Relações económicas entre Portugal e Moçambique estão aquém do potencial

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As relações económicas entre Portugal e Moçambique estão aquém do potencial, disse António Carlos Silva, administrador da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).

 Os números “não são muito animadores” se “pensarmos no potencial: é pouco para o que podia ser. Temos aí um desafio”, referiu aquele responsável durante o lançamento do Directório 2019 da Câmara de Comércio Portugal Moçambique (CCPM), em Maputo.

 Há cerca de 600 empresas portuguesas em Moçambique, sobretudo de pequena e média dimensão, referiu, apontado o país como aquele em que Portugal tem mais firmas estabelecidas, depois de Angola, o que diz ser razão de esperança.

 António Carlos Silva manifestou-se “optimista” quando ao que esta rede de empresas portuguesas pode fazer em conjunto com empresários moçambicanos.

 “Estamos confiantes”, frisou.

 A aceleração das relações económicas tem sido uma das prioridades expressa pelos dirigentes dos dois países nas duas cimeiras Portugal – Moçambique, promovidas este ano e em 2018, juntando os respectivos governos.

 Há pouco mais de um ano, o primeiro-ministro português, António Costa, visitou Moçambique, enquanto que o presidente moçambicano, Filipe Nyusi, deslocou-se a Portugal em Julho último.

 Entre 2017 e 2018 as exportações de bens e serviços de Portugal para Moçambique cresceram 5,4% para cerca de 352 milhões de euros.

 No mesmo período, as importações (produtos e serviços que Portugal comprou a Moçambique) caíram 12,7% para cerca de 78 milhões de euros.

 Este ano, o primeiro quadrimestre deu sinais positivos nos dois sentidos da troca de bens em relação ao mesmo período de 2018.

 O encontro de lançamento do Directório 2019 da CCPM realizado terça-feira em Maputo contou com uma intervenção do ministro adjunto e da Economia português, Pe-dro Siza Vieira, que descreveu o que classifica como “bom momento” de Portugal no contexto da economia mundial, impulsionado pelas exportações e caracterizado por um ‘superavit’ primário das contas públicas.

 Sendo o evento dedicado à temática do talento dos jovens moçambicanos, o governante referiu que “Portugal está aberto ao talento do resto do mundo”, sendo a escassez de recursos humanos um obstáculo de que muitos empresários lhe falam ao instalar-se em Portugal.

 O directório da Câmara de Comércio Portugal-Moçambique lançado em Maputo inclui uma separata dedicada ao sector financeiro moçambicano e à cooperação com Portugal.

 A publicação reúne artigos de diversas figuras sobre “a perspectiva da evolução macroeconómica, do crescimento expectável e desejável a breve e médio prazo, das tendências e desafios que se colocam a empresários e entidades, além das alterações a ter em conta em termos cambiais”, conclui a CCPM.

 

* Ministro da Economia na abertura da maior feira de negócios de Moçambique

 

 O ministro português da Economia, Pedro Siza Vieira, visitou na semana passada Moçambique de segunda até quinta-feira, para participar na Feira Agropecuária, Comercial e Industrial de Moçambique (FACIM) e contactar várias empresas portuguesas no país.

 Logo depois de aterrar em Maputo, Pedro Siza Vieira participou na abertura da 55.ª edição da FACIM, certame em que estiveram presentes 20 empresas de Portugal, o país mais representado na feira, de acordo com uma nota enviada à agência Lusa pelo Ministério da Economia.

 No primeiro dia teve ainda encontros com membros do Governo moçambicano e a participação na gala de entrega de prémios Cooperação Moçambique e Téktónica Moçambique – Fundação AIP (Associação Industrial Portuguesa).

 Na terça-feira, o ministro português, acompanhado pelo chefe de gabinete, esteve no lançamento de um anuário da Câmara do Comércio Portugal Moçambique, com a visita a várias empresas e um discurso de Siza Vieira durante a celebração do Dia de Portugal na FACIM.

 Na quarta-feira e até partir, na quinta-feira, Pedro Siza Vieira visitou a cidade da Beira, província de Sofala, onde foi conhecer os trabalhos de reconstrução dos blocos operatórios do Hospital Central, manter encontros institucionais e contactos com empresas de capitais portugueses.

 A cidade da Beira foi uma das mais afetadas pela passagem do ciclone Idai, em março.

 A FACIM, organizada pelo governo moçambicano por meio da Agência para a Promoção de Investimento e Exportação (APIEX), é um dos principais eventos de negócios no país lusófono, sendo que para a edição deste ano estão registadas empresas de 16 países.