Repórter-fotográfico João Silva pisou uma mina no Afeganistão

0
85
Repórter-fotográfico João Silva

Repórter-fotográfico João SilvaO fotógrafo português João Silva, radicado na África do Sul, ficou sábado gravemente ferido depois de ter pisado uma mina, no Sul do Afeganistão. Segundo o porta-voz do “The New York Times”, jornal para o qual o fotógrafo trabalha actualmente, João Silva perdeu “parte de ambas as pernas”, apresentando ainda “danos pélvicos e hemorragias internas”. O fotojornalista foi transferido para a base norte-americana de Ramstein, na Alemanha.

 O fotógrafo, natural de Lisboa, de 44 anos, acompanhava uma patrulha da 101.ª Divisão Aerotransportada em Arghandab, na província de Kandahar, quando pisou a mina. De acordo com o relato da jornalista Carlotta Gall – contado ao DN pelo porta-voz Robert Christie -, João Silva “continuou a tirar fotografias após a explosão, enquanto os médicos habilmente aplica-ram torniquetes, lhe deram morfina e o levaram em maca para o helicóptero”.
 Após ter sido levado de emergência para a base em Kandahar, o fotógrafo foi operado.  

 Segundo Robert Christie, os médicos estão em contacto com a mulher do fotógrafo, tendo-lhe indicado que ele “ainda não está livre de perigo, mas é extremamente forte”. Vivian, que vive com o marido na África do Sul, deverá voar para a Alemanha na segunda-feira (hoje) de manhã. A família, contactada pe-la agência sul-africana SAPA, estava demasiado perturbada para tecer comentários.
 “O João é um excelente fotógrafo de guerra, sem medo mas cuidadoso, com um olho incrível”, disse Bill Keller, editor executivo do New York Times. “Aguardamos ansiosamente e rezamos pela sua rá-pida recuperação”. Antes de trabalhar no Afeganistão, o fo-tógrafo de guerra tinha já passado pelo Iraque, pelos Balcãs, por vários países em Áfri-ca e do Médio Oriente, tendo visto as suas fotos distinguidas com vários prémios .

 Não há relato de mais feridos no incidente. Segundo o jornal norte-americano, “um grupo de especialistas em minas e de cães farejadores de bombas tinha já passado sobre a área e encontrava-se vários passos à frente de João Silva quando se deu a explosão”. As minas, accionadas remotamente ou através de algum mecanismo de pressão, são a principal arma usada pelos talibãs no Afeganistão, sendo baratas e fáceis de fazer, mas difíceis de detectar. Segundo a AFP, foram responsáveis pela morte da maioria dos 600 militares estrangeiros que, só este ano, já perderam a vida neste país.
 Para acompanhar os militares, os jornalistas têm de assinar vários termos de responsabilidade. “Somos nós que temos de garantir a nossa própria vida e ter o nosso próprio equipamento, desde coletes a capacetes. Temos de contratar seguranças privados se quisermos”, disse ao DN o jornalista João Francisco Guerreiro, da TSF, que esteve até há dias com os militares portugueses em Cabul. Quanto ao medo, confessa que este é maior quando ainda se está em Portugal. “Depois de chegar, é mais fácil estar mais tranquilo, porque a ameaça é permanente”, acrescentou.
 O fotógrafo nasceu em Lisboa em 1966 e partiu para Moçambique na juventude.

 Começou a fotografar aos 23 anos, e foi na África do Sul que se iniciou no fotojornalismo, no jornal regional "Alberton Record", em 1989.
 Notabilizou-se no "Star" de Joanesburgo para onde se mudou em 1991, nas agências internacionais Reuters e Associated Press, ao serviço das quais viajou por todo o mundo para captar imagens de guerra. Afeganistão, Iraque, Angola, Sudão, foram destinos do profissional enquanto captava os horrores da violência política da sua pátria de adopção.
 Desde 1996, está ligado contratualmente ao New York Times, ao serviço do qual cobre regularmente a guerra no Iraque, o Afeganistão e países africanos.