Recordando figuras que se distinguiram na Comunidade

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Recordando figuras que se distinguiram na Comunidade

Muitos dos nossos compatriotas que para aqui vieram, como é do conhecimento geral, uns forçados devido a problemas que se lhes apresentaram, como foi o caso em 1974 com a descolonização das ex-províncias ultramarinas portuguesas de Angola e Moçambique, outros que ao pensar em emigrar escolheram para o efeito a República da África do Sul, se distinguiram pelas suas qualidades de trabalho, habilitações académicas ou profissionais nos mais variados ramos de actividade.

 Alguns tornaram-se publicamente conhecidos, mas

outros que pela sua simplicidade, nunca querendo dar nas vistas, sempre preferindo o anonimato, pouco mais do que apreciados nos círculos de colegas na mesma actividade, ou amigos de que se rodearam, muito embora se tenham guindado a posições de relevo, dignas de estima e respeito da própria comunidade.

 É pois de uma dessas figuras, que não obstante a sua reconhecida competência profissional e espírito de iniciativa o guindar neste país a posição de relevo, nunca quis publicidade à sua pessoa, muito menos elevar-se como importante no meio social, associativo ou actividade da própria comum idade, optando sempre pelo anonimato, nos eventos que apoiava, ou individualmente organizava, que hoje vamos falar.

 Natural de Tondela – Viseu, onde nasceu a 5 de Setembro de 1934, José Fernando Pereira Lopes ao pensar em melhorar economicamente a sua vida, deixou em 1956 a sua terra natal, para se fixar em Moçambique, tende como funcionário da Brigada Técnica do Limpopo, e chegado a encarregado de obras, residido vários anos em Vila Trigo de Morais.  

 Ciente de que a sua capacidade era merecedora de melhor remuneração, não reconhecida por quem de direito, foi alimentando a esperança de um dia se fixar na África do Sul, a seu ver o país que me-lhor se conjugava para o exercício da sua profissão, o que viria a acontecer em 1964.

 Roberts Construction foi a primeira empresa para quem trabalhou neste país, inicialmente em Welkom, passando no ano seguinte, a exercer as funções de encarregado da Christensen Construction Company em Lichtenburg, no nordeste do então Transvaal. 

 Em 1971, aproveitando as condições tentadoras que lhe foram oferecidas, passou a trabalhar na Futurus Engineering, com sede em Randburg, muito embora já nessa altura residisse em Pretória.

 Nesta firma de construção civil, esteve à frente de variadas obras, sendo entre 1978/79, responsável pelo trabalho de toda a obra da torre de telecomunicações do Post Office “John Vorster”, edificada em Pretória, no alto entre Muclaneuk e Lukas Rand, deixando ali bem patente o seu alto profissionalismo e sentido de responsabilidade, ao ponto de nessa altura ser considerado pelos engenheiros inspectores fiscais do P.W.B., que por parte do governo supervisio-navam o trabalho, como um dos três melhores encarregados de toda a África do Sul.

 Ultrapassada em parte a barreira que inicialmente se lhe apresentava, -o domínio das línguas oficiais da RSA, o inglês e o afrikaanse, adquiridos que foram alguns conhecimentos no primeiro daqueles idiomas -, pensou a sério em se estabelecer por conta própria, ideia que foi adiando, porque antes de a por em prática, teria forçosamente de se aliar a alguém com condições monetárias, para assim fazer face às despesas com aquisições de maquinaria necessária, e cauções de garantia que eram exigidas na adjudicação, praticamente de todas as obras.

 O engenheiro E.C. McConnell, que consigo trabalhava na Futurus, ao aperceber-se dos seus propósitos, e conhecendo as suas potencialida-des, nas conversações estabelecidas com Fernando Pereira Lopes, chegou a acordo formar de sociedade com ele, uma firma dedicada ao mesmo ramo de actividade.

 Assim, em 1980, é formada em Chloorkop, proximidades de Kempton Park, a CONFORM CIVIL ENGINEERING, para se dedicar à construção de obras em betão armado, como sendo silos, torres, depósitos de cereais e estruturas metálicas para qualquer tipo de mina, cofragens, etc..

 Começando como é lógico do nada, graças à qualidade dos trabalhos, honestidade e perfeição na sua execução, foram-se impondo, crescendo de tal forma, a serem consultados para obras de grande envergadura, a que com ela concorreram as mais credenciadas firmas do país.

 Por lhe terem sido adjudicados trabalhos nos vizinhos estados do Lesotho e do Botswana, abriram por imposição deste último país, uma filial designada por Conrete Structures, em Francistown, para assim satisfazerem as exigências governamentais nas obras em curso e, simultaneamente, com vista a outros empreendimentos futuros.

 Como tal e para poderem executar todos os serviços dentro dos prazos estabelecidos na adjudicação, chegaram a dispor de 320 empregados, entre os quais dois enge-nheiros e um agrimensor – este para cotações -, além da mais moderna maquinaria, havendo ainda a destacar seis guindastes electrónicos importados da Alemanha, só então existindo mais três do género em toda a África do Sul.  

 Dos trabalhos de grande dimensão que foram executando, destacam-se os silos de Bethal, classificados pela sua imponência dos maiores de todo o país.

 Casado com Maria Elza Ferreira Lopes, e pai de três filhos, Carlos, Eugénio e Salomé Lopes, tendo esta  integrado no passado o rancho folclórico da Associação da Colónia Portuguesa de Pretória, como então era designado.

 Foram homens dinâmicos e de valor como este que muito contribuiram para o prestígio da nossa comunidade radicada neste país, e por conseguinte de toda a justiça realçar.