.

 Os pesquisadores calcularam também a percentagem de terra dos países que estão localizados abaixo do nível do mar e apuraram que pelo menos sete países – incluindo as Maldivas, Bahamas e Ilhas Caimão – poderão perder 50 por cento de suas terras, enquanto outros 35 países correm o risco de perder 10 por cento de suas terras devido ao aumento de níveis do mar.

 Segundo a pesquisa, sete por cento da população mundial actual vive em territórios que estão abaixo do nível do mar e que, fazendo a distribuição da população afetada de for-ma desigual, constata-se que mais de 60 por cento da população afetada seria as que residem na China, Índia, Bangladesh, Vietname e Indoné-sia.

 “Os nossos resultados mostram que se houver um aumento de temperatura de 3° C durante os próximos dois mil anos, o que parece provável de ser alcançado e é geralmente considerado como não sendo um cenário extremo, os impactos sobre o património global seriam graves”, concluiu Ben Marzeion, da Universidade de Innsbruck.