Remodelação ministerial na África do Sul teve implicações negativas na notação financeira do País

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Remodelação ministerial na África do Sul teve implicações negativas na notação financeira do País

A agência de notação financeira Fitch desceu na sexta-feira a avaliação da qualidade do crédito soberando da África do Sul para o grau de não investimento, ou ‘lixo’, como é conhecido, citando turbulência política e preocupações de governabilidade.

 A descida do ‘rating’ da segunda maior economia africana seguiu-se a uma iniciativa similar tomada pela Standard & Poor’s, logo na sequência da demissão do ministro das Finanças, no final da penúltima semana.

 A degradação da avaliação da qualidade do crédito soberano da África do Sul surgiu no mesmo dia em que milhares de pessoas manifestaram-se contra o Presidente Zuma, exigindo a sua demissão na sequência de remodelação governamental.

 A Fitch diz que esta remodelação, que afastou o ministro das Finanças Pravin Gordhan, vai desencorajar ainda mais as empresas de investir no País e que deve enfraquecer "os padrões da governação e das finanças públicas".

 A Moody’s, a única agência de ‘rating’ que não desceu ainda a avaliação sobre o país, disse que vai aguardar durante mais três meses sobre a evolução da economia sul-africana, mas, entretanto,

já abriu um procedimento de avaliação do ‘rating’, que normalmente conduz à revisão em baixa, o que faria com que nenhuma das três maiores agências do mundo dê à África do Sul o estatuto de recomendação de investimento.

 

* MANIFESTAÇÕES NA SEXTA-FEIRA

 

 Na sexta-feira, aproximadamente 60.000 pessoas por todo o país tomaram parte em marchas e protestos, a maior parte convocados pelo maior partido da oposição, o Democratic Alliance, para pedirem a demissão imediata do presidente Jacob Zuma. Uma pessoa foi presa pelas autoridades policiais na cidade de Pietermaritzburg e duas outras foram hospitalizadas em Joanesburgo, após confrontos.

 A ministra das Comunicações, Ayanda Dlodlo, afirmou publicamente numa reunião em Pretória, que as marchas são a prova evidente de que a democracia está instaurada na África do Sul, prova disso é o exercício dos direitos democráticos e sociais de que os sul-africanos gozam.

 Afirmou ainda que os cidadãos têm o direito de expressar as suas preocupações nas eleições gerais previstas para 2019.

 Ainda no mesmo dia, a vice-secretária-geral do partido no poder, Jesse Duarte, declarou publicamente que o presidente Jacob Zuma continua a contar com o total apoio do  ANC.

 Jesse Duarte acrescentou que o partido não se deixará ditar por terceiros quanto às suas posições, nem quanto à sua liderança.