Remessas dos portugueses no estrangeiro em 2017 passaram os 3,5 biliões pela primeira vez

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 As remessas dos emigrantes portugueses subiram 6,3% em 2017, ultrapassando pela primeira vez a barreira dos 3.500 milhões de euros, ao passo que as remessas dos imigrantes desceram 2,8%, para 518,2 milhões.

 De acordo com os dados divulgados pelo Banco de Portugal, as remessas dos portugueses a trabalhar no estrangeiro subiram para o valor mais alto de sempre, chegando a crescer quase 30% face a 2012, ano em que tinham ficado abaixo dos três biliões de euros.

 Olhando para a série cronológica recolhida pelo banco central desde 1996, o valor mais elevado enviado para Portugal tinha acontecido em 2000, quando os portugueses a trabalhar no estrangeiro enviaram para o seu país 3.458 milhões de euros.

 Os números mostram que as remessas enviadas para Portugal subiram de 3,3 biliões de euros, em 2016, para 3,5 biliões no ano passado, com destaque para os portugueses radicados em França, que enviaram quase um terço do valor total: 1.151 milhões de euros.

 Depois da França, a Suíça lidera os países de onde vieram mais verbas, com remessas no valor de 797,5 milhões, o que representa uma subida de 14,3% face ao ano anterior.

 Em sentido inverso, os estrangeiros a trabalhar em Portugal no ano passado enviaram para os seus países de origem 518,2 milhões de euros, o que representa uma descida de 2,8% face os 533,3 milhões de euros enviados em 2016.

 O valor é, aliás, o mais baixo desde 2004, ano em que os imigrantes enviaram para os seus países de origem 485,6 milhões de euros.

 A nível dos países da lusofonia, o destaque vai para Angola, país de onde os trabalhadores portugueses enviaram 245 milhões de euros, o que representa uma subida de 19% face ao ano anterior, mas ainda assim abaixo do pico das transferências, registado em 2013, com 304 milhões de euros.

 Em São Tomé e Príncipe, o panorama é inverso, tendo havido uma fortíssima redu-ção das verbas enviadas, que desceram de 490 mil euros em 2016 para cerca de 50 mil euros no ano passado.

 

* Remessas dos emigrantes representam “confiança no

país” – afirma Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas

 

 O anúncio do Banco de Portugal de que as remessas dos emigrantes portugueses superaram em 2017 a barreira dos 3.500 milhões de euros foi interpretada por José Luís Carneiro como mostrando que “a confiança no país” se tem consolidado.

 Em declarações à margem da conferência “As prioridades de política para os portugueses no mundo” que decorreu na Universidade Lusíada, no Porto, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas destacou que os números anunciados “não se conheciam desde o início do século”.

 “Estes dados mostram que a confiança no país se tem vindo a consolidar. Os números publicados pelo Banco de Portugal mostram que os portugueses no mundo fizeram em 2017 uma das maiores remessas de dinheiro paria Portugal, ultrapassando os 3,5 milhões de euros, alcançando números que não se conheciam desde o início do século”, vincou José Luís Carneiro.

 Insistindo na relevância dos dados, juntou-lhe outra estatística, a dos actos consulares, para dizer que “também aqui se registou o maior número de sempre”, revelando terem sido “praticados mais de dois milhões de actos consulares”, num crescimento de 2015 para 2016 e de 2016 para 2017, “nomeadamente na obtenção de vistos”, que se cifrou “na ordem dos 25% ao ano”.

 Elogiando os portugueses por serem a “maior força de inserção do país na vida global, quer pela via cultural, económica, empresarial e política”, o governante considerou “muito justa” a votação no parlamento do “parecer do grupo de trabalho que vai preparar os termos da votação do recenseamento automático dos portugueses no estrangeiro”.

 “Isso é algo que os portugueses acalentavam há mais de 40 anos e, espero eu, vai ter nas próximas semanas o apoio dos deputados na Assembleia da República”, disse o secretário de Estado, para quem os valores das transferências são, também, “de “confiança para investir em Portugal e o quão acertadas têm sido as políticas do Governo para as comunidades”.

 E prosseguiu: “estes são números das remessas dos emigrantes mas há, na vida dos municípios em Portugal, de norte a sul, do litoral para o interior, milhares de investimentos que todos os dias estão a acontecer”, citando o exemplo do Porto no que está a ser feito na “regeneração urbana, nos sectores da restauração e turismo, nas novas tecnologias, na valorização do património histórico e cultural”.

 Sobre o facto de as remessas dos imigrantes para os respectivos países terem baixado 2,8% no mesmo período, para os 518,2 milhões de euros, remeteu-o para o secretário de Estado para a Cidadania e Igualdade.