Renamo confirma presença de “seguranças” armados no sul de Moçambique

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Renamo confirma presença de “seguranças” armados no sul de Moçambique
A Renamo confirmou a presença de “seguranças do partido” em Homoíne, no sul de Moçambique, onde, na terça-feira, se iniciaram confrontos entre homens armados e as forças de segurança moçambicanas, dos quais resultaram pelo menos oito mortos.

Segundo Fernando Mazanga, porta-voz do Resistência Nacional Moçambicana (Rena-mo), segunda maior força política em Moçambique, os “seguranças do partido” que se encontram no distrito de Homoíne são elementos “expurgados do exército nacional” e desmobilizados de guerra que não chegaram a integrar as Forças Armadas e de Defesa de Moçambique (FADM), naturais ou residentes na província de Inhambane.
 
 “Efectivamente, os seguranças da Renamo encontram-se agrupados na província de Inhambane. O partido Renamo orientou-os para se organizarem localmente e para responderem a qualquer provocação que lhes for feita, seja por quem for”, disse Fernando Mazanga, durante uma conferência de imprensa, na sede do partido, em Maputo. 
 
 Justificando a presença de “seguranças do partido” na região sul do país, Mazanga disse que a acção pretende travar, “a partir da origem”, os avanços das FADM em direcção à região centro, onde, desde Abril de 2013, se registam confrontos entre forças do partido e governamentais.
 A Renamo “entende que concentrar todos os seguranças na província de Sofala poderia parecer que a acção do Governo é apenas contra o centro do país, quando, na verdade, no sul e no norte há problemas”, enfatizou o porta-voz.
 
 “Grande parte dos mancebos das FADM que atacam o centro do país são treinados, equipados e transportados [a partir] do sul, pelo que [a Renamo] entende que essas incursões devem ser travadas a partir do seu local de origem”, acrescentou.
 De acordo com o responsável, o seu partido deu indicações àquela força para “não hostilizar as comunidades locais”, que, segundo informações da imprensa, estarão a abandonar a região com receio de acções militares.
 
 Questionado sobre notícias veiculadas pela imprensa que dão conta de oito mortos naquela zona do sul do país, o porta-voz disse que não avançava informações sobre o assunto, alegando que não está em contacto com os homens da Renamo no local.
 Segundo o diário mediaFax, seis militares e dois civis morreram, na terça-feira, em consequência de confrontos entre as forças de segurança de Moçambique e alegados homens armados da Renamo, na região de Homoíne.
 De acordo com a mesma fonte, os seis militares mortos integravam a Força de Intervenção Rápida (FIR), que, na madrugada de terça-feira, realizou uma acção militar nas localidades de Catine e Nhamungue, em Pembe, no distrito de Homoíne, província de Inhambane, contra alegados homens armados da Renamo.
 
 Numa outra versão, o canal independente STV confirmou a morte dos seis agentes da FIR, mas avançou que dois homens armados da Renamo terão morrido, ao contrário do jornal, que refere baixas civis.
 
 O porta-voz da Renamo não quis também comentar a acusação do Governo moçambicano de que a Renamo estará a recrutar jovens para en-grossar as suas fileiras e garantiu aos jornalistas que “ninguém, nem nada, irá colocar a Renamo fora dos pleitos eleitorais”. 
“Há desmobilizados [de guerra] do Rovuma [norte] ao Maputo [sul]. Este conflito não é sul-centro, é nacional”, conclui o porta-voz, referindo-se ao diferendo sobre a lei eleitoral que o seu partido mantém com o Governo, que terá precipitado a actual tensão político-militar no país.