Resultados encorajadores para a paz em Moçambique

0
118
Resultados encorajadores para a paz em Moçambique

O ex-presidente moçambicano Joaquim Chissano defendeu na sexta-feira a mútua compreensão entre o Governo e a Renamo, principal partido de oposição, para o fim da crise política e militar, considerando que os resultados alcançados são encorajadores.

 “Deve haver mútua compreensão e esse diálogo fraternal deve continuar”, declarou o antigo chefe de Estado, à margem das cerimónias centrais do Dia dos Heróis em Maputo, que se assinalava naquele dia.

 Enaltecendo a importância da paz para a estabilização do país, Joaquim Chissano disse que os moçambicanos devem apoiar as acções do Governo que visam ultrapassar o impasse político que opõe o Governo e o principal partido de oposição.

 “Deve, acima de tudo, haver reconciliação”, afirmou o antigo Presidente, que observa que o caminho mais eficaz para a paz em Moçambique passa, primeiro, pela criação de um clima de confiança entre as duas partes.

 Por sua vez, Armando Guebuza, também antigo chefe de Estado, disse que as crises são comuns em todas as partes do mundo, mas o importante é saber criar mecanismos para ultrapassar estas diferenças e garantir a conso-lidação da unidade nacional.

 “Em qualquer país há problemas, mas, ao mesmo tempo, há vitórias que devem ser destacadas”, afirmou o antecessor do actual Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, manifestando-se confiante de que o país vai encontrar formas de resolver a crise política que atravessa.

 O Presidente moçambicano anunciou que o Governo e a Renamo decidiram criar, sem a presença de mediadores internacionais, dois grupos especializados para tratar dos “assuntos militares” e da descentralização, pontos essenciais na agenda das negociações de paz que estavam curso em Maputo.

 “Brevemente, uma nova fase do diálogo deverá dar início. Tenho mantido uma interação cordial com o líder da Rena-mo”, afirmou Filipe Nyusi.

 Falando em videoconferência a jornalistas na Zambézia, Afonso Dhlakama, citado pela Rádio Moçambique, explicou, por seu turno, que os grupos serão compostos por dois membros das duas delegações e um especialista na matéria em discussão.

 “Logo que os grupos tiverem sido criados, vamos retomar as negociações em Maputo. Provavelmente na próxima semana”, afirmou o líder da Renamo, observando que a missão dos mediadores em Maputo terminou e agora é momento de deixar o trabalho para especialistas nas principais matérias da agenda negocial.

 “Eles [os mediadores internacionais] não foram expulsos, é preciso notar. Quando precisarmos deles, sem receios, vamos chamá-los”, esclareceu o presidente da Renamo.

 Os trabalhos da comissão mista nas conversações entre Governo e da Renamo, orientada pela equipa de medição internacional, pararam em meados de Dezembro sem acordo sobre o pacote de descentralização, um dos temas essenciais das negociações de paz, após meses de reuniões.

 Moçambique atravessa uma crise política, marcada, no centro do país, por conflitos militares entre as Forças Defesa e Segurança e o braço armado da Renamo, que reivindica vitória nas eleições gerais de 2014, acusando a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder há mais de 40 anos, de fraude no escrutínio.

 Em finais de Dezembro, após conversas telefónicas com o Presidente moçambicano, o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, declarou uma trégua de uma semana como "gesto de boa vontade", tendo, posteriormente, prolongando o seu prazo para 60 dias.

 Espera-se que as negociações entre as partes, agora neste novo modelo e sem a mediação internacional, sejam retomadas nos próximos dias.