Regresso de emigrantes da Venezuela à Madeira não deve ser encarado como um incómodo

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  O representante da República na Madeira, Ireneu Barreto, defendeu no sábado que o retorno dos emigrantes da Venezuela à Região não deve ser encarado como “um incómodo” mas “uma verdadeira oportunidade”.

  “O regresso dos nossos emigrantes será, não um problema nem um incómodo, mas uma verdadeira oportunidade”, disse Ireneu Barreto que presidiu sábado à sessão comemorativa dos 517 anos do concelho da Ponta do Sol, na zona oeste da ilha da Madeira.

  No entender do juiz conselheiro, o regresso dos emigrantes deve acontecer “correctamente enquadrado, e contando com a indispensável solidariedade do Governo da República”, podendo constituir “um importante factor de dinamização da nossa Região”.

  “Mas para isso não basta dizermos que estamos solidários com eles, e que aceitamos acolhê-los”, disse, adiantando ser necessário que, depois de terem enfrentado tantas dificuldades, estes encontrem na Madeira “ajudas eficazes e rápidas”.

  Na opinião do representante da República, é preciso “ir tão longe nos apoios quanto as possibilidades dos recursos permitirem”, apontando que “muitas vezes não exigem mais dinheiro”.

  Ireneu Barreto sustentou que deve haver “maior celeridade e agilidade no processo de naturalização”, “maior flexibilidade no reconhecimento de habilitações escolares e profissionais” ou ainda na menor carga burocrática no recurso aos vários apoios previstos”.

  “Porque me têm chegado, por diversas vezes, ecos de algumas dificuldades e demoras, faço daqui apelo a todas as entidades públicas – todas, sem excepção – para que, dentro das suas competências, continuem a trabalhar para que os nossos emigrantes na Venezuela, que decidiram regressar à nossa terra, que é também a deles, se sintam sempre bem acolhidos”, sublinhou.

  O responsável realçou que este é o único concelho da região governado por uma mulher, a socialista Célia Pessegueiro, que, considerou, tem “sabido superar as dificuldades com que decerto se teve de deparar”.

  Ireneu Barreto que é natural daquele concelho, apontou ser um município “de futuro, onde se conjuga, de forma porventura exemplar, o respeito pelo passado e pela tradição com a procura da modernidade e de novos horizonte que tem conseguido “desenvolver-se no respeito pelas actividades tradicionais, pelo seu ambiente natural, pelas circunstâncias específicas, que obrigam a ponderar cuidadosamente o impacto de cada novo investimento, soube encontrar na sua identidade uma fonte de riqueza económica e de desenvolvimento.”

  O facto de possuir um valioso património cultural, uma importante cultura de bananeira foram aspetos referidos pelo juiz conselheiro que complementou que este é um concelho que se define hoje como um verdadeiro polo cultural da Madeira, assumindo-se como um ponto de encontro de cidadãos da região e do mundo e acolhendo as tendências artísticas mais contemporâneas”.

  Ainda mencionou que a Ponta do Sol conseguiu superar das consequências dos temporais registados no início do ano, num trabalho realizado em colaboração entre a autarquia e o Governo Regional.

  “Não duvido que será encontrada uma solução justa que permita compensar o trabalho esforçado dos produtores de banana, que o vento tanto prejudicou”, vincou, concluindo: “Espero que esse entendimento possa também ser alargado na busca de soluções consensuais para as questões de interesse comum”.